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Colunista

Fundos multimercados: você virou abóbora?

Fluxo tem a ver com a volta dos confortáveis juros de dois dígitos e com o receio de um ano eleitoral

Por Luciana Seabra

06/04/2022 | 7:17 Atualização: 06/04/2022 | 10:42

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Sobre os multimercados, muito se disseminou a ideia de que seria impossível bater o novo CDI de dois dígitos. (Foto: Olivier Le Moal/Shutterstock)
Sobre os multimercados, muito se disseminou a ideia de que seria impossível bater o novo CDI de dois dígitos. (Foto: Olivier Le Moal/Shutterstock)

Enquanto morei com meus pais, tinha horário limite pra chegar em casa. Por muito tempo foi meia-noite, a verdadeira Cinderela (mais tarde ganhei um salvo-conduto até 3h da manhã). Nem um minuto a mais. Isso significa que passei a maior parte da minha vida sabendo do melhor da festa pelos relatos do dia seguinte – sempre distorcidos, claro.

Leia mais:
  • Investidores retiram R$ 42 bilhões de fundos multimercados
  • A rentabilidade dos fundos de previdência vale a pena ser acompanhada?
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Deveria ser essa sensação, de ter perdido o melhor da festa, a das pessoas que sacaram R$ 39 bilhões só neste ano dos fundos multimercados. Sim, eu disse bilhões. O dado é da Anbima, associação que representa o mercado.

O que tenho ouvido de muitos investidores pessoas físicas desde o começo do ano – infelizmente muitas vezes orientados por quem os atende – traz sinais sobre a motivação do movimento. Em geral o fluxo tem a ver com a volta dos confortáveis juros de dois dígitos e com o receio de um ano eleitoral, somado a conflitos externos e toda a volatilidade decorrente.

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Sobre os multimercados em especial, muito se disseminou a ideia de que seria impossível bater o novo CDI de dois dígitos – como se esse tipo de fundo fosse uma inovação de tempos de juros baixos.

Pois bem. Vejo somente no primeiro trimestre SPX Nimitz com ganho de 13%, Legacy com 11%, Ibiuna com 9%, Verde e Kapitalo com 7%, apenas para citar alguns nomes conhecidos (tudo, claro, já descontado de taxas). O CDI do período, bom lembrar, foi um pouco acima de 2%.

Não gosto de citar médias, porque o retorno médio é ruim mesmo a maior parte do tempo. Por definição, como em qualquer profissão, gestores são na média medianos – parece redundante dizer isso, mas sempre importante reforçar considerando que todos os dias alguém tenta provar que não vale a pena investir em fundos com base em estudos sobre médias.

Dito isso, até na média teria valido a pena seguir na festa. O IHFA, Índice de Hedge Funds da Anbima, que não é exatamente uma média, mas reúne 297 fundos representativos do segmento, rende 6% no ano – de novo, muito acima do CDI.

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A fonte dos ganhos está em posições que dificilmente as pessoas fariam como pessoa física, dada sua complexidade. Apenas para citar três recorrentes nas carteiras: inflação, alta de juros em diferentes países e commodities.

Ou seja, aqui cai por terra outra crítica comum aos multimercados: de que é melhor você montar seu próprio multimercados, mesclando Tesouro Direto com Bolsa.

Eu, pelo contrário, vejo multimercados como o único caminho possível para sofisticar o portfólio de pessoas físicas. Felizmente, isso é cada vez mais possível, com excelentes fundos sendo encontrados em bancos e corretoras com tíquete mínimo a partir de R$ 500.

O que fazer agora? Chorar sobre a festa derramada? Talvez um pouco, porque isso educa.

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Eu mesma tive minha primeira frustração com multimercados resgatando valores depois de um ano ruim do Gávea – e assistindo de fora ao melhor ano da história do fundo, que veio na sequência. Por sinal, o fundo de Armínio Fraga também entrega mais que o dobro do CDI neste ano.

Mas, depois de chorar, adapte sua forma de investir. Caso tenha se convencido de que multimercados são uma boa estratégia para diversificar seu portfólio, monte uma carteira com pelo menos três produtos de equipes que trabalham juntas há bastante tempo e carregue por um horizonte de pelo menos três anos. De preferência, por mais tempo ainda.

A melhor forma de curtir a festa é seguir nela. Simples assim.

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