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Carol Sandler é fundadora do Finanças Femininas, a maior plataforma online do Brasil de educação financeira para mulheres. É apresentadora do podcast “Meu Dinheiro, Minhas Regras” e colunista da Rádio Bandeirantes e dos portais da revista Claudia e E-Investidor. Autora dos livros “Dinheiro Nasce em Árvore?” e “Detox das Compras”, além de coautora do “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos”. Formada em Jornalismo (PUC-SP), estudou relações internacionais no Instituto de Estudos Políticos da França (Sciences Po) e liderança feminina em Wharton.

Escreve às segundas-feiras, a cada 15 dias

Carol Sandler

Pânico no Tesouro Direto? Quais são os riscos da crise fiscal

É melhor ligar o sinal de alerta se você tem títulos públicos de longo prazo

Corda bamba, risco fiscal, teto de gastos (Foto: Evanto Elements)
(Foto: Evanto Elements)
  • Existe sim um risco de o governo federal não conseguir se organizar – mas o cenário básico do mercado é que ele deve sim conseguir reequilibrar os gastos públicos
  • Conversei com diversos economistas nos últimos dias e ouvi de todos o mesmo: quem tem títulos do Tesouro de longo prazo tem motivos de sobra para preocupação

O Tesouro Direto é um dos investimentos mais populares do Brasil – afinal, quem não gosta de uma aplicação que tem o mesmo nível de segurança da poupança, mas com rentabilidade bem maior?

As vantagens são inúmeras: diversas opções de títulos pré e pós-fixados, possibilidade de isenção de taxa de administração (e custódia, no caso das aplicações de até R$ 10 mil no Tesouro Selic) e facilidade para comprar e vender os papeis. Títulos como o Tesouro Selic são a base da reserva de emergência de muitos brasileiros – seja na compra direta dos títulos, seja através de fundos de renda fixa.

No entanto, existe uma premissa básica para o Tesouro Direto ser um investimento atrativo para o investidor: a qualidade da dívida pública. Afinal, ao comprar um título do Tesouro, você está, na realidade, comprando uma parte da dívida brasileira.

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Em 2015, o Brasil (e os investidores do Tesouro Direto com certeza vão se lembrar), vivemos um período de crise por conta dos temores com os rumos da política fiscal do governo. O medo era de um calote, dada a trajetória de aceleração do endividamento do governo – e o mercado do Tesouro Direto sentiu na pele.

O cenário político mudou, o novo governo comprometeu-se com uma agenda de ajustes fiscais e o mercado financeiro se acalmou. Vimos a aprovação de importantes projetos deste novo compromisso, como a lei do teto fiscal e a Reforma da Previdência.

Corta para 2020. A chegada da pandemia ao Brasil fez com que o governo tivesse que reagir à situação para apoiar os brasileiros. Foi necessário liberar gastos para dar suporte à área da saúde e lançar programas como o auxílio emergencial e o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). A casa estava minimamente em ordem para o governo poder aumentar os gastos no momento de uma crise sem precedentes como esta.

O resultado foi o aumento da dívida pública no Brasil – a relação entre dívida e PIB saiu do patamar de 70% do PIB e superou 90% no final de outubro. A expectativa de economistas é que ela deva chegar a 100% muito em breve. Guardadas as devidas proporções, isso representaria o mesmo cenário de uma pessoa com uma dívida tão grande que equivale ao total da sua renda durante um ano inteiro.

Contudo, na hora em que a sinalização sobre o compromisso fiscal do governo mudou do verde para o amarelo, a situação mudou. Um exemplo simples é a pressão por parte de alas do governo e do Congresso pela manutenção do auxílio emergencial em 2021. Para complicar a situação, cerca de metade da dívida brasileira vence em 2021.

No entanto, o mercado sentiu e o grande tema do momento é a crise fiscal. O grande medo é que o governo não respeite a lei do teto fiscal. Economistas começaram a fazer as suas projeções e os cenários são tenebrosos. No pior cenário de descontrole fiscal completo, o banco Santander prevê que o dólar subiria para R$ 6,70 em 2021 e o Banco Central seria forçado a aumentar a Selic, que subiria para 6% em 2021 e 9% em 2022.

A tensão já começou a ser percebida no mercado de títulos públicos. Investidores profissionais passaram a preferir títulos de curto prazo – com medo do cenário econômico de médio prazo do Brasil. Prefixados? Esquece. O mítico gestor do fundo Verde, Luis Stuhlberger, disse em entrevista recente, meio que em tom de brincadeira, que prefere ir para a prisão por 30 dias a ter papeis do Tesouro Prefixado com vencimento em 2022.

Leia também: A visão de Luis Stuhlberger para a economia no pós-covid-19

Muito tem se discutido sobre a crise fiscal, mas não ouvi muitas vozes em público fazendo a tradução de como isto impactaria os investidores do Tesouro Direto. Conversei com diversos economistas nos últimos dias e ouvi de todos o mesmo: quem tem títulos do Tesouro de longo prazo tem motivos de sobra para preocupação.

Existe sim um risco de o governo federal não conseguir se organizar – mas o cenário básico do mercado é que ele deve sim conseguir reequilibrar os gastos públicos. Ou seja: não há motivo para pânico ainda. No entanto, investidores e investidoras no Tesouro Direto devem acompanhar com uma lupa a discussão sobre a crise fiscal. Caso a dívida pública não seja domada, a situação pode ficar feia em pouco tempo.

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