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Investimentos

Inflação projetada para 2026 sobe e influencia Tesouro Direto; entenda o impacto dos juros mais altos sobre os títulos públicos

Revisões no Focus elevam projeções de inflação e Selic, pressionando títulos prefixados e IPCA+ e mudando o humor do mercado

Por Isabela Ortiz

20/04/2026 | 10:23 Atualização: 20/04/2026 | 10:23

Veja como as taxas do Tesouro Direto operam neste pregão. Foto: Adobe Stock
Veja como as taxas do Tesouro Direto operam neste pregão. Foto: Adobe Stock

Os títulos do Tesouro Direto atravessam um momento que exige mais cautela por parte dos investidores. Em meio a revisões nas expectativas econômicas, o mercado tem recalibrado suas projeções para inflação e juros, o que impacta diretamente a precificação dos papéis, especialmente aqueles mais sensíveis ao cenário macroeconômico.

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Segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios, “os títulos do Tesouro vivem hoje um momento de atenção redobrada”. Ele destaca que o mais recente boletim Relatório Focus trouxe dois sinais relevantes em conjunto: a inflação projetada para 2026 subiu para 4,80%, permanecendo acima do teto da meta pelo sexto levantamento consecutivo, enquanto a expectativa para a taxa básica de juros também foi revisada para cima.

Na prática, esse movimento indica uma mudança de humor dos agentes financeiros. Como observa Matos, o mercado passou a precificar menos cortes na Taxa Selic, agora projetada em 13,00% ao fim do ano, ante 12,50% anteriormente. Esse ajuste tem efeitos diretos sobre os títulos prefixados e os papéis atrelados à inflação de prazo mais longo, que sofrem mais com a reprecificação das taxas de juros futuras.

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Esse tipo de dinâmica ajuda a explicar por que alguns títulos chegaram a operar em níveis elevados recentemente. De forma indireta, o especialista aponta que papéis indexados ao IPCA chegaram a oferecer taxas reais próximas de IPCA + 7,74% ao ano em vencimentos mais curtos, patamar considerado próximo das máximas históricas, um reflexo direto da incerteza em torno da trajetória inflacionária.

O que pode acontecer agora

O que acontece daqui para frente dependerá de uma combinação de fatores no curto prazo. Entre eles, ganha destaque a divulgação do IPCA-15, que antecipa a inflação do mês e costuma ser um dos principais insumos analisados pelo Banco Central antes das decisões de política monetária. Esse dado será particularmente relevante para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o fim de abril.

Além dos indicadores domésticos, variáveis externas seguem no radar. O comportamento do câmbio, atualmente abaixo de R$ 5,00, ajuda a conter a inflação importada, enquanto o cenário geopolítico, especialmente no Oriente Médio, influencia diretamente os preços do petróleo e, por consequência, os custos de energia em escala global.

Matos reforça que olhar para o Tesouro Direto apenas pela taxa pode ser um erro de avaliação.

Como ele explica, os títulos públicos funcionam também como um “termômetro direto de quanto o mercado confia na capacidade do Brasil de controlar a inflação e equilibrar suas contas”.

Tesouro Selic

No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.

Veja um exemplo:

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Tesouro IPCA+

Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios relevantes. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,04% e 6,82%, respectivamente.

A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.

No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.

Tesouro Renda+

Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,12% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 6,79% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.

Tesouro Educa+

Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,60%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 6,95% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.

O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.

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