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Squadra aposta em queda nas ações do IRB Brasil

Em carta divulgada no domingo (22), a casa afirma que o valor contábil por ação da empresa segue alto

Por E-Investidor

23/08/2021 | 12:53 Atualização: 23/08/2021 | 15:40

(Foto: Aline Bronzati/Estadão Conteúdo)
(Foto: Aline Bronzati/Estadão Conteúdo)

(Estadão Conteúdo) – Cerca de um ano e seis meses depois de vir a público explicar sua posição vendida (que apostava na queda) nas ações do ressegurador IRB Brasil Re (IRBR3), a gestora Squadra Investimentos mantém a aposta. Em carta divulgada no domingo (22), a casa afirma que o valor contábil por ação da empresa segue alto.

Leia mais:
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A Squadra calcula que, em agosto do ano passado, após a crise de credibilidade que derrubou o valor de mercado do IRB, a ação da companhia resseguradora era negociada a 1,8 vez seu patrimônio líquido. De lá para cá, esse múltiplo teria se reduzido pouco, para 1,52 vez, e a Squadra afirma que ainda está acima do que seria o valor justo. Segundo a gestora, a queda de 37% das ações no último ano só não produziu uma baixa maior no múltiplo do IRB porque o valor patrimonial também caiu.

Outro ponto que merece destaque para a gestora é que os créditos tributários gerados pelos prejuízos acumulados pelo ressegurador chegavam a R$ 1,1 bilhão no último balanço – e a gestão do IRB pretende utilizar esses créditos até 2031, sendo que dois terços do total seriam consumidos apenas a partir de 2026.

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Essa previsão fez com que a gestora carioca acredite que o valor dos créditos seja menor que o valor de face. Os analistas também calculam que, para utilizar os créditos, o IRB terá de acumular um resultado operacional relevante. “De acordo com o princípio geral das regras fiscais brasileiras vigentes, partindo desse montante, a companhia precisaria acumular no futuro um LAIR (lucro antes de imposto de renda) de aproximadamente R$ 9 bilhões para fazer uso integral desses ativos”, diz a Squadra.

Patrimônio líquido

A carta também destaca a diferença entre o patrimônio líquido do IRB e o patrimônio líquido ajustado. O segundo indicador, aplicado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) para medir os recursos disponíveis para as empresas supervisionadas, exclui os créditos fiscais do patrimônio líquido, exatamente porque, para serem utilizados, esses créditos dependem de lucros futuros.

No caso do IRB, o patrimônio líquido era de R$ 4,212 bilhões ao fim do segundo trimestre. Pelo critério ajustado, caía para R$ 2,705 bilhões. A Squadra afirma que essa diferença – de 36% – é uma particularidade do IRB. A partir dos dados de outras resseguradoras locais enviados à Susep, a gestora calcula uma diferença de 8% para as resseguradoras rivais.

Futuro

Em sua nova carta, a Squadra afirma que a nova gestão do IRB tem trabalhado para “arrumar a casa” e reposicionar a companhia resseguradora. A dúvida para o futuro é sobre a rentabilidade normalizada que a empresa deve apresentar. A percepção é de que o número não deve ser muito menor que o de pares domésticos e internacionais, mas que o IRB não deve escapar do padrão do setor de gerar resultados não nas operações, e sim a partir das aplicações financeiras.

“Diante desse quadro setorial desafiador, vemos o IRB ainda envolto em suas dificuldades particulares, decorrentes da necessidade de revisar seus negócios e contratos”, escreve a Squadra.

A gestora afirma que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) do IRB dificilmente será superior ao custo de capital do mercado acionário brasileiro, o que é suficiente para justificar um valor patrimonial elevado para a ação.

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