O episódio do Super Bowl dará ainda mais munição aos críticos, que voltaram em peso agora que o bitcoin patina. Entre eles estão democratas progressistas que publicam tweets sarcásticos, sugerindo que ainda não entenderam por que é politicamente ruim ridicularizar milhões de eleitores americanos que gostam e possuem criptoativos. O pelotão de haters também inclui a incansável Jemima Kelly, do Financial Times, que retorna com mais uma análise espirituosa — porém de má-fé — sobre por que o bitcoin supostamente vai a zero.
Esses sentimentos são típicos de períodos de baixa no mercado cripto. Mais notável, porém, é o número de vozes internas do próprio setor que vêm expressando nojo ou desilusão com o estado atual da indústria. Vitalik Buterin [programador russo-canadense conhecido como o co-fundador do Ethereum], por exemplo, tem manifestado publicamente preocupação com o ecossistema do ethereum, enquanto Evgeny Gaevoy, fundador da Wintermute, detonou a indústria na semana passada por abandonar seus ideais originais em favor de uma obsessão vazia pelo “número subir”. Esse tom vem sendo ecoado por muitos outros no Crypto Twitter, onde o clima ficou incomumente sombrio e autoquestionador.
Então, o que está acontecendo? Em grande parte, trata-se simplesmente de preços em queda. Mas também há ansiedade pela ausência de uma explicação clara para o mau momento. No último inverno cripto, era fácil apontar o colapso do império da FTX, de Sam Bankman-Fried, e a ofensiva regulatória subsequente como causas do desastre. Da mesma forma, as quedas de 2014 e 2018 costumam ser associadas, respectivamente, ao hack catastrófico da Mt. Gox — a primeira grande exchange — e à ressaca da era dos scammy ICOs.
A falta de um fator único e evidente para os problemas recentes levou a um festival de lamentos sobre a ideia de que a narrativa básica das criptos — dinheiro e tecnologia descentralizados — seria apenas um pretexto, e que todo o setor se apoia em golpes rápidos e hype. E, de fato, há muitos elementos que alimentam esse ceticismo: de memecoins em esquemas de pump and dump a blockchains sem propósito, passando pela incessante exploração do tema cripto pela família Trump. É difícil não ser cínico.
Mas há um ponto importante: o mercado cripto sempre esteve cheio de picaretas. Como toda tecnologia nova, atrai golpistas e vendedores de óleo de cobra — ainda mais quando o produto está diretamente ligado a dinheiro. A boa notícia é que muitos desses personagens são varridos nos períodos de baixa, abrindo espaço para que os atores legítimos retomem o controle e assimilem algumas lições.
É exatamente onde estamos agora. Ver o Bitcoin cair cerca de 50% não é nada agradável para investidores, mas está longe de ser o pior tombo já vivido pelo setor. A história mostra, inclusive, que cada colapso sucessivo tende a ser menos doloroso e mais curto do que o anterior — talvez por isso analistas do JPMorgan Chase tenham projetado, na semana passada, que o Bitcoin pode chegar a US$ 266 mil no longo prazo. Também ajuda o fato de que, desta vez, há uma grande base de investidores segurando Bitcoin via o ETF da BlackRock, sem sinais de venda. Como brincou alguém por aí: “Os boomers têm mãos de diamante”.
O ajuste atual do mercado provavelmente ainda está longe do fim, mas a indústria cripto veio para ficar. E, quem sabe, quando o setor voltar a subir, seja um pouco mais criterioso ao escolher quais empresas eleva ao status de modelo. Nesse espírito, o próximo Crypto 100 da Fortune levará em conta, em parte, uma pesquisa de reputação que pedirá a líderes do setor que avaliem anonimamente seus pares. O ranking final será divulgado no início de abril. Por fim, vale lembrar que o Fortune Crypto fará uma pausa no feriado do Dia do Presidente e retorna à sua caixa de entrada em 23 de fevereiro.
Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com e foi traduzido com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.