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Colunista

Um ano da queda da FTX: o que aprendemos desde então?

No Brasil, o caso da empresa acelerou o passo rumo a uma legislação mais estruturada para o espaço cripto

Por Fabrício Tota

10/11/2023 | 17:18 Atualização: 10/11/2023 | 17:18

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Empresa passou por crise de liquidez e pediu falência em novembro do ano passado. (Foto: Reuters)
Empresa passou por crise de liquidez e pediu falência em novembro do ano passado. (Foto: Reuters)

A queda da FTX ressoou pelo universo das criptomoedas como um grande grito de urgência e o reflexo em diferentes partes do planeta tem sido notavelmente distinto.

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No epicentro do terremoto regulatório estão os Estados Unidos, onde o evento atuou como um catalisador para uma introspecção mais profunda no setor de criptoativos. As autoridades americanas, conhecidas por sua abordagem meticulosa e às vezes pesada, parecem ter uma visão bastante negativa do setor no momento. A quebra do SVB, indiretamente relacionada ao mundo cripto, foi mais um evento que trouxe elementos negativos para o setor. Ainda assim, uma iminente aprovação de um ETF pode ser o momento da virada desse panorama.

No outro extremo do espectro regulatório, surpreendentemente, encontramos o Brasil onde as repercussões do desastre da FTX, sem dúvida alguma, aceleraram o passo rumo a uma legislação mais estruturada para o espaço cripto.

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O movimento no Brasil parece refletir uma certa vontade em estabelecer diretrizes claras e uma infraestrutura regulatória que possa não apenas prevenir tais colapsos, priorizando a proteção do consumidor e a transparência do mercado, mas também servir como catalisador para o desenvolvimento dessa indústria.

Esse contraste não apenas sublinha a variedade de respostas regulatórias ao redor do mundo, mas levanta questões sobre a sustentabilidade de modelos de negócios que se expandem rapidamente no ambiente digital, muitas vezes sem o acompanhamento regulatório proporcional.

A CPI das Pirâmides Financeiras, ainda que sem ter o foco exclusivo em cripto, terminou por sugerir o indiciamento de executivos de uma empresa que não é exatamente um exemplo de adequação a ambientes mais robustos do ponto de vista regulatório, o que dá o tom sobre onde a barra regulatória deve ser colocada pelo Banco Central, ente responsável por escrever as regras desse mercado.

Muitas vezes, essas plataformas crescem a um ritmo vertiginoso, expandindo suas operações globalmente sem uma aderência consistente a um conjunto uniforme de normas regulatórias. Isso pode criar um cenário no qual a busca pelo lucro e expansão sobrepuja a devida diligência e a proteção ao consumidor. O risco que isso apresenta tornou-se cristalino com o episódio da FTX e, agora, há uma conscientização crescente de que tais modelos podem não ser tão robustos ou confiáveis quanto sua rápida ascensão poderia sugerir. A presença de uma figura emblemática, tal como Sam Bankman-Fried, o fundador e CEO da FTX, é apenas mais um elemento do storytelling que cria esses mitos.

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Aliás, Sam Bankman-Fried encarou seu julgamento em outubro e foi considerado culpado em todas as sete acusações, entre elas fraude e lavagem de dinheiro. A história pregressa de Sam foi contada em um livro, do celebrado autor Michael Lewis, lançado também no último mês de outubro. Ainda que possa ser um retrato interessante da estranha personalidade de Sam, o livro ‘Going Infinite – The Rise and Fall of a New Tycoon’ falha em mostrar o lado mais perverso da história: um profundo desprezo por qualquer tipo de formalidade, de forma intencional, tudo isso emoldurado pela ideia de que coisas importantes estavam sendo construídas, e não havia tempo para bobagens – como um mínimo de estrutura organizacional da própria companhia.

A realidade é que a falta de um framework regulatório harmonizado globalmente oferece um terreno fértil para que práticas questionáveis floresçam, com entidades operando em um vácuo de supervisão, o que pode, eventualmente, resultar em crises de confiança e de liquidez. O que o caso FTX ilustra é que, em um ambiente tão volátil, os usuários e investidores podem ser os mais prejudicados, pois se encontram na linha de frente das consequências de quaisquer falhas sistêmicas ou de governança. As perdas enfrentadas para os usuários da plataforma foram bilionárias, incluindo nesse rol um número significativo de clientes brasileiros, inclusive institucionais como fundos de investimento e gestoras de recursos.

Olhando para frente, a lição está clara: um equilíbrio deve ser encontrado entre inovação e regulamentação. Os eventos que se desenrolaram em torno da FTX não apenas acenderam os holofotes sobre as fragilidades de determinadas entidades de mercado, mas também mostraram que uma supervisão mais eficaz é indispensável.

Enquanto algumas plataformas podem atualmente escapar das malhas mais apertadas da regulamentação, há uma crescente conscientização de que o destino delas pode ser incerto se continuarem a operar à margem das práticas de mercado estabelecidas e esperadas tanto em termos de integridade operacional quanto de responsabilidade financeira.

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