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Quando as enchentes afogam o futuro: um chamado aos investidores

Tragédia no Rio Grande do Sul é uma lição dolorosa sobre as consequências de negligenciar o meio ambiente

Por Ana Paula Hornos

18/05/2024 | 7:30 Atualização: 17/05/2024 | 14:01

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No RS, 70 mil estão em abrigos e meio milhão de pessoas desalojadas procuram refúgio. Foto: Fotos Públicas (Ricardo Stuckert / PR)
No RS, 70 mil estão em abrigos e meio milhão de pessoas desalojadas procuram refúgio. Foto: Fotos Públicas (Ricardo Stuckert / PR)

As enchentes sem precedentes no Rio Grande do Sul nos mostram uma dura realidade. Com centenas de cidades declarando calamidade e mais de dois milhões de pessoas afetadas direta ou indiretamente, a dimensão do desastre é imensa.

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Mais de 70 mil estão em abrigos e meio milhão de pessoas desalojadas procuram refúgio, enfrentando uma crise que não mostra sinais de trégua. Nesse contexto, o povo brasileiro se mobilizou numa das maiores movimentações de doações já registradas na história do País, ressaltando o caráter unido, colaborativo e solidário da nação.

Os recursos liberados pelo governo, embora necessários, são na verdade uma medida para compensar a falta de ações preventivas. Não há ainda sinais de reconstrução ou recuperação, com as chuvas contínuas agravando a situação. A reconstrução exigirá cerca de R$ 19 bilhões, mas, por agora, a prioridade é a sobrevivência e o atendimento das necessidades básicas dos afetados.

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O impacto psicológico é profundo, atingindo especialmente os jovens, que já enfrentaram os desafios da pandemia. O trauma de perder tudo e a incerteza sobre o futuro podem causar sérios problemas de saúde mental, como estresse pós-traumático e ansiedade.

O cenário no RS é um exemplo vivo de “solastalgia”, um termo cunhado pelo filósofo Glenn Albrecht para descrever a angústia causada por mudanças abruptas no ambiente natural. Pesquisas, como a publicada pela The Lancet em 2021, revelam um crescente desalento entre os jovens. Três em cada quatro enxergam um futuro sombrio, com muitos brasileiros questionando a responsabilidade coletiva sobre o cuidado com o planeta.

A crise atual é uma lição dolorosa sobre as consequências de negligenciar o meio ambiente. Não se trata apenas de danos econômicos imediatos. As repercussões são amplas, afetando todos os aspectos da vida.

Isso nos leva a questionar: como ainda há dúvidas sobre a importância de alinhar os objetivos financeiros com o cuidado ambiental? A incorporação dos pilares ESG (Environmental, Social, and Governance) nas práticas empresariais e nos critérios de investimento é essencial, não apenas para as empresas, mas também para as políticas públicas.

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O governo deve liderar pelo exemplo, promovendo investimentos que respeitem esses princípios, garantindo a sustentabilidade e a ética tanto no tratamento do meio ambiente quanto na governança e responsabilidade social.

Enquanto enfrentamos essas adversidades, é essencial refletir sobre nosso impacto e ação. A reconstrução não é só física, mas também uma reavaliação de como interagimos com nosso meio ambiente e uns com os outros. Neste momento, devemos fazer uma escolha crucial: continuar com decisões financeiras imediatas e autocentradas ou optar por decisões conscientes, duradouras e que considerem o bem-estar coletivo.

Agora é o momento de agir, não apenas para reconstruir, mas para repensar e revitalizar nossa relação com o mundo natural e com o dinheiro, assegurando um futuro sustentável e saudável para todos.

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