A produção já estava prevista na programação anual da Casa da Moeda. Contudo, o BC antecipou para este mês o pedido de R$ 9 bilhões em cédulas ao ter constatado que há “entesouramento do dinheiro no país”. Em nota, o BC explicou que esse processo ocorre porque as pessoas estão guardando dinheiro em vez de colocar em circulação.
“O pedido visa a construir estoques de segurança e mitigar eventuais consequências do fenômeno de entesouramento que se observa desde o início da pandemia. O BC entende que o entesouramento pode ser consequência de três fatores: saques por pessoas e empresas para formação de reservas, diminuição do volume de compras no comércio em geral e porque parcela considerável dos valores pagos em espécie aos beneficiários dos auxílios [como o auxílio emergencial] ainda não retornou ao sistema bancário”, disse o Banco Central, em nota reproduzida pela Agência Brasil.
Henrique Meirelles defendeu “imprimir dinheiro” para combater a crise
No início de abril, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, sugeriu ao governo “imprimir dinheiro” para combater a crise do coronavírus. A colocação do atual secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo era de natureza diferente da medida literal adotada pelo BC.
Meirelles defendeu a “expansão da base monetária”. Ou seja, aumentar a emissão de títulos públicos e injetar liquidez na economia.
“Não é exatamente (imprimir) dinheiro no sentido de dinheiro físico. Ele expande a moeda porque a expansão se dá principalmente em contas correntes, das empresas, dos bancos, é distribuído isso (por meio das contas bancárias). Então, é na realidade uma expansão contábil. Não há risco nenhum de inflação nessa situação (de recessão)”, disse Meirelles, em entrevista à BBC.
A ideia de Meirelles foi rechaçada por Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, que a chamou de perigosa.
Economistas ouvidos pelo E-Investidor à época apresentaram visões divergentes.
“O instrumento que o Banco Central tem nesse momento para fazer esse controle é cortar a taxa Selic”, disse Alexandre Scwartsman, ex-diretor de assuntos econômicos do Banco Central.
Por outro lado, Nelson Marconi, professor de economia da FGV EAESP, apoiou a ideia. “O que causa a inflação é demanda muito aquecida. Quando a economia está muito aquecida, injetar mais dinheiro pode estimular esse processo. Mas na situação atual, com essa parada total, não há a mínima possibilidade de que a medida pressione a inflação.”
Selic deve ir a 2,25% em junho
Na época da afirmação de Meirelles, a Selic estava a 3,75%. A taxa básica de juros foi cortada para 3% no início de maio, com a indicação de um novo corte para 2,25% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em junho. Um ritmo de redução com potencial de estimular rapidamente a economia no pós-pandemia.
“A curva de juros fechou de 3% para 2,5% no curto prazo, já a partir de 2025 tem uma abertura maior. Isso permite investimentos em prefixados acima de cinco anos com juros acima de 8% ao ano”, apontou André Fernandes, head de produtos da Ágora Investimentos, em entrevista ao Broadcast.