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Colunista

O que pode frear a alta do mercado brasileiro?

Setembro começa sob perspectiva de realização de lucros na Bolsa diante das incertezas atuais; confira a análise

Por Marco Saravalle

03/09/2024 | 15:23 Atualização: 03/09/2024 | 15:23

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(Foto: joyfotoliakid em Adobe Stock)
(Foto: joyfotoliakid em Adobe Stock)

O Brasil vive um daqueles momentos de difícil análise macroeconômica. De um lado, dados de atividade surpreendendo o mercado positivamente, do outro, a situação fiscal do País continua ruim e as expectativas inflacionárias vão piorando.

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No aspecto positivo, o mercado de trabalho se mostra aquecido. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego encerrou o trimestre de maior a julho em 6,8%. A produção industrial cresceu 4,1% em junho e o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) – considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) – subiu 1,4% no mesmo período. Ambos os indicadores vieram bem acima das expectativas.

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Esses dados, juntamente com lucros das empresas acima do consenso de mercado, ajudaram a explicar a alta da Bolsa brasileira em agosto. A alta poderia ser maior se houvesse perspectiva de redução do déficit público brasileiro.

Apesar do recorde de arrecadação para o mês de julho (R$ 231 bilhões), explicado pela recuperação da economia e aumento de tributos – offshores (fora do País) e fundos exclusivos –, o gasto segue crescente. De acordo com o Banco Central, o déficit primário chegou a R$ 21,4 bilhões em julho, bem pior que as expectativas de mercado (R$ 4 bilhões). A dívida pública em relação ao PIB passou de 77,8% em junho para 78,5% em julho.

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A deterioração fiscal tem contribuído para piorar as expectativas inflacionárias. Não à toa, a taxa pré para o vencimento de janeiro de 2029 segue bem elevada.

Dólar e juros

Não só o mercado de juros piorou. A moeda americana também segue em alta, mesmo com a quase certa a redução de juros nos Estados Unidos (corte de 0,25 ponto porcentual) e as intervenções do Banco Central (BC) do Brasil para conter a escalada do dólar.

Com a taxa pré elevada no País, a curva de juros fechando nos EUA e o fluxo positivo na balança de pagamentos (conta financeira maior que o déficit em transação corrente), era para o dólar cair, e não contrário.

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O dólar pode continuar subindo se os indicadores de atividade econômica nos EUA vierem acima do esperado. Nesse caso, o mercado financeiro precificaria cortes mais amenos na taxa de juros americana, estancando o fluxo para países emergentes.

Em parte, este movimento já aconteceu com a prévia do PIB americano do segundo trimestre de 2024 acima do esperado (3,0% contra 2,8% na taxa anualizada). A boa notícia é que a inflação segue desacelerando nos EUA: o núcleo do PCE no acumulado dos 12 meses ficou em 2,6%, contra consenso de 2,7%.

Por ora, o Federal reserve (Fed, o banco central americano) tem sido bem sucedido em controlar a inflação, sem grandes prejuízos à atividade econômica. O cenário de “pouso suave” vai se concretizando. Com isso, o S&P500 bateu nova máxima histórica.

Recordes das bolsas

Em suma, a bolsa americana e o Ibovespa bateram recordes históricos. No entanto, há fatores de risco na mesa. Nos EUA, a resiliência da economia americana pode significar cortes mais brandos dos juros do país. No Brasil, o risco também é de elevação das taxas – seja pela piora das expectativas inflacionárias, seja pela questão fiscal.

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Outro fator de incerteza será a repercussão internacional do banimento do X (ex-Twitter) no Brasil. Como os investidores lá fora irão digerir a suspensão da rede no País?

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Diante de incertezas, entramos em setembro aguardando alguma realização de lucros, mas que não deve alterar a dinâmica positiva da atividade econômica e dos mercados. Que venham novos recordes.

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