Se arrependimento matasse: em 1976, cofundador da Apple vendeu 10% da empresa por US$ 800; hoje, valeria US$ 400 bi
Empresário deixou a Apple apenas 12 dias após sua fundação; cinco décadas depois, sua decisão virou um dos maiores “e se” da história do Vale do Silício
O documento original de fundação da Apple — assinado por Steve Jobs, Steve Wozniak e pelo menos conhecido cofundador Ronald Wayne — acaba de ser vendido por US$ 2 milhões em leilão. | Scott Eells/Bloomberg via Getty Images
O pouco conhecido terceiro cofundador da Apple, Ronald Wayne, recebeu originalmente uma participação de 10% na então nascente empresa de computadores que hoje vale cerca de US$ 4 trilhões. Ele vendeu sua fatia apenas 12 dias após a fundação da Apple por US$ 800 — e disse, à época, não ter arrependimentos. Agora, enquanto a Apple celebra 50 anos desde sua Oferta Pública Inicial (IPO), Wayne talvez não tenha muito a comemorar: sua participação hoje valeria dezenas de bilhões de dólares.
Há cinquenta anos, Steve Jobs e Steve Wozniak colocaram a assinatura no papel para criar oficialmente a Apple. Nesta semana, esse mesmo documento fundador fez história por conta própria ao ser vendido por US$ 2 milhões em um leilão da Christie’s.
Mas o contrato não trazia apenas os nomes dos dois Steves. Havia uma terceira assinatura: Ronald G. Wayne, amigo de Jobs que ajudou a convencer Wozniak a formalizar a empresa — e que datilografou o acordo ele mesmo. Por seu papel como a mão mais experiente do grupo, Wayne recebeu 10% da companhia, enquanto Jobs e Wozniak ficaram com 45% cada um.
Menos de duas semanas depois de a tinta secar, Wayne retirou seu nome do contrato — uma decisão que pode figurar entre as maiores oportunidades financeiras perdidas da história.
Embora tenha vendido sua participação por US$ 800 e recebido posteriormente mais US$ 1.500 para abrir mão de qualquer reivindicação futura, sua fatia de 10% hoje poderia valer entre US$ 75 bilhões e US$ 360 bilhões, considerando o valor de mercado da Apple, hoje próximo de US$ 4 trilhões — construído ao longo de cinco décadas.
Com a entrada de novos investidores e o IPO realizado em 1980, as participações de Jobs e Wozniak foram diluídas ao longo do tempo — um destino que Ronald Wayne provavelmente também teria enfrentado.
Por que Wayne saiu
A decisão de Wayne pode parecer equivocada em retrospecto, mas, naquele momento, o então engenheiro de 41 anos acreditava estar protegendo sua própria segurança financeira.
Nos primeiros dias da empresa, Jobs tomou emprestados US$ 15 mil para cumprir um pedido de “50 ou 100 computadores” da Byte Shop, uma loja varejista conhecida por atrasar pagamentos, relembrou Wayne em entrevista ao Business Insider em 2017.
“Se eles não nos pagassem, como iríamos devolver os US$ 15 mil?”, disse. “Jobs e Woz não tinham dois tostões para esfregar um no outro. Eu, por outro lado, tinha casa, carro e conta bancária — o que significava que eu seria o responsável se tudo desse errado.”
Uma aposentadoria precoce
Surpreendentemente, o dinheiro não foi o único motivo para Wayne deixar a Apple. Ele também temia que a experiência decretasse o fim de sua carreira. Jobs e Wozniak eram jovens talentos, quase 20 anos mais novos, e Wayne acreditava que eles avançariam rapidamente, enquanto ele ficaria à margem.
“Se eu tivesse ficado na Apple, provavelmente teria acabado como o homem mais rico do cemitério”, disse o hoje nonagenário à CNN.
“Eu sabia que estava à sombra de gigantes e que nunca teria um projeto próprio”, afirmou ao Business Insider. “Acabaria no departamento de documentação, empilhando papéis pelos próximos 20 anos da minha vida — e esse não era o futuro que eu imaginava.”
Embora diga que não se arrependeu na época, Wayne já admitiu que teria sido bom não precisar se preocupar com dinheiro. Para se sustentar, ele depende do aluguel de parte de sua propriedade e do cheque mensal da Previdência Social americana.
“Nunca fui rico, mas também nunca passei fome”, afirmou.
Esta reportagem foi originalmente publicada em Fortune.com e foi traduzida com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisada por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.