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Colunista

Estamos diante do fim da Petrobras?

Mudanças fizeram Petrobras negativar 10% no ano

Por Vitor Miziara

28/06/2022 | 7:45 Atualização: 28/06/2022 | 13:01

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(Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
(Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Cinco presidentes em pouco mais de um ano e meio! Esse é o retrato da Petrobras que volta ao cenário político depois de alguns anos tranquilos e da impressão de que a interferência política na empresa poderia ter ficado para trás.

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Não vou me estender explicando quem foram e quem é o atual presidente da Petrobras porque isso tem a rodo na internet e porque as mudanças estão acontecendo de forma tão rápida na empresa que esse artigo poderia durar menos do que a passagem do último presidente que não completou três meses.

A situação atual da Petrobras teve início em fevereiro de 2021 quando o mercado mundial começava a se levantar da pandemia e a economia dava sinais de recuperação em “V” – ou seja, uma alta tão rápida quanto foi a queda. Quando falamos em economia necessariamente estamos falando em energia, o básico para tudo que temos hoje. E apesar do avanço do ESG (sigla para governança ambiental, social e corporativa, em inglês), o petróleo ainda é o centro de tudo.

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Quem poderia imaginar que o barril de petróleo que chegou a custar -US$15,00 (negativo mesmo por conta do custo de frete e estocagem) chegaria a subir para mais de US$120 em apenas um ano!? O resultado todos sabemos: inflação mundial.

A grande vitória da Petrobras, que hoje é alvo em palanques políticos, foi a adoção da “Política de Paridade Internacional” em 2016 no governo Temer, que deu à empresa a liberdade de praticar preços internos de acordo com o do cenário internacional. Nada mais justo para uma empresa que aquilo que ela vende internamente tenha alguma comparação com o mercado internacional, certo?

Temos que entender e lembrar sempre que a Petrobras é uma empresa público-privada, ou seja, tem a União como majoritária, mas também tem outros investidores privados, que investem na empresa em busca de lucros e que colocaram dinheiro na estatal quando ela precisou para planos de investimentos como, por exemplo, na época do pré-sal.

De 2016 para cá a empresa melhorou a relação de dívida, melhorou a gestão interna e, consequentemente, todos seus resultados. Somente no início desse ano a empresa distribuiu mais de R$31 bilhões à União em forma de dividendos, fora o que o governo já arrecadou com impostos sobre lucro e outros. Não me parece nada ruim certo?

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A questão é que a inflação disparou no mundo todo e, claro, também no Brasil. Hoje um dos maiores “custos” dessa inflação são custos de combustíveis – gasolina e diesel. A culpa do aumento é da Petrobras que segue o mercado internacional? Não! O alto custo de combustíveis é culpa do governo? Também não! O petróleo no mundo está mais caro, há falta de gasolina e diesel por conta de mais demanda do que as refinarias conseguem refinar e a conta chegou para todos, do Brasil aos Estados Unidos, que também estão sofrendo com aumentos de preços em combustíveis.

A diferença entre o atual cenário dos norte-americanos e dos brasileiros é que aqui temos uma única grande empresa que ao mesmo tempo é pública e privada – então, há uma pressão popular em relação aos preços praticados pela companhia, como se fosse obrigação da Petrobras se importar ou controlar a inflação do País.

O fim da Petrobras como conhecemos hoje se dará porque daqui pra frente a empresa não será mais a mesma e isso é fato.

Entre os cenários mais prováveis está o fim da paridade internacional de preços. É visível a mudança do governo na troca do comando da empresa, nos membros do Conselho Administrativo e até no Ministério de Minas e Energia. Tudo para que todos os membros atuais estejam alinhados para o fim da paridade. Ruim para empresa por pressão, interferência política e também pelos resultados operacionais, já que se o petróleo continuar subindo ela não poderá elevar os preços.

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Mesmo supondo que o governo não consiga acabar com a fórmula de paridade internacional, o estrago já foi feito! A constante troca de comando na estatal mostrou que o governo ainda interfere na empresa de forma à alinhar com seus interesses macro econômicos ou palanque político.

O impacto é visível nas ações que estavam em alta de quase 40% no ano e agora estão com uma performance pouco abaixo de 20% considerando fechamento de sexta-feira, dia 24/06.

Alguns ainda falam na possível privatização da Petrobras no próximo mandato do governo atual se reeleito. Esse cenário é o mais difícil na minha visão se a gente comparar com o processo de privatização da Eletrobras que demorou quase 6 anos para ser concluído e não tem 1/3 do tamanho da Petrobrás.

Quer usar a empresa para segurar inflação ou controlar preços artificialmente? Não tem problema, mas então que o governo recompre as ações que estão no mercado e torne a empresa 100% pública, assim não prejudica os investidores que aportaram dinheiro todas as vezes em que a empresa precisou.

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A empresa pode continuar dando lucro e performando bem mesmo com o fim da paridade internacional? Sim! Mas o estrago está feito! Depois de 6 anos podemos lembrar que a empresa é do governo e sofrerá interferência sempre que o governo, não importa a ideologia, quiser usar a “público-privada” (não só Estatal para ficar claro), como ferramenta de economia/política.

Canso de ver analistas comentando sobre o desconto que há nas ações da Petrobras quando comparadas a outras petrolíferas. Acho que o texto deixa claro o que o mercado precifica!

Me segue lá no @vmiziara no Instagram pra acompanhar às últimas notícias e análises da Petrobras e outras!

Um abraço!

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