Historicamente, os halvings (processo no qual a taxa e as recompensas pela mineração do bitcoin são reduzidas pela metade) sempre foram seguidos por uma forte apreciação do Bitcoin no médio prazo, devido à redução na oferta de novos bitcoins em circulação, aliada ao aumento da demanda. Esta dinâmica de escassez aumentada tende a elevar o preço do ativo.
Tendências históricas e expectativas futuras
Analisando os eventos passados, o primeiro halving em novembro de 2012 resultou em um aumento de 100 vezes no preço do BTC em apenas um mês. O segundo, em julho de 2016, viu um aumento de 30 vezes em seis meses, e o terceiro, em maio de 2020, gerou um aumento de 8 vezes em doze meses.
Embora o halving de 2024 ainda não tenha mostrado um impacto imediato significativo, muitos especialistas acreditam que o efeito a longo prazo seguirá a tendência histórica de valorização. Com o Bitcoin mantendo-se acima de US$ 60 mil (R$ 337 mil), espera-se que, com o tempo, a escassez resultante do halving impulsione novos recordes de preço.
ETFs e catalisadores de crescimento
Além da dinâmica do halving, o Bitcoin deve se beneficiar do crescimento dos ETFs (Exchange Traded Fund). O lançamento de ETFs de Bitcoin à vista no início de 2024 deu um impulso significativo ao mercado, elevando o BTC a um novo recorde de quase US$ 73,700 em março.
Os efeitos desses ETFs ainda estão por vir, com potencial para influxos de até US$ 300 bilhões de investidores institucionais e individuais. Este influxo massivo de capital poderia elevar o preço do Bitcoin para entre US$ 120 mil e US$ 150 mil.
A aprovação dos ETFs de Ethereum pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) também impacta significativamente o setor de criptomoedas. Estes ETFs proporcionam uma maneira regulamentada e acessível para investidores institucionais se expor ao Ethereum, atraindo grande volume de capital e melhorando a liquidez e estabilidade do mercado. Espera-se que os fluxos de ETFs de Ether sejam menores que os de Bitcoin, mas ainda assim o influxo de capital poderá aumentar o valor de mercado do Ethereum e sua adoção entre investidores tradicionais.
Cenário macroeconômico e seus impactos
O cenário macroeconômico global, especialmente as decisões do Federal Reserve (Fed) sobre as taxas de juros nos Estados Unidos, têm tido um impacto significativo no mercado de criptomoedas. O Fed manteve as taxas de juros em 5,25%-5,50% em sua última reunião de julho de 2024, sinalizando que haverá cortes de juros somente em setembro. Essa postura visa obter maior confiança de que a inflação está se movendo de forma sustentável em direção à sua meta de 2%. As altas nas taxas de juros desde 2022 têm pressionado os preços das criptomoedas, encarecendo o custo de capital e reduzindo a atratividade de ativos de maior risco.
Apesar disso, a correlação entre as decisões do Fed e o desempenho das criptomoedas parece ter se enfraquecido nos últimos meses. Investidores estão cada vez mais tratando o Bitcoin como um “ouro digital” e hedge macroeconômico, o que tem reduzido a magnitude das quedas no mercado cripto em comparação a ciclos anteriores de alta de juros. No entanto, as condições macroeconômicas prevalentes, como tensões geopolíticas, altas de juros e inflação, devem continuar dominando a dinâmica do mercado de criptomoedas no segundo semestre de 2024.
O impacto do halving do Bitcoin ainda não se refletiu totalmente no preço, mas a história sugere uma valorização significativa nos próximos meses. A aprovação dos ETFs de Bitcoin e Ethereum, aliada a um cenário macroeconômico complexo, cria um ambiente desafiador e ao mesmo tempo cheio de oportunidades para o mercado de criptomoedas. Investidores devem monitorar de perto as decisões do Fed e a evolução da economia americana para ajustar suas estratégias. A combinação de escassez aumentada de Bitcoin, influxo de capital através de ETFs e a crescente adoção institucional posiciona o mercado de criptomoedas para um potencial de crescimento significativo no médio a longo prazo.