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Colunista

Selic em 2% prova que não correr risco é muito arriscado

Investidor precisa tomar uma atitude com o juro básico da economia no piso histórico

Por Fabrizio Gueratto

15/12/2020 | 8:08 Atualização: 15/12/2020 | 8:08

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(Foto: Evanto Elements)
(Foto: Evanto Elements)

É por isso que o número de investidores na B3 quase dobrou em um ano. Ao longo da trajetória da pandemia causada pelo novo coronavírus (covid-19), além dos vastos prejuízos ocasionados, o investidor entendeu que grandes oportunidades apareceram. Entretanto, para muitos endividados, foi neste momento de caos que nos deparamos com a nossa própria deficiência e percebemos o prejuízo que a falta de planejamento financeiro provoca.

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Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central se reuniu para determinar em que valor a Taxa Selic seria mantido. Ao final da reunião, foi decidido que ela permaneceria em 2% ao ano. A decisão acendeu uma luz vermelha nos investidores que ainda tinham todo o patrimônio investido em renda fixa, categoria de ativos que são diretamente afetados pela manutenção do índice.

Hoje, a poupança rende em média 1,40% ao ano (percentual correspondente à 70% da Taxa Selic). Quando atrelamos tal valor à projeção do IPCA, vemos que o dinheiro da poupança está rendendo menos do que o percentual que sobem os produtos e serviços. Isso significa que seu dinheiro está perdendo valor.

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Para melhor ilustrar a situação, utilizarei um exemplo concreto. Há 5 anos atrás, Carolina destinou R$ 1 mil à poupança. Nesta época, o quilo do arroz era comercializado por R$ 10,00. O tempo passou e, em dezembro deste ano, o valor na poupança de Carolina alcançou aproximadamente R$ 1,034 mil. Enquanto isso, a inflação agiu sobre os preços do arroz e elevou o valor do quilo à R$ 10,25.

Percebemos, então, que o valor investido por Carolina avançou 3,4%, enquanto o preço do arroz subiu 2,5%. Por esta perspectiva, o lucro de Carolina seria de somente 0,9% em um ano quando comparado ao acréscimo no preço do arroz. Isto é a inflação e o lucro que sobra chamamos de ganho real. Este cenário se mostra ainda mais discrepante quando avaliado sob a perspectiva do avanço geral no valor dos produtos de inúmeros setores.

Em 2021, é projetado que o IPCA chegue a, aproximadamente, 3,40% a.a ao ano enquanto o CDI rende 1,9% a.a. Isso significa que não é mais o momento de se ater a zona de conforto, afinal, com a inflação comendo a rentabilidade que você imaginava ser vantajosa, a renda variável deixa de ser uma simples opção.

Além disso, alguns fundos de renda fixa também se mostram pouco rentáveis, principalmente quando analisados juntamente às taxas de administração altas que alguns bancos cobram. Outro ponto importante são os investimentos que rendem o famoso 100% do CDI, como a NuConta do Nubank, alguns CDBs, LCIs ou LCAs. Não é mais questão de ganhar pouco. O fato é que alguns investimentos deixam você mais pobre.

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Não estou dizendo que você deve converter todos os seus recursos em renda variável. A renda fixa deve agir como o porto seguro de seus investimentos, um local em que o patrimônio esteja protegido, principalmente se tratando de reserva de emergência e de oportunidade. Porém, todo investidor deve entender que, não correr risco é a coisa mais arriscada que pode ser feita.

Confira este texto meu sobre a renda fixa em queda.

E assista ao vídeo sobre a explicação da Selic em 2%:

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