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Comportamento

Como lucrar com os hits e shows de artistas nacionais

Royalties de sucessos e fundo de investimentos em turnês: indústria musical é opção de diversificação

Por Rebeca Soares

08/09/2021 | 3:00 Atualização: 06/09/2021 | 19:54

Entre os hits do catálogo, estão músicas da paraense Joelma Foto: Reprodução
Entre os hits do catálogo, estão músicas da paraense Joelma Foto: Reprodução

Há quem passe o dia acompanhado por música, seja por aquelas melodias favoritas em que todas as letras já são decoradas ou descobrindo novos artistas e canções. Com o fim da pandemia, o mercado fonográfico deve voltar a ganhar lucros com shows e direitos autorais dos hits que não desgrudam da mente. Para investidores, é a chance de diversificar a carteira e contabilizar rendimentos.

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O setor de eventos foi um dos mais impactados pelas medidas de isolamento social e restrições à circulação de pessoas, necessárias para o controle da pandemia. Agora, assim como diversos setores corporativos, shows e festivais de música devem ser impulsionados com a reabertura das atividades presenciais.

Pensando nisso, empresas do mercado financeiro estão oferecendo produtos voltados a investidores que buscam alocar recursos voltados à propriedade intelectual pela autoria de sucessos.

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A partir deste mês, a Hurst Capital oferece aplicações em recebíveis dos direitos aos royalties de 730 obras de titularidade dos irmãos Chrystian Lima e de Ivo Lima. Entre as canções escritas pela dupla, estão hits de Calcinha Preta, Joelma, César Menotti e Fabiano, e Jorge e Mateus. Os royalties são considerados investimentos alternativos, uma opção para diversificação das carteiras.

Em um cenário base, segundo estimativa da gestora, calcula-se o rendimento anual de 16,30%. O aporte mínimo para investimento é de R$ 10 mil.

Outra opção para os investidores que desejam lucrar com o setor de entretenimento é o fundo de investimento da XP voltado à compra de show de artistas populares brasileiros como Alexandre Pires, Seu Jorge e Daniel. O fundo teve captação inicial de R$ 260 milhões.

Chrystian Lima e Ivo Lima apontam as dificuldades enfrentadas durante a pandemia.  Segundo eles, o impacto foi sentido não só para os cantores, mas também para compositores. “O setor de entretenimento foi o primeiro a parar e o último a retomar. Entretanto, além de uma solução para o problema que a pandemia trouxe, esse novo modelo de negócio é uma evolução natural que a indústria possui”, explica Ivo.

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A dupla de irmãos, compositores há mais de 25 anos, destacam as fases do mercado musical. Segundo eles, sempre existiu um impacto com as mudanças, desde a transformação dos discos de vinil para os CDs até as plataformas digitais como Spotify e Deezer. Com as iniciativas do mercado financeiro em oferecer diversificação e ativos alternativos, a monetização para os detentores da propriedade começa a acompanhar a evolução da digitalização.

Para o CEO da Hurst, Arthur Farache, a inovação de produtos é um reflexo da necessidade de oferecer ativos resilientes que consigam sobreviver em situações adversas e duradouras como as vistas desde o ano passado. Apesar disso, ainda deve haver um trabalho de educação e pesquisa por parte dos gestores e dos investidores para que a emoção da música não resulte em decisões de investimentos precipitadas.

“Colocamos um ticker de R$ 10 mil porque é um valor no qual a maioria dos brasileiros vai fazer pesquisas mais aprofundadas, conversar com especialistas e amigos antes de fazer a escolha. É uma estratégia de prolongar o nosso tipo de negócio para ser uma tendência que realmente funcione e cumpra os objetivos agora e daqui a 30 anos”, explica.

O líder da Hurst explica que a escolha do catálogo foi feita a partir da identificação de músicas de trabalho, ou seja, canções que os cantores vão continuar interpretando ao longo da carreira e que, muitas vezes, podem ser regravadas por outros nomes. Segundo ele, em um cenário positivo no qual os artistas façam show na mesma frequência anterior à disseminação do coronavírus e em que aconteçam as regravações, o lucro pode chegar a mais de 22% no ano.

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“Vemos o sistema financeiro evoluindo, cada dia surge uma novidade no mercado para atender alguma demanda dos clientes, mas a indústria da música é um setor dominado por poucas multinacionais e ainda carece de uma disrupção”, afirma Farache.

Segundo o CEO, antes de lançar as informações do produto, a equipe estudou a área profundamente. Nesse processo, identificou que os ritmos musicais têm uma performance diferente ao longo do ano, por conta disso, ele explica que é essencial diversificar o catálogo do gospel, sertanejo ao funk.

Turnês

Com o retorno dos encontros presenciais, após a devida vacinação da população, os artistas e os fãs já planejam os eventos. Pensando nisso, a XP Inc. e a Opus Entretenimento lançaram um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC NP) direcionado a shows nos próximos cinco anos.

O head de Special Situations da XP Asset Filipe Mattos destaca a inovação da operação, especialmente em um cenário de demanda reprimida. Além disso, segundo ele, também surgem expectativas com alguns artistas já lançando turnês no exterior.

“O momento é estratégico e oportuno para esse lançamento, e novas negociações com artistas já estão em curso, o que deve aumentar ainda mais o tamanho da transação”, ressalta o head.

Hits e redes sociais

Já no radar das empresas está o uso das músicas em aplicativos como TikTok e Instagram. Apesar da utilização das canções não garantir retorno financeiro aos autores, diversos nomes da música popular estão surgindo por conta dos vídeos curtos que viralizam, como é o caso dos cantores Kevin, O Cris, Zé Vaqueiro e João Gomes.

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Em julho, o TikTok anunciou um acordo com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) para realizar pagamentos. A novidade deve atrair ainda mais olhares para as possibilidades de aplicações no setor musical.

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