Em relatório recente, o Itaú BBA manteve a recomendação de compra para o BTG Pactual (BPAC11). (Imagem: Adobe Stock)
O Itaú BBA manteve o BTG Pactual (BPAC11) como sua principal aposta no setor financeiro, reforçou a recomendação para a B3 (B3SA3) e reduziu as projeções para a XP após sinais de fraqueza operacional. Em um cenário mais seletivo para ações ligadas ao mercado de capitais, o banco vê o BTG melhor posicionado para crescer, enquanto a XP ainda não conseguiu transformar a melhora do mercado em resultados.
Segundo o banco, o bom momento do início do ano perdeu força com a saída de recursos estrangeiros, a desaceleração dos derivativos e a dificuldade dos fundos locais em atrair novos aportes. Com isso, o ambiente ficou mais desafiador — e passou a exigir mais consistência das empresas do setor.
No caso do BTG, o banco avalia que o primeiro trimestre mais uma vez demonstrou a capacidade do banco de gerar negócios em um ambiente desafiador, já que com a atividade dos mercados de capitais enfraquecendo no final do primeiro trimestre, a BTG se concentrou em empréstimos corporativos e continuou a ganhar participação de mercado em Gestão de Patrimônio e Ativos.
“O BTG está emergindo rapidamente como um dos players mais relevantes no setor de empréstimos para folha de pagamento privada, um segmento que consideramos uma fonte significativa de lucros incrementais, e agora projetamos uma carteira de financiamento ao consumidor de aproximadamente R$ 99 bilhões em 2026 e aproximadamente R$ 125 bilhões em 2027”, disseram em relatório.
As estimativas de lucro líquido ajustado para os anos fiscais de 2026 e 2027 também foram elevadas em 3%, para R$ 20,5 bilhões e R$ 23,5 bilhões, 5% acima do consenso do mercado. O preço-alvo para o ano fiscal de 2026 para as ações do BTG foi mantido em R$ 63,00, o que representa potencial de alta de 16,2%, com a recomendação de compra reiterada.
Já no caso da B3, a leitura é de que após um início de ano forte, impulsionado por fluxos de capital estrangeiro, a companhia agora enfrenta um cenário menos favorável, com a desaceleração da atividade de derivativos e a saída de volumes estrangeiros do Brasil. Mesmo assim, as projeções do Itaú para 2026 e 2027 permanecem praticamente inalteradas.
“A B3 não é mais a história de ‘aceleração fácil’ que era no início do ano, mas continua sendo uma maneira relativamente simples e de alta qualidade de capturar o potencial de valorização em dias de mercado melhores”, afirmaram.
O preço-alvo foi mantido em R$ 22,00 por ação, o que representa potencial de alta de 29,3%, com a recomendação de compra reiterada.
Por fim, no caso da XP, a avaliação é que a recuperação do mercado não se traduziu na recuperação dos lucros como o esperado, o que levou a uma redução do preço-alvo para US$ 19,00, ante US$ 21,00 anteriormente, o que representa potencial de alta de 6%. A recomendação foi mantida em neutra.
“Após iniciar o ano com uma configuração mais construtiva, as tendências operacionais da XP se mostraram mais fracas do que nossas expectativas anteriores. Ao mesmo tempo, a XP não apresentou ganhos significativos de participação de mercado nos últimos anos”, disseram.
As projeções de lucros também foram reduzidas em cerca de 9% para 2026 e 2027 devido a receitas mais fracas e maiores despesas gerais e administrativas.