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Comportamento

Nova febre da internet, Clubhouse atrai influenciadores do mundo das finanças

Os influencers de finanças compartilham suas impressões sobre o app de conversas por voz. Veja 8 dicas deles

Por E-Investidor

12/02/2021 | 3:00 Atualização: 12/02/2021 | 8:46

Nathalia Arcuri, especialista em finanças, CEO e fundadora da Me Poupe! (Foto: Marcelo Spatafora/Divulgação)
Nathalia Arcuri, especialista em finanças, CEO e fundadora da Me Poupe! (Foto: Marcelo Spatafora/Divulgação)

(Davi Medeiros, especial para o E-Investidor) – Com mais de seis milhões de usuários ativos no mundo todo desde seu lançamento, em março de 2020, o aplicativo Clubhouse entrou nos holofotes nas últimas semanas e se tornou a nova sensação da internet em 2021.

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Depois que o bilionário Elon Musk apareceu na nova rede social para falar sobre a GameStop, no início de fevereiro, os downloads do app de conversas por áudio dispararam, levando o seu valor de mercado a US$ 1 bilhão e tornando-o um dos mais populares do momento — inclusive entre os influenciadores de finanças.

Se antes era preciso assistir a conteúdos gravados para acompanhar especialistas em investimentos, agora é possível participar de uma conversa ao vivo com eles — daí o sucesso da plataforma. “É como uma mistura do LinkedIn com aquele bate-papo das antigas”, afirma o financista Fabrizio Gueratto, colunista do E-Investidor.

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Diferentemente das lives no Instagram e no YouTube, a interação no Clubhouse é aberta: em vez de escolher um entre milhares de comentários para responder, o moderador — ou speaker,como é chamado — conversa normalmente com os outros usuários que estão dentro da mesma sala. 

“A revolução é que você tem acesso a grandes especialistas que utilizam o aplicativo como uma ferramenta poderosíssima de conteúdo”, diz Gueratto. Para os ouvintes, é a oportunidade de estar em uma mesa de debate com influenciadores top de linha. Para estes, é a chance de mostrar desenvoltura ao vivo e provar que sua autoridade nas outras redes é merecida.”

Sensação de exclusividade 

Uma das características que explicam a empolgação em torno do Clubhouse é a exclusividade do primeiro acesso. Não basta fazer o download do aplicativo na loja do celular, é necessário receber um convite de alguém que já esteja na plataforma. O problema é que, por enquanto, somente usuários do iPhone podem fazer parte da rede de conversas, embora os criadores do app já tenham afirmado que estão preparando uma versão para Android.

Para Nathalia Arcuri, especialista em finanças, CEO e fundadora da Me Poupe!, é importante se atentar a eventuais gastos desnecessários que podem partir do desejo de pertencimento. “Quem não usa iOS não precisa se sentir um extraterrestre nesse momento, muito menos comprar um celular novo só por isso”, afirma.

Arcuri, que já reuniu 700 pessoas simultaneamente em sua “sala da liberdade financeira” no app, destaca que continua válido consumir conteúdo em outras plataformas e que não vale a pena ser imediatista, já que o Clubhouse veio para ficar.

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De qualquer forma, o formato do aplicativo deve se tornar mais acessível nos próximos meses. Isso porque o Facebook está desenvolvendo um produto semelhante, informou o The New York Times na última quarta-feira (10). O jornal norte-americano não deu detalhes sobre a nova ferramenta de Mark Zuckerberg.

Falar de si mesmo é armadilha

“Não seja egocêntrico. Para o influenciador de finanças Hulisses Dias, dono do canal Tio Huli, no YouTube, esta é a principal dica para criar uma comunidade relevante no Clubhouse. “Uma cultura que vejo de forma clara é a de não falar de si mesmo, mas de ideias”, afirma.

Para evitar cair na armadilha da autopromoção, como ele define, uma boa prática é adotar o costume de fazer perguntas para os seguidores. Exemplo disso é a sala do “como”, na qual os influenciadores colhem dúvidas dos ouvintes sobre determinado assunto. “A proximidade com o usuário é um grande diferencial, então é muito importante ouvir além de falar”, diz Hulisses, que já alcançou 14 mil inscritos na plataforma.

Dicas para quem busca aprendizado 

Para os usuários que ingressam no Clubhouse buscando insights sobre um assunto específico, o melhor caminho para começar bem é seguir os influenciadores já conhecidos de outras redes sociais, aconselha o educador financeiro William Ribeiro, do canal Dinheiro Com Você, no YouTube.

“Filtre as salas que você deseja ouvir, porque os assuntos são diversos e há vários debates acontecendo ao mesmo tempo”, afirma. Outra prática que pode ser vantajosa é levantar a mão e fazer perguntas, como em um debate presencial. Para Ribeiro, é da interação entre os participantes que saem as ideias e inspirações mais interessantes na plataforma.

Já Nathalia Arcuri aconselha tentar entender, de forma rápida ao entrar sala, se o tema principal da conversa está realmente sendo discutido. “Se o título é ‘como ganhar o primeiro milhão’ e a pessoa está falando sobre seu próximo curso, trata-se provavelmente de propaganda enganosa e é uma grande perda de tempo”.

Vício é improdutivo

Embora não seja incomum o uso compulsivo de redes sociais, o Clubhouse pode ser especialmente viciante pelo fato de não permitir gravação. Por se tratar de um bate-papo ao vivo, sair da sala pode significar perder reflexões importantes, o que leva usuários a gastarem várias horas do dia no aplicativo.

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Para Gueratto, esta não é uma boa ideia. “Não adianta passar o dia inteiro adquirindo conhecimento no Clubhouse e não colocá-lo em prática”, afirma. O ideal, para não desperdiçar tempo, é usar o app por no máximo duas horas por dia ou ao menos reduzir o tempo ativo em outras redes sociais para equilibrar o uso.

Veja as 8 dicas dos influenciadores de finanças

  • Não contrair gastos desnecessários para ingressar na plataforma; 
  • Escolher bem o conteúdo e as salas;
  • Ser crítico ao tema da sala: é mesmo o que o título promete? 
  • Fazer perguntas pertinentes ao assunto que está em debate;
  • Usar a plataforma para o compartilhamento de ideias, não simplesmente para autopromoção; 
  • Se for o host, ouvir, além de falar;
  • Evitar o vício;
  • Não se deixar levar por propagandas enganosas.

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