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Colunista

Renda fixa no mundo cripto? Sim, isso existe!

A renda fixa digital é uma alternativa para os investidores se manterem no universo cripto, mas com baixo risco

Por Fabrício Tota

05/08/2022 | 7:40 Atualização: 05/08/2022 | 17:33

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Criptomoedas podem ofertar renda fixa. Foto: Envato Elements
Criptomoedas podem ofertar renda fixa. Foto: Envato Elements

As taxas de juros vêm subindo no mundo todo para tentar controlar a inflação, que disparou com a quebra das cadeias produtivas a partir da pandemia de coronavírus e a guerra na Ucrânia.

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A elevação de preços atinge carros, roupas, produtos eletrônicos e alimentos. Embora a inflação dê alguns sinais de trégua, autoridades monetárias do mundo todo continuam aumentando os juros. Por aqui, o Banco Central já elevou a Selic de 2% em março de 2021 para 13,75% esta semana.

Em ciclos como esse, de juros e inflação altas, investidores costumam migrar da renda variável para a renda fixa, para garantir retornos maiores aplicando em ativos mais seguros. Veja os melhores investimentos em renda fixa com a Selic a 13,75%.

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Hoje em dia, isso inclui também uma saída dos criptoativos. Na cabeça do investidor, o cálculo é simples: por que correr riscos investindo em ações se a taxa básica da economia está em 13,75% ao ano, enquanto a expectativa do mercado para o IPCA em 2022 é de 7,15%, segundo o último relatório Focus do Banco Central?

Na história recente, durante a crise financeira de 2008, quando eu ainda trabalhava em corretora de valores, pude ver de perto essa corrida em busca da segurança e de retornos mais elevados. Assim, a bolsa brasileira amargurou um bom período no vermelho ou andando de lado. Na chamada bolha da internet no fim dos anos 1990 aconteceu a mesma coisa nos Estados Unidos.

No Brasil, a maioria desse fluxo acaba parando em fundos de renda fixa, que carregam uma carteira de títulos públicos ou privados, dependendo da estratégia. O Tesouro Direto também abocanha uma parcela importante desses recursos. Os CDBs oferecidos pelos bancos também recebem uma fatia considerável desse dinheiro à procura de um porto seguro – e rentabilidade atrativa.

E a história se repete, mas dessa vez com um tempero cripto. No meio desse inverno cripto – nome que se dá a esse período de baixa das principais criptomoedas do mercado – os investidores do segmento têm uma boa alternativa para se manterem dentro do universo cripto aplicando em um ativo de baixíssimo risco: a renda fixa digital.

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Esses são produtos que agregam vantagens do mundo tradicional àquelas dos ativos criados na blockchain. Ao mesmo tempo que pagam retornos previsíveis sobre o principal, como um título soberano ou privado, a renda fixa digital democratiza o acesso a produtos antes restritos a um grupo restrito de investidores.

A base de tudo isso é a tokenização. Ativos como fluxo de pagamento ou quotas de consórcio se transformam em tokens, que nada mais são que representações digitais de posse, de propriedade.

A primeira vantagem é que o custo desses produtos é muito inferior ao dos produtos tradicionais. Afinal, a blockchain traz por design a camada de governança criada no mundo das finanças tradicionais por mais de uma dezena de intermediários, como administradores, gestores, custodiantes etc. A segunda grande vantagem é que o valor de entrada é muito menor, de R$ 50, R$ 100, o que facilita a entrada de pessoas com poucos recursos ou aqueles que querem estudar primeiro esse mercado sem se arriscar muito.

O MB Tokens, empresa que faz parte do mesmo ecossistema do Mercado Bitcoin, vem criando diversos produtos nessa área para atender à crescente demanda de entusiastas cripto e também de investidores do mercado tradicional que veem em busca de boas oportunidades. Um dos tokens mais recentes é o MBFP11, de cessão de fluxo de pagamentos (o 11 não é por acaso, essa é a décima primeira emissão desse tipo de produto na casa).

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Na prática, um gestor compra com desconto créditos que comerciantes têm a receber no futuro. Com isso, o comerciante recebe hoje, enquanto o gestor forma uma carteira de recebíveis. Em um determinado momento, o gestor opta por tokenizar esse fluxo, criando representações digitais de um ativo real. No caso do MBFP11, a rentabilidade estimada é equivalente a 18% ao ano, significativamente acima da Selic. Um tiro curto, de aproximadamente 100 dias, e o token é liquidado na conta do cliente.

Já no ramo de consórcio, alguns clientes querem vender as quotas que pagaram porque não precisam mais do bem ou por ter alguma dificuldade financeira. Da mesma forma que nos outros produtos, o gestor compra essas quotas com desconto para montar uma carteira com um fluxo previsível de pagamento. Em determinado momento, opta por tokenizar parte dessas cotas. Desde 2020, já foram lançados 9 tokens de consórcio dentro do ecossistema do Mercado Bitcoins, que possuem um retorno médio de 18% ao ano.

Mas assim como o comerciante ou o consorciado, o investidor em tokens de renda fixa também pode ter um problema de liquidez: outra oportunidade de investimento, desemprego, boletos – sempre eles – atrasados, ou até mesmo uma oportunidade dentro do próprio universo cripto (esse inverno não vai durar pra sempre, creiam). Num fundo, é preciso fazer o resgate, que nem sempre é imediato. Gestoras que oferecem produtos vagamente semelhantes pedem pelo menos 20 dias. Úteis. No caso dos tokens, basta negociá-los no mercado secundário, dentro da própria exchange. E seguindo o mesmo espírito cripto: liquidação imediata, dinheiro disponível na hora para fazer um PIX ou comprar Bitcoins.

Evidentemente que o sucesso desses produtos depende diretamente da qualidade do ativo que será tokenizado. Por isso a importância de contar com alguém que já fez mais de 30 emissões de tokens lastreados, que vão além dos dois casos citados: também construímos ativos digitais relacionados ao mercado imobiliário, legal claims, mercado do futebol. Mas esses são temas para outra coluna.

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O que importante é entender que apesar do inverno cripto, existem inúmeras oportunidades de investimento nesse segmento. Cripto e blockchain são, sobretudo, a nova fronteira quando falamos de infraestrutura de mercado.

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