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Fundos globais para todos: mais esperados do que férias na Disney

Diversificação global não deveria ser vista como risco. Ter todos os ovos na cesta brasileira pra mim é que é

Por Luciana Seabra

12/01/2022 | 7:49 Atualização: 12/01/2022 | 7:49

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Festa de Halloween no parque Magic 
Kingdom da Disney em Orlando, em outubro de 2012 (Foto: Monica Nobrega/ AE)
Festa de Halloween no parque Magic Kingdom da Disney em Orlando, em outubro de 2012 (Foto: Monica Nobrega/ AE)

Em terras tupiniquins dos investimentos, o novo ano vem com uma ansiedade forte sobre uma mudança regulatória: a autorização para qualquer pessoa poder investir nos melhores gestores de fundos do mundo todo.

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Já vejo daqui a alguns anos as crianças perguntando: “Mas, mãe, em 2021 tinha que ser milionário pra investir fora?”. E ela dizendo: “Sim, pra muitos produtos, sim”. E a criança voltando: “Nossa, que estranho.” – com uma expressão digna da minha sobrinha, chocada com o fato de a minha máquina de escrever antiga imprimir em tempo real…

Sendo justa, houve avanços recentemente. Desde o fim de 2020, os BDRs (Brazilian Depositary Receipts), até então restritos a investidores milionários, foram liberados para o público em geral.

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Os BDRs são recibos de empresas estrangeiras negociados na Bolsa brasileira – uma forma de investir em companhias globais muito conhecidas nossas, como Airbnb, Amazon e Apple, no mesmo home broker em que você encontra as locais.

Mas foi aí que os gestores globais, interessados em adentrar no pujante mercado brasileiro de fundos, protestaram mesmo. E devo dizer: com razão, na minha humilde opinião.

Uma pessoa leiga pode selecionar seus próprios BDRs e montar uma carteira, mas não pode investir em um fundo composto por ações escolhidas por um investidor profissional com longa experiência no mercado global?

Pois é assim que funciona até hoje. Pela regulação atual, fundos que investem mais de 67% de seu patrimônio no exterior são restritos a qualificados, aqueles que declaram mais de R$ 1 milhão em investimentos financeiros. Se o fundo tem liberdade pra investir de 0 a 100% fora e não segue alguns pré-requisitos de estrutura, então é restrito a profissionais, os que atestam mais de R$ 10 milhões em investimentos.

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Diversificação global – ainda mais com o apoio de gestores profissionais – não deveria ser vista por si só como risco. Ter todos os ovos na cesta brasileira pra mim é o verdadeiro risco.

Até entendo que a exposição ao dólar, muitas vezes embutida nesses fundos, se exagerada, pode impor uma volatilidade adicional à carteira. A relação dólar/real sacode bastante – tanto que gestores de multimercados com frequência preferem se expor ao dólar contra uma cesta de moedas.

Por outro lado, comprar todo seu dinheiro em ações brasileiras também traz alta volatilidade – e não há qualquer vedação regulatória a isso. Acredito que está na orientação financeira de qualidade, felizmente crescente no Brasil, a saída para tal risco.

A proibição é um entrave à diversificação, tão positiva para quem investe. E 2021 foi um grande exemplo disso, com o dólar e a bolsa norte-americana defendendo prejuízos de muitos portfólios.

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A boa notícia é que a Instrução 555 da CVM, que regula o mercado de fundos, está em revisão neste momento. E uma das novidades que é esperada dela é uma maior democratização dos fundos globais, em especial esses que investem no mínimo 67% fora e seguem algumas regras impostas pelo regulador.

Hoje a maior parte dos gestores globais que instalaram escritórios no Brasil montaram produtos nesse formato. Ou seja, o fim da restrição para qualificados faria crescer de forma expressiva imediatamente o cardápio local.

Eu mesma tive a oportunidade de perguntar para o presidente da CVM, no summit da Anbima, para quando poderíamos esperar a nova regulação de fundos (em que há grande expectativa sobre novidades em fundos globais). Ele respondeu que esperava que fosse possível para o primeiro semestre deste ano, de preferência para a primeira metade dele.

Estamos aqui na expectativa. E na torcida.

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