Entre janeiro e março, o fluxo não é uniforme. Parte dos visitantes chega nas semanas centrais do verão, associadas a férias e praia, e tende a deixar o País antes do carnaval. Outra parte organiza a viagem especificamente em torno das festas e eventos culturais, reforçando a presença à medida que a data se aproxima. Essa troca gradual no perfil dos turistas altera a dinâmica de consumo justamente no momento de maior pressão sobre cidades e empresas.
Análise do Mastercard Economics Institute, com base em gastos com cartão examinados de forma anônima no Rio de Janeiro, em Salvador e em Ipojuca (Porto de Galinhas), indica um padrão recorrente: o número de visitantes sul-americanos costuma atingir o pico no auge do verão e diminuir à medida que o carnaval se aproxima. Já os gastos de turistas europeus e norte-americanos tendem a crescer durante o período da festa.
A diferença não está apenas no calendário, mas também na natureza das despesas. Os dados mostram que turistas argentinos direcionam parcela maior do orçamento para compras no varejo, especialmente vestuário e eletrônicos. Outros visitantes estrangeiros concentram mais gastos em serviços e experiências, como restaurantes, hospedagem e atividades pagas.
Do ponto de vista econômico, isso significa que o impacto do carnaval e da alta temporada não é homogêneo. Um mesmo volume de turistas pode gerar efeitos distintos dependendo da origem predominante e do tipo de consumo associado a ela. Destinos com infraestrutura comercial forte tendem a capturar melhor o fluxo de visitantes com perfil voltado a compras. Já localidades com maior oferta de experiências e serviços podem se beneficiar mais quando cresce a participação de turistas cujo foco são eventos e lazer.