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Colunista

O golpe tá aí e eu vou te ensinar a não cair nele

Veja os principais tipos de golpes financeiros e como se proteger

Por Eduardo Mira

03/05/2021 | 7:28 Atualização: 03/05/2021 | 7:28

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Foto: Pixabay/Reprodução
Foto: Pixabay/Reprodução

A necessidade de isolamento social fez com que todos passassem a usar ainda mais a internet. Com essa alta migração para o universo digital, tivemos também um aumento significativo nos golpes financeiros via meios eletrônicos – alguns tipos cresceram mais de 300% em comparação ao último ano.

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Aproveitando que boa parte da população está on-line por mais tempo, criminosos usam a internet como ferramenta de captura de dados para fraudar contas. Por isso, é importante entender os golpes, que acontecem atualmente em duas categorias.

A primeira são as verdadeiras fraudes, onde sistemas de instituições financeiras são invadidos e os dados são roubados. Contra esses tipos de ataques, estamos um pouco mais protegidos, pois as organizações investem bilhões todos os anos em segurança. Porém, eles ainda são os que acontecem em menor volume relacionado aos que chamamos de engenharia social.

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A engenharia social são todos os golpes que não exigem violação dos sistemas. Eles são apenas pessoas físicas e mal intencionadas, se passando por funcionários de bancos em busca de dados pessoais para acessar sua conta como se fosse você.

Eu já fui gerente de banco, tive até certificação de combate à lavagem de dinheiro e isso me fez presenciar diversas fraudes em agências, incluindo ação policial onde eu trabalhava: neste dia um golpista foi preso. Por já ter visto muita coisa acontecer, hoje trouxe para vocês os principais golpes e algumas dicas para se prevenir deles.

Veja os principais tipos de golpes e como se proteger:

O golpe do falso motoboy

O golpe do falso motoboy é um clássico da engenharia social. Ele consiste em um infrator que, se passando por um funcionário de banco, liga em seu telefone e dfz que o seu cartão foi clonado e que por este motivo irá mandar um funcionário até sua casa para retirar o cartão e, com ele, a senha. Neste esquema, podemos acabar entregando a senha e o cartão nas mãos do fraudador.

Para se prevenir, assim como da maioria dos golpes de engenharia social, o que você precisa fazer é sempre confirmar informações diretamente com o atendimento oficial do banco, ou seja, se você receber algum tipo de comunicação vá até uma agência física, ligue para canal oficial, acesse o site e confirme com o atendimento se isso de fato é verdade.

O golpe do Whatsapp

Os golpes do WhatsApp são uma evolução dos golpes telefônicos. Talvez você já tenha recebido alguma ligação de alguém se passando por um parente ou conhecido e pedindo dinheiro. Esses golpes evoluíram e agora eles são feitos pelo WhatsApp. Eu mesmo já recebi várias mensagens de pessoas se passando por conhecidos meus e sempre pedindo uma transferência para uma necessidade urgente, com a promessa de devolver no dia seguinte.

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A solução para esse tipo de golpe é muito simples, basta ligar para a pessoa que está te pedindo dinheiro e confirmar se é mesmo ele e se aquilo é realmente verdade. Uma simples ligação telefônica ou mesmo chamada de vídeo é suficiente para resolver isso.

O golpe do extravio de cartão

Esse tipo, minha cunhada caiu na última semana passada e o Banco do Brasil ainda não resolveu. Ele envolve um pouco de fraude e um pouco de engenharia social, pois os fraudadores interceptam a remessa de cartões e entram em contato com o cliente para que ele entregue a sua senha e consigam desbloquear. Essa modalidade tem evoluído bastante. Com minha cunhada, por exemplo, não pediram para dizer a senha e sim para digitar, exatamente como faz o sistema do banco.

A forma de se prevenir desse golpe é, em hipótese alguma acreditar em ligações recebidas, somente para aquelas que você mesmo faz para os canais oficiais do banco.

O golpe do Phishing

É isso mesmo, o phishing significa pescaria e consiste na captura dos seus dados a partir de contatos enviados principalmente por e-mail. Esse golpe surgiu lá em 1996, quando ainda se praticavam esses roubos por contas do antigo AOL (América Online) e, até hoje, o método é bastante usado. Mas como funciona?

Os criminosos espalham e-mails se passando pelas instituições financeiras e solicitando principalmente a atualização de um cadastro. Nesse e-mail muito bem elaborado, sempre enviam um link malicioso. Quando clicado, dados são fornecidos aos criminosos e não ao banco. Esses links também podem ser enviados por SMS ou até WhatsApp.

O que você deve fazer é, de novo, nunca confiar na comunicação feita para você, apenas naquelas que você mesmo faz direcionada ao seu banco. Ou seja, quando você entrar no site, ligar para o banco ou for até uma agência. Se houver a necessidade de alguma atualização cadastral, ela estará disponível nos canais oficial e NUNCA será enviada por e-mail, SMS ou Whatsapp.

O golpe do PIX

O PIX foi lançado recentemente e revolucionou a maneira de transferir dinheiro, pois funciona 24 horas por dia e sete dias por semana. Ele é uma forma rápida e eficiente de transferência de recursos, mas não está livre dos golpes, que acontecem tão rápido quanto.

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Estes são muito parecidos com os golpes do WhatsApp, onde alguém se passa por algum conhecido ou parente e solicita a transferência de dinheiro.

A solução para esse golpe também é muito simples, basta uma ligação de vídeo ou mesmo de áudio para que você tenha certeza que quem está solicitando é de fato quem aparenta. Vamos combinar que ninguém vai te pedir dinheiro sem de fato falar de verdade com você. Uma simples mensagem não é motivo para que você empreste dinheiro a ninguém.

O golpe do Pirâmide Financeira

A pirâmide financeira é um dos golpes mais antigos e mais bem elaborados. Toda pirâmide financeira é caracterizada pelo lucro gerado pela entrada de novos participantes e nunca gerado de forma suficiente pela própria atividade da empresa. Bitcoin, criptomoedas ou qualquer coisa que tenha grande variação de preço desperta o interesse das pessoas. O problema é que elas acabam servindo como isca e pano de fundo para muitas empresas de fachada, disfarçadas de instituições financeiras legalizadas, prometendo ganhos astronômicos em curto espaço de tempo.

Essa é a primeira pista para que você consiga distinguir uma pirâmide de um serviço regular de investimentos: somente a renda fixa pode garantir rentabilidade e ela é baseada na taxa Selic, que hoje está em 2,75% ao ano. Por isso, se você receber alguma oferta de 2,3,5 ou 10% ao mês, desconfie, pois certamente é um golpe.

Se a promessa estiver ligada a renda variável, seja criptomoedas, Bitcoin, trade ou até mesmo ações e fundos imobiliários, tenha certeza que é uma fraude, pois tudo isso tem variação e ninguém pode prometer rentabilidade garantida em ativos de renda variável.

O golpe do falsa corretora e agente de investimento

Com a redução das taxas da renda fixa, se tornou natural a busca por melhor rentabilidade. A renda variável, portanto, foi a solução encontrada por muitas pessoas. Porém, junto aos novos investidores na bolsa de valores vieram os fraudadores, que se passam por entidades legais para oferecer serviços e produtos que não existem.

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São falsos agentes de investimento, falsas corretoras e falsos escritórios de assessoria que oferecem produtos e serviços que, no final das contas, são formas de você transferir o seu dinheiro para eles em troca de uma promessa que no fim só foi feita para sumirem com seu dinheiro.

A maneira para se proteger desse tipo de golpe é fazer apenas investimentos com instituições ou profissionais certificados e registrados no Banco Central, na CVM, ANBIMA ou na ANCORD. Assim, você garante que a instituição financeira que está lhe oferecendo o investimento, está de fato habilitada para isso. Se é um agente autônomo de investimento, ele deve estar registrado na ANCORD, que é o órgão responsável pelo credenciamento desses profissionais.

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