O prejuízo da Casas Bahia saltou 160% em relação aos R$ 408 milhões apurados em igual período do ano passado.
A piora do resultado da Casas Bahia no 1T26 ocorreu principalmente por causa da pressão financeira em meio ao cenário de juros elevados no País. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,171 bilhão no trimestre, piora anual de 27%, refletindo o aumento do CDI médio de 12,94% no primeiro trimestre de 2025 para 14,86% em igual período deste ano.
Segundo o diretor Financeiro (CFO) da varejista, Elcio Ito, parte relevante da piora do prejuízo veio da não constituição de imposto de renda diferido, efeito contábil sem impacto caixa, que representou cerca de R$ 370 milhões de variação na comparação anual.
A receita líquida da varejista somou R$ 7,416 bilhões no trimestre, alta anual de 6,1%. Já o lucro bruto cresceu 6,5%, para R$ 2,247 bilhões, com margem bruta praticamente estável em 30,3%.
O Ebitda ajustado avançou 4,7% na comparação anual, para R$ 597 milhões, enquanto a margem Ebitda ajustada permaneceu em 8,1%, praticamente estável ante o primeiro trimestre do ano passado.
O crescimento operacional foi impulsionado principalmente pelo e-commerce. O volume bruto de mercadoria (GMV) consolidado avançou 5%, para R$ 11,2 bilhões, enquanto o GMV do e-commerce cresceu 14,6%, no sexto trimestre consecutivo de alta. O GMV do 1P online subiu 27,4%, registrando o maior crescimento dos últimos 19 trimestres.
Segundo o presidente do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, a companhia conseguiu ampliar as vendas digitais sem elevar os investimentos em estoque. “Nós não estamos investindo para crescer. Nós estamos crescendo de forma orgânica, otimizando o giro do nosso estoque”, afirmou em entrevista à Broadcast.
A companhia também reportou ganho de 1,7 ponto porcentual de participação de mercado no e-commerce nas categorias principais, atingindo 15,5% no período. No marketplace, a taxa de monetização (take rate) subiu para 13%, ante 12,7% um ano antes.
Nas lojas físicas, o GMV ficou praticamente estável, mas a receita bruta caiu 1,8% no trimestre, ainda impactada pelo fechamento líquido de 26 lojas nos últimos 12 meses. Ao final de março, a companhia possuía 1.039 lojas.
Estrutura de capital e caixa
A Casas Bahia destacou a melhora na estrutura de capital e na geração de caixa no trimestre. O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 852 milhões, ante consumo de R$ 322 milhões no primeiro trimestre de 2025. Segundo a empresa, o desempenho refletiu melhora operacional, avanço da rentabilidade e redução das despesas financeiras.
Segundo Franklin, a companhia teve o “melhor primeiro trimestre de sua história” em geração de caixa. A dívida líquida ajustada, considerando fornecedor convênio, CDCI e FIDC, caiu cerca de R$ 2,7 bilhões em 12 meses, para R$ 1,248 bilhão. Com isso, a alavancagem financeira recuou para 0,5 vez o Ebitda ajustado, ante 1,8 vez um ano antes.
A companhia afirmou que o caixa, incluindo recebíveis não descontados, totalizou R$ 3,2 bilhões ao fim do trimestre.
No trimestre da Casas Bahia, os investimentos totalizaram R$ 61 milhões, queda de 13% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Mais de 70% do capex foi destinado a projetos de tecnologia e logística.