Na prática, diversos fundos vêm entregando resultados em torno de 20% ao ano, dependendo da qualidade do lastro, da modelagem e do perfil de risco das operações, algo que os coloca com vantagem sobre grande parte das alternativas tradicionais do mercado.
O ponto de partida está no próprio sistema de crédito. Bancos ficaram mais seletivos, empresas continuam precisando de capital e o spread segue pressionado pela incerteza fiscal. Nesse vácuo, os FIDCs amadureceram. O que antes era um mercado visto como técnico e restrito virou um instrumento com governança mais rígida, operações mais bem estruturadas e originação mais profissional. Não é coincidência que o setor tenha atraído novos players justamente quando o crédito tradicional perdeu capacidade de atender a economia real.
Outro fator decisivo para 2026 é a mudança regulatória. O Banco Central passou a autorizar novas instituições a operarem como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI). Isso reorganiza o jogo. A entrada de instituições reguladas pelo Banco Central aumenta o padrão de supervisão, reduz assimetria de informação e eleva a qualidade das carteiras que chegam aos fundos. Quanto mais regulado o ambiente, menor o desvio operacional e maior a previsibilidade dos fluxos.
A combinação de mercado mais maduro e regulação mais dura gera um efeito imediato: retorno alto com risco controlado. Isso coloca o FIDC em uma categoria rara no Brasil, a dos ativos que não dependem do humor político para entregar resultado. Eles dependem da qualidade do lastro, da disciplina, da estrutura e da competência da gestora. Em um ano eleitoral, essa independência vale mais do que qualquer projeção macroeconômica otimista.
Outro ponto costuma passar despercebido: os FIDCs capturam a realidade diária da economia. Recebíveis de empresas, financiamentos, carteiras pulverizadas, setores que não param porque o calendário político muda. É dinheiro que circula independentemente de Brasília. É exatamente esse vínculo com a economia real que explica por que esses fundos podem entregar retornos robustos mesmo quando outros investimentos ficam presos à volatilidade do ciclo.
A disputa entre os ativos para 2026 não será sobre quem promete mais, mas sobre quem depende menos de condições externas para funcionar. No cenário atual, FIDC é um dos poucos produtos que atendem a esse critério. Ele não precisa de Selic a 20%, nem de bolsa a 200 mil pontos, nem de câmbio estável para entregar performance. Precisa apenas de estrutura, gestão e disciplina. E hoje o mercado oferece as três.
Enquanto boa parte dos investimentos ainda reage ao que o governo faz, o FIDC já responde ao que o mercado precisa.