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De olho nos fundos de investimento

Dan Kawa é sócio da TAG Investimentos e especialista em fundos de investimento. Graduado em Ciências Econômicas pela PUC-Rio, atua no mercado financeiro desde 2003. Dan atuou nas maiores gestores independentes do País como Gap Asset Management, Bank of New York Mellon ARX Investimentos, FLAG Asset Management e Icatu Vanguarda. Em todas as gestoras por onde passou participou de todo processo de crescimento, expansão e desenvolvimento da empresa, fazendo parte de comitês de suporte e decisão em questões estratégicas dos negócios.

Escreve mensalmente, às quartas-feiras

Dan Kawa

Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Neste momento, ainda vejo a correção recente como pontual

(Foto: Evanto Elements)
  • Do lado positivo, vejo uma recuperação econômica ainda saudável, a despeito de alguma acomodação recente
  • Do lado negativo, temos uma posição técnica menos saudável; preços e valuations “esticados”; o risco da ausência de um novo pacote fiscal nos EUA; uma eleição americana indefinida

Em setembro completamos 6 meses do auge da pandemia. Não teria momento melhor do que este para fazer uma atualização de cenário, sobre o que esperar daqui para a frente e como tentar posicionar os portfólios para os desafios vindouros.

Acredito que em meados de agosto entramos na terceira fase dos três mini ciclos econômicos que estamos vivendo desde o início deste ano.

Na primeira fase do ciclo, tivemos a parada brusca da economia, seguida por rápida e acentuada queda dos mercados financeiros globais. Foi nessa fase que o mundo parou, com diversos países adotando lockdowns agressivos e generalizados, com o intuito de combater uma pandemia ainda pouco conhecida.

Na segunda fase do ciclo, observamos uma recuperação em formato de V, não apenas dos mercados, como em vários setores da economia. A atuação contundente e agressiva dos bancos centrais e dos governos, a expectativa de reabertura econômica, assim como a esperança de uma vacina e/ou um protocolo robusto de tratamento para a covid-19 ajudaram a dar ímpeto e sustentação a essa fase do ciclo.

Desde meados de agosto acredito que entramos na fase do ciclo em que a recuperação se mostra mais errática e heterogênea entre os setores da economia e as regiões do mundo. Os dados econômicos divulgados nas últimas duas semanas já confirmam essa tese.

Nesta fase, não temos necessariamente um cenário negativo, mas um ambiente de maior incerteza, que pode trazer mais volatilidade e, eventualmente, acomodações ou correções em algumas classes de ativos.

Em especial, o investidor sempre precisa analisar o que está precificado nos ativos vis-à-vis o cenário que está se concretizando no dia a dia.

O que vimos do final de março ao final de agosto foi uma alta (uma recuperação) rápida, acentuada e marcada por poucas e modestas realizações de lucro ao longo do caminho. Vimos índices de bolsa, como a Nasdaq, nos EUA, subirem quase 80% dos pisos da pandemia, em movimentos “parabólicos” e unidirecionais.

Não é meu intuito, neste momento, questionar o mérito desses movimentos, nem mesmo sua velocidade e magnitude. Deixarei esse debate para uma outra oportunidade.

A minha ideia aqui é mostrar que, ao longo desses últimos meses, “o mercado” precificou um cenário de recuperação econômica e saída da crise, com concomitante piora na posição técnica e no risco x retorno de várias classes de ativos.

O que estamos observando nas últimas semanas é um movimento (até agora) normal, natural e, até mesmo, esperado, de acomodação ou realização de lucros. O que não era normal era uma alta da magnitude e velocidade, praticamente sem volatilidade, como vimos de abril a agosto.

Nosso desafio é (e sempre será) separar “o ruído do sinal”, ou seja, o que é um movimento pontual e técnico, de uma mudança estrutural de direção e/ou cenário.

Neste momento, ainda vejo a correção recente como pontual. Diante do movimento dos últimos meses, do nível de preços e valuations, e dos riscos que existem no cenário, não descarto correções adicionais nos próximos meses.

O que vem pela frente

Em meu cenário base, teremos um final de ano de bastante incerteza e, consequentemente, de volatilidade, mas sem grandes movimentos direcionais ou tendências de mercado.

Do lado positivo, vejo uma recuperação econômica ainda saudável, a despeito de alguma acomodação recente; uma liquidez global abundante; e a expectativa de que a pandemia seja controlada, ou via protocolos mais robustos de tratamento, ou através de uma vacina.

Do lado negativo, temos uma posição técnica menos saudável; preços e valuations “esticados”; o risco da ausência de um novo pacote fiscal nos EUA; uma eleição americana indefinida; uma nova onda de contaminação da covid-19; e sinais de arrefecimento na recuperação econômica de alguns países.

Preocupações

No curto-prazo, minha preocupação se concentra na necessidade de extensão dos auxílios emergenciais nos EUA. Na ausência de um novo pacote fiscal, o país pode passar por graves problemas de crescimento em curto espaço de tempo.

A incerteza das eleições americanas também preocupa, dado as enormes diferenças nas plataformas econômicas dos dois candidatos.

Finalmente, a segunda onda da pandemia começa a afetar o crescimento de algumas regiões do mundo de maneira mais profunda nas últimas semanas.

Neste último caso, os protocolos de tratamento são mais robustos hoje do que no começo o ano. Os protocolos de prevenção parecem mais robustos e o sistema de saúde parece estar mais bem preparado para lidar com novos ciclos de infecção.

No Brasil, se não bastasse a pandemia, e parafraseando o Banco Central, “o mercado é apenas passageiro, o fiscal é o piloto”. Em linhas gerais, o mercado espera uma definição de qual caminho o país irá tomar no tocante as reformas econômicas, conforme escrevi em texto no mês de agosto (vide texto do mês anterior).

A despeito das incertezas e da expectativa de volatilidade, são nesses momentos que grandes oportunidades costumam surgir quando falamos de investimentos. No longo-prazo, sigo otimista que a sociedade conseguirá superar mais esses desafios.

Falar aqui que precisamos ter portfólios balanceados e uma seleção de fundos e gestores que tenha governança, transparência e diligência é cair no senso comum. Quem investe há muito tempo, ou trabalha com investimentos, sabe que essa é a lição número um de qualquer livro de finanças.

O grande desafio está na execução desta estratégia. É aqui onde conseguimos diferenciar um trabalho bem feito, diligente, profundo e eficiente.

O cenário que vislumbro para os próximos meses é um cenário de enormes desafios, mas onde grandes oportunidades também irão emergir. Neste ambiente, e em um Brasil de juros baixos, nunca foi tão importante uma análise holística do cenário econômico, uma acertada seleção de ativos e uma diligente seleção de fundos e gestores.

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