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O olhar do mercado internacional

Thiago de Aragão é diretor de estratégia da Arko Advice e assessora diretamente dezenas de fundos estrangeiros sobre investimentos no Brasil e Argentina. Sociólogo, mestre em Relações Internacionais pela SAIS Johns Hopkins University e Pesquisador Sênior do Center Strategic and International Studies de Washington DC, Thiago vive entre Washington DC, Nova York e Brasilia.
Twitter: @ThiagoGdeAragao

Escreve às sextas-feiras, a cada 15 dias

Thiago de Aragão

As opções do governo chinês com o colapso da Evergrande

Pequim monitora a situação de perto e sabe quais são os riscos de curto e médio prazo

Fachada de edifício construído pela Evergrande, em Luoyang, China. Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
  • A Evergrande possui uma dívida de aproximadamente US$ 300 bilhões. O valor das ações da empresa, na Bolsa de Hong Kong, despencou aos níveis mais baixos desde 2010
  • O governo da China preferiu não atuar tão efetivamente para proteger a empresa, e, dessa forma, enviar um recado enviesado a outras que sofrem por causa de gestões temerárias

A crise de liquidez da Evergrande não é uma novidade para o governo chinês. Estão monitorando a situação de perto há alguns meses e sabem quais são os riscos de curto e médio prazo.

Alguns pontos merecem uma atenção especial quando analisamos os riscos que podem surgir a partir da crise em uma das maiores empresas chinesas. O governo não está preocupado em salvar a companhia. Isso pode vir a acontecer, mas não é sua prioridade.

O foco principal das autoridade é proteger todo o setor. Como já tinha conhecimento e monitorava a crise há alguns meses, o governo da China preferiu não atuar tão efetivamente para proteger a empresa, e, dessa forma, enviar um recado enviesado a outras que sofrem por causa de gestões temerárias.

A Evergrande possui uma dívida de aproximadamente US$ 300 bilhões. O valor das ações da empresa, na Bolsa de Hong Kong, despencou aos níveis mais baixos desde 2010.

Pequim sabia que atuando rapidamente para salvar a Evergrande poderia estimular a continuação de gestões negativas, como a que vem ocorrendo no grande império empresarial chinês. O governo criticou fortemente a forma como alguns executivos da empresa atuaram nos últimos meses.

Deixar a Evergrande definhar, portanto, pode parecer como algo surpreendente dentro do que estamos acostumados a ver vindo da China. Mas isso não quer dizer que o setor de construção civil e real estate seria abandonado pelo governo, muito pelo contrário.

Os setores de construção civil e imobiliário representam 25% da economia chinesa. Eles foram o motor de crescimento interno durante décadas. O crescimento da classe média chinesa e o aumento na prosperidade desse grupo fez com que o mercado imobiliário se tornasse um preferido da classe média para investimentos de longo prazo.

Com o boom do setor de tecnologia, software e aplicativos, ao mesmo tempo em que o governo busca valorizar e robustecer as bolsas de Xangai (SSE e SSM), Pequim e Hong Kong, uma parcela importante da nova classe média passou a investir com mais afinco no mercado de ações do que no setor imobiliário.

Essa não foi a principal razão, mas gerou um impacto importante na crise de liquidez da Evergrande quando o processo de construção seguia a todo o vapor, mesmo com uma quantidade enorme de prédios vazios à espera de compradores.

Ainda é cedo para afirmar que se trata de uma bolha. No entanto, bolhas tendem a ser movimentos orgânicos, gerados em mercados relativamente independentes.

A China, e sua capacidade de intervenção, possui o poder de estourar bolhas em seu início, redirecionar o foco de crescimento econômico em determinadas regiões e áreas e frear ou acelerar o consumo interno. Com a chegada do yuan digital, o governo chinês terá ainda mais condições de modular o ritmo e o direcionamento dos gastos da classe média (estímulos para gastar em X e não em Y ou vantagens tributárias para gastar X dentro de um prazo Y, por exemplo).

O futuro da Evergrande ainda é muito incerto. A empresa pode, eventualmente, ser salva pelo governo de Pequim. Isso acarretaria uma mudança estrutural onde o controle estatal aumentaria consideravelmente.

A empresa também pode acabar sendo “estatizada” ou até se esfacelando em outras empresas menores. O fato de não ser uma companhia “nível A” – nas principais carteiras de fundos e bancos ocidentais – diminui o risco de que sua quebra geraria um efeito dominó no Ocidente.

Para um governo onde a percepção externa de sua economia é um dos pilares da manutenção do “sonho chinês”, o momento exige uma atuação cirúrgica: concentrar a percepção do problema na empresa e não no setor, enfatizar os danos que a empresa gerou para o segmento e, consequentemente, mudar as regras do jogo para que a concentração de poder e influência não fique nas mãos de empresários.

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