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Criptomoedas

Hashdex: investidor brasileiro é muito bem servido de criptoativos

Marcelo Sampaio é CEO da gestora responsável pelo HASH11, o primeiro ETF de criptomoedas do mundo

Hashdex: investidor brasileiro é muito bem servido de criptoativos
Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex (FOTO: Divulgação-Hashdex)
  • O dia 19 de outubro entrou para a história com a data em que estreou na bolsa de Nova York (NYSE) o primeiro ETF de futuros de bitcoin dos EUA, o ProShares Bitcoin Strategy ETF, lançado sob o ticker BITO
  • Apesar do grande lançamento nos EUA, este tipo de produto não é novidade para os investidores brasileiros, que já podem investir no HASH11, o primeiro ETF de criptomoedas do mundo, lançado primeiramente nas Bermudas e depois aqui em solo nacional
  • Segundo dados da B3, com pouco mais de oito meses, o HASH11 conta com mais de 127 mil cotistas e um patrimônio sob gestão de R$ 2,66 bilhões. Além disso, o produto é o terceiro ETF com mais investidores do país, atrás apenas do IVVB11 e do BOVA11. Desde o seu lançamento, já entregou mais 22,18% de valorização

O dia 19 de outubro de 2021 entrou para a história como a data de estreia do primeiro ETF de futuros de bitcoin dos Estados Unidos na bolsa de Nova York (NYSE). O ProShares Bitcoin Strategy ETF foi lançado sob o ticker BITO e registrou uma valorização de 2,59% em seu primeiro pregão.

Segundo informações da Bloomberg, o ativo foi o segundo fundo mais negociado em seu lançamento. Com faturamento de quase US$ 1 bilhão, a estreia do ProShares Bitcoin Strategy ficou atrás apenas de um fundo de carbono BlackRock.

Entretanto, apesar do grande lançamento nos EUA, este tipo de produto não é novidade para os investidores brasileiros, que já podiam investir no HASH11, o primeiro ETF de criptomoedas do mundo, lançado inicialmente nas Bermudas e depois aqui.

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Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex, a gestora responsável pelo produto, explica que quando o assunto é criptoativo, o investidor brasileiro é muito melhor servido em produtos listados em bolsa do que o americano.

“O ETF que foi aprovado nos EUA não é igual ao produto brasileiro, tendo em vista que é focado nos futuros e não na criptomoeda em si, o que na minha opinião é muito ruim. A demanda é tão grande, mas tão reprimida, que ainda assim teve uma procura enorme pelo produto”, diz.

O desempenho do HASH11 não tem decepcionado por aqui. Com pouco mais de oito meses, o ETF conta com mais de 127 mil cotistas e um patrimônio sob gestão de R$ 2,66 bilhões, segundo dados da B3. O produto é o terceiro ETF com mais investidores do País, atrás apenas do IVVB11 e do BOVA11. Desde o seu lançamento, já entregou mais 22,18% de valorização.

Confira os principais trechos da entrevista:

E-Investidor – Os EUA aprovaram o primeiro ETF de futuros de bitcoin, o ProShares Bitcoin Strategy. Por que a aprovação é importante para o mercado global de criptomoedas?

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Marcelo Sampaio – Os Estados Unidos são o maior mercado de capitais do mundo e a maior parte da liquidez acontece nele. O país não só é um mercado enorme, mas também que serve o mundo todo, ou seja, boa parte de arbitragem e de volume vindo de uma série de outros países, acontece lá (nas bolsas americanas).

Então, quando você tem um ativo que nem o bitcoin, que tem uma demanda gigantesca com um monte de gente querendo comprar no mercado de capitais, é inegável que esse produto terá uma alta procura, e aí, quando você tem uma demanda no mundo desse ETF, você terá também no bitcoin.

Assim, gera-se um efeito que basicamente é o seguinte: cada vez mais investidores entrando na expectativa de que aprovação do produto aconteça, gerando uma grande demanda. E como a quantidade de bitcoins disponíveis é finita, isso dá um efeito surreal. Os Estados Unidos trazem um volume absurdo e obviamente isso gera uma série de efeitos, inclusive, uma apreciação potencial em cripto como um todo.

E-Investidor – A SEC atrasou diversas vezes a aprovação do ETF nos EUA. Com isso, países como Canadá e Brasil conseguiram lançar seus ETFs de criptomoedas primeiro. Por que você acha que a CVM americana demorou tanto?

Sampaio – Existe uma questão regulatória muito grande. Você tem o desconhecimento do establishment como um todo, que passa pelo Senado e também pelo Congresso. Com isso, é preciso um certo tempo para que as coisas aconteçam. Mas a gente não costuma ver uma aprovação demorar dessa forma como foi nos Estados Unidos. Geralmente a política é muito alinhada ao mercado.

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Vale salientar que o ETF que foi aprovado não é igual ao produto brasileiro, tendo em vista que é focado nos futuros e não na criptomoeda em si, o que na minha opinião é um produto muito ruim. Ainda assim, a demanda é tão grande, mas tão reprimida, que teve uma procura enorme pelo produto. Inclusive, o investidor brasileiro é muito melhor servido em produtos listados em bolsa do que o americano.

E-Investidor – Em junho, a Hashdex chegou ao mercado americano por meio de uma parceria com a Victory Capital. Como foi o processo de entrada nos EUA?

Sampaio – A Hashdex nasceu com a ideia de ser global, já que as criptomoedas são mundiais. Temos a oportunidade de levar os ativos digitais para dentro dos mercados regulados para investidores do mercado financeiro.

Pouca gente sabe disso, mas nós começamos a empresa nos EUA, no entanto, chegou uma hora que pensamos que o mercado lá fora não andaria tão rápido – e vir para o Brasil acabou se tornando uma opinião acertada. Acredite se quiser, o regulatório brasileiro está melhor que o americano.

Voltar para os EUA é um movimento natural. Sempre falávamos para fazer no Brasil, e assim que os Estados Unidos dessem sinais de abertura, nós voltaríamos, e quem sabe com mais tamanho e experiência.

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E-Investidor – O HASH11 foi o primeiro ETF de criptomoedas a ser lançado no mundo. Seis meses depois, conta com patrimônio de R$ 2,66 bilhões e desponta como terceiro fundo de índice mais investidor pelos brasileiros. O que motivou a criação desse produto?

Sampaio – A gente sempre achou que o universo cripto era muito maior que o bitcoin. O mundo ficou meio viciado nessa ideia de um ETF de BTC e isso, para nós, sempre fez pouco sentido. Note que nós temos um ETF dessa criptomoeda e adoramos o produto, mas nunca nos passou pela cabeça esquecer do índice mais amplo.

Vemos muitas pessoas com a seguinte visão: eu não conheço profundamente esse negócio, mas acho que cripto tem uma chance de ter um lugar no futuro, se investindo nos melhores projetos ao longo do tempo e que o mercado definirá quais são.

Lançamos o HASH11 da mesma forma como temos o Ibovespa ou o S&P 500. Na nossa visão, em um mercado que já tem esse nível de maturidade fora do mundo regulado com tantos projetos, fazia muito mais sentido dar exposição para o investidor do mercado financeiro ao índice primeiro. Então, à medida que fizermos isso, vamos lançando os próximos produtos.

E-Investidor – Por que você acha que o produto está fazendo tanto sucesso?

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Sampaio – Existe uma demanda reprimida dos mercados e das pessoas que querem ganhar exposição às criptomoedas. Essa exposição geralmente é pequena, que inclusive é o que recomendamos, colocando de 1% a 2% da carteira.

Mas como são muitos investidores, o volume de pessoas acaba se tornando muito grande. De um lado, você tem os investidores com um foco maior no longo prazo. Mas do outro lado, temos pessoas do mercado financeiro que gostam de volatilidade. Então, quem está arbitrando quer mais que o mercado se movimente para qualquer lado, e com a volatilidade inerente das criptomoedas é possível servir as duas pontas.

E-Investidor – Outro produto de destaque da Hashdex é o BITH11, que investe 100% em bitcoin e visa reduzir sua pegada de carbono. Por que optaram por aliar o investimento na criptomoeda com créditos de carbono?

Sampaio – Existe uma narrativa que muitas vezes é até falaciosa de que o bitcoin é ruim para o meio ambiente. Obviamente existe o consumo poluente em algum nível, mas a pessoa que minera bitcoin está visando o lucro, está literalmente investindo dinheiro em maquinário. Então, esse minerador vai atrás da energia mais barata possível, e geralmente a energia mais barata é a renovável, porque é basicamente uma matriz em que uma vez que é concluído o investimento inicial de construir a usina, ela só apresenta o custo marginal de manutenção.

Na questão do BITH11, quisemos trazer uma instituição credível e independente, que vive de entender todo dia como está a questão da sustentabilidade da criptomoeda, vai nos dizer o que os bitcoins dos nossos fundos estão consumindo de energia, e aí neutralizar essa emissão de carbono.

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E-Investidor – Olhando um pouco a cesta de produtos oferecidos pela gestora, percebemos que a maioria dos produtos replicam o Nasdaq Crypto Index (NCI), criado pela Hashdex em parceria com a Nasdaq, ou seja, contam com uma alocação passiva. O que levou a casa seguir por esse caminho?

Sampaio – No primeiro momento era um jogo de dar acesso às pessoas. O retorno de um índice pode dar uma rentabilidade tão boa, que basicamente faz pouco sentido você alocar a maioria dos seus recursos em gestão ativa procurando retornos acima do esperado do mercado.

Na nossa visão é melhor proporcionar o produto mais barato possível, que está provado que funciona, e esse produto já entrega um bom retorno, do que tomar risco com um gestor, que pode ser bom ou ruim, para tentar ganhar ainda mais dinheiro.

O meu ponto é o seguinte: não é que não há espaço para alocação ativa, mas não é onde começava para a gente. A nossa sinalização é que uma fração do investimento que você teria em índice, pode ter em gestão ativa.

E-Investidor – Há planos de lançar algum produto com alocação ativa?

Sampaio – Temos esse plano sim, nos próximos meses entraremos com um produto de gestão ativa. Mas nós recomendamos que a maior parte da alocação dos clientes esteja em índice, pois considerando a relação risco/retorno, a gestão passiva é o melhor produto.

E-Investidor – Uma das gestoras de criptoativos mais conhecidas do mundo é a americana Grayscale, com uma estratégia de investimentos voltada para produtos monoativos. O que acha do posicionamento da casa?

Sampaio – Eu conheço muito bem a Grayscale, inclusive sou o terceiro investidor do fundo BIT (Atual GBTC). A Hashdex teve a inspiração de querer melhorar os produtos que a gestora estava fazendo, pois pensávamos que o mercado financeiro precisaria ser servido com esse ativo, mas acreditávamos que os produtos eram ruins, são caros e poderiam ter sua governança melhorada.

Quando começamos, em 2018, já existiam ativos listados suficientes para vermos que cripto seria muito maior que bitcoin, por isso começamos com o índice. Mas também temos produtos single asset, como o ETF de bitcoin e o de ethereum, e vamos continuar lançando outros produtos de diversos sabores, seja multiativos ou monoativos.

E-Investidor – O megainvestidor Ray Dalio, em recente entrevista à rede de televisão CNBC, chamou dinheiro de lixo e defendeu as criptomoedas. Você concorda com a afirmação?

Sampaio – Eu não sou um economista macro e nem tão brilhante quanto Ray Dalio, mas concordo 100% com ele, acho que temos hoje um mundo muito levado pelo dólar. Os EUA imprimiu 1/3 da base da oferta de dinheiro do mundo nos últimos 18 meses, é algo que o mundo nunca experienciou como civilização nessa escala.

A questão que o Ray Dalio fala e que é muito pertinente, é que ter dólar é um mau negócio, mas a história sugere que alguma hora isso vai mudar, a questão é quando e como isso vai acontecer. O ponto central levantado pelo megainvestidor é que você tem que estar olhando para produtos que guardam valor, ou seja, reservas de valor.

O Ray Dalio é especificamente um investidor que adora ouro, mas que hoje veio aos poucos admitir que tem bitcoins em seu portfólio. A mensagem que ele deixa é muito forte, é modelar na sua carteira como você vai guardar valor se o dólar explodir, o que ele acredita ter enormes chances de acontecer.

E-Investidor – No dia 30 de setembro, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a regulação das criptomoedas está no radar e acontecerá primeiro como investimento e depois como meio de pagamento. É uma boa estratégia?

Sampaio – Eu acho ótimo quando as regras são pró-mercado, e o Roberto Campos é uma pessoa a favor do mercado. Vamos dar o voto de confiança de que ele vai fazer coisas a favor. Além disso, temos que pensar que as criptomoedas são uma evolução tecnológica, como o carro, que infelizmente causa acidentes, mas isso não significa que temos que bani-lo, e sim trabalharmos para causar menos casualidades.

A questão é exatamente essa: como você consegue criar sinais de trânsito, estradas, código de trânsito, para que as pessoas consigam se aproveitar dessa inovação da melhor maneira possível. É isso que reguladores como o BC e a CVM já deixaram claro que vão fazer.

Eu acho que já passamos dessa fase de “vamos proibir tudo”, no máximo você terá uma notícia aqui, outra ali, mas a maior parte das economias do mundo claramente estão no caminho de regulação para que a sociedade se beneficie dessa invenção. O Brasil, em termos de valores mobiliários, está à frente de quase todos os países do mundo.

E-Investidor – Por que as pessoas deveriam investir nos produtos da Hashdex?

Sampaio –Nós temos como objetivo absoluto qualidade em tudo que fazemos. Estamos entre os melhores do mundo em termos de custos e de governança. Além disso, 100% de todos os ativos que trabalhamos são custodiados pelas melhores empresas do mundo, como Fidelity e Coinbase Institutional, nós não tocamos nos ativos digitais dos nossos clientes. E sem contar que os ETFs têm uma eficiência fiscal grande, hoje você paga 15% de imposto de renda, diferente do investimento de cripto direto, em que você paga 22,5% regressivo. A minha sugestão é: comecem, tenham um pouco de exposição a essa classe de ativos com foco no longo prazo.

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