O petróleo hoje oscila sem consenso após inverter o sinal ao longo da manhã, em um mercado ainda preso entre a fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio e sinais crescentes de pressão inflacionária global.
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O petróleo hoje oscila sem consenso após inverter o sinal ao longo da manhã, em um mercado ainda preso entre a fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio e sinais crescentes de pressão inflacionária global.
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Nesta sexta-feira (10), após voltar a rondar os US$ 100, o petróleo passou a oscilar com mais intensidade, refletindo um mercado sem direção clara. Por volta das 12h30 (de Brasília), o WTI para maio avançava 0,97%, a US$ 98,82, enquanto o Brent para junho subia 0,72%, a US$ 96,62. Apesar da leve alta, os contratos seguem próximos da estabilidade, em um movimento que traduz menos euforia e mais cautela diante das incertezas sobre a oferta global.
As negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão e previstas para o fim de semana, concentram as atenções do mercado. Mais do que um acordo amplo, investidores buscam sinais concretos sobre um protocolo viável para o trânsito de embarcações por Ormuz, variável que, neste momento, domina a formação de preços.
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Mesmo com a trégua formal em vigor, o fluxo segue longe da normalidade. A reabertura do estreito continua condicionada ao fim dos ataques no Líbano, exigência reiterada por Teerã após classificar as ofensivas israelenses como violação do cessar-fogo. Na prática, a rota permanece sob controle político, o que mantém elevado o prêmio de risco embutido no barril.
Na B3, as petroleiras acompanham o petróleo, mas com ganhos mais moderados diante da perda de tração da commodity. Petrobras (PETR3; PETR4) avançava 0,42%, a R$ 52,91, nas ordinárias e 0,35%, a R$ 48,07, nas preferenciais. No mesmo movimento, Prio (PRIO3) subia 2,31%, a R$ 66,96, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) ganhava 2,36%, a R$ 14,32, e a Brava Energia (BRAV3) avançava 1,41%, a R$ 21,60.
No caso da Petrobras, o noticiário corporativo adiciona novas camadas de leitura. A companhia anunciou a compra da fatia de 50% da Petronas nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte, na Bacia de Campos, por até US$ 450 milhões, retomando o controle integral dos ativos e reforçando a estratégia de concentração em áreas consideradas estratégicas.
Ao mesmo tempo, permanece no radar a decisão de devolver parte do ágio obtido no leilão de GLP realizado no fim de março, após pressão política que culminou em mudanças na diretoria. O episódio reabre discussões sobre governança e previsibilidade na política comercial da estatal.
O impacto da energia transborda para a macroeconomia. Os dados de inflação de março, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, já capturam os primeiros efeitos da recente disparada do petróleo, influenciando diretamente as apostas para juros.
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Nos Estados Unidos, houve aceleração relevante do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), com alta mensal de 0,9%, bem acima dos 0,3% registrados em fevereiro, e avanço de 3,4% em 12 meses. O movimento reforça a percepção de que o Federal Reserve terá menos espaço para cortes no curto prazo. Na mesma direção, a presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, afirmou que o choque recente do petróleo deve atrasar a convergência da inflação à meta de 2%, mantendo a autoridade monetária em compasso de espera por mais tempo.
No Brasil, a pressão também já se materializou. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% em março, acima do teto das projeções de mercado, levando a inflação acumulada em 12 meses a 4,14%. O dado reforça a leitura de que o choque de energia começa a se infiltrar nos preços domésticos, em um ambiente em que câmbio e juros reagem à combinação de pressão externa e incerteza geopolítica.
Do lado da oferta, governos e produtores começam a se reposicionar. O Japão anunciou uma nova liberação de reservas estratégicas equivalente a cerca de 20 dias de consumo, em uma tentativa de mitigar riscos de desabastecimento e reduzir a dependência de Ormuz.
Ao mesmo tempo, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o Brasil segue ampliando sua base estrutural de produção. As reservas provadas de petróleo cresceram 3,84% em 2025, para 17,488 bilhões de barris, enquanto o índice de reposição atingiu 147%, indicando incorporação relevante de novas reservas frente ao volume produzido.
A combinação desses movimentos revela um mercado em transição. De um lado, medidas emergenciais para conter choques de curto prazo. De outro, esforços para reforçar a segurança energética no médio e longo prazo.
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