Santander: Copom deve cortar Selic em 0,25 pp na próxima reunião
Banco avalia que ambiente externo teve melhora marginal desde o último encontro do colegiado, com o recuo do petróleo dos picos pós-escalada e valorização do câmbio
O head de política monetária do Santander avalia que a melhora no cenário externo ainda não é suficiente para o Banco Central acelerar o ritmo de queda da Selic. (Imagem: Adobe Stock)
O Santander Brasil espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha o ritmo de calibração da Selic (taxa básica de juros) em 0,25 ponto porcentual em reunião na próxima quarta-feira (29), decisão que deve ser acompanhada de um comunicado “modestamente mais suave” sobre o choque de oferta global. Segundo o banco, o Copom de abril é menos sobre petróleo, e mais sobre “mecânica e credibilidade”.
Em relatório a clientes, o head de política monetária do Santander, Marco Antonio Caruso, avalia que o ambiente externo teve melhora marginal desde o último encontro do colegiado, com o recuo do petróleo tipo Brent dos picos pós-escalada, valorização do câmbio, que se situa abaixo de R$ 5, e reversão parcial dos riscos de oferta de um cenário mais pessimista. Mesmo assim, diz Caruso, o choque não diminuiu o suficiente para que o Banco Central acelere o ritmo de redução do juro a 0,50 ponto.
A melhora, segundo ele, “torna mais difícil justificar uma pausa [na calibração da Selic], mas não faz de um movimento de 50 pontos-base o próximo passo natural”. O debate sobre uma intensificação do ritmo de corte deve voltar na reunião de junho do comitê, afirma o economista, período para o qual o Banco Central deve evitar sinalizar sua decisão.
“Os impactos do petróleo ainda contidos e amplamente exógenos, expectativas desancoradas e um hiato do produto positivo justificam outro corte de 25 pontos-base, com ajustes marginais na comunicação, sem orientação para junho e com total ‘opcionalidade’ preservada”, aponta o head de política monetária do banco espanhol.
Em sua visão, a principal restrição para uma redução maior na Selic não é mais o choque de commodities em si, mas sim o processo de desancoragem das expectativas inflacionárias. Com o Produto Interno Bruto (PIB) operando acima do nível potencial, ainda que com redução no hiato, um ajuste de 0,25 ponto na Selic seria o cenário mais provável agora, argumenta Caruso.
Em suas estimativas, a projeção de inflação do Banco Central no cenário de referência deve permanecer ao redor de 3,3%, com o horizonte relevante da política monetária passando do terceiro para o quarto trimestre de 2027. Se essa aritmética se concretizar, com o câmbio valorizado compensando parte da piora da inflação corrente e das expectativas, o modelo deve novamente parecer mais benigno do que o tom do comunicado, pontua Caruso.
Sobre o texto, o Santander diz que o Copom deve preservar sua postura de calibração e cautela, ao mesmo tempo em que substitui, no parágrafo sobre o cenário externo, a linguagem de escalada por referências mais equilibradas à incerteza persistente.