Fleury chega aos 100 anos com geração de caixa recorde; CEO revela planos para 2026
Em entrevista exclusiva ao E-Investidor, Jeane Tsutsui e o CFO José Filippo falam sobre controle de custos, crescimento orgânico e oportunidades de M&A, apesar do cenário macroeconômico adverso
Jeane Tsutsui, CEO do Fleury. (Imagem: divulgação/Grupo Fleury)
O Grupo Fleury (FLRY3) encerrou 2025 com crescimento operacional consistente, geração de caixa recorde e uma estrutura de capital que, segundo a administração, permite manter a estratégia de expansão, tanto orgânica quanto via aquisições, mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador em 2026.
Em entrevista ao E-Investidor, a CEO Jeane Tsutsui e o CFO José Filippo afirmaram que disciplina de custos, digitalização e integração de ativos adquiridos continuam sendo pilares para sustentar margens e crescimento em 2026.
No quarto trimestre de 2025 (4T25), a companhia reportou lucro líquido de R$ 96,3 milhões, alta de 14,7% na comparação anual. A receita líquida avançou 12%, para R$ 2 bilhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 12,5%, para R$ 456 milhões.
No consolidado de 2025, o Fleury registrou R$ 613 milhões de lucro líquido, com receita líquida de R$ 8,3 bilhões e Ebitda recorde de R$ 2,1 bilhões. O desempenho no ano foi impulsionado por ganhos de eficiência e controle de despesas.
Segundo Jeane, o aumento do volume de exames ajuda o Fleury a diluir custos fixos, enquanto iniciativas de digitalização vêm reduzindo despesas operacionais. Entre elas, está a ampliação do agendamento digital, já implementado em diversas marcas do grupo.
“A gente olha toda a jornada do cliente para identificar oportunidades de eficiência operacional, mantendo ao mesmo tempo o padrão de atendimento”, afirmou a executiva.
Aquisições e captura de sinergias
A expansão via aquisições segue como parte relevante da estratégia. Desde 2017, o grupo realizou 22 transações, incluindo a combinação de negócios com o Grupo Pardini em 2023.
Em 2025, o Fleury adicionou novos ativos ao portfólio, como o Hemolab, em Minas Gerais, o Laboratório Confiance, na região de Campinas, e o Laboratório São Lucas, em Rio Claro. Segundo Filippo, o processo de captura de sinergias costuma levar cerca de dois anos após a conclusão das aquisições.
“Existe um grupo dedicado à integração, que executa um plano detalhado para capturar ganhos operacionais e de escala”, disse.
A estratégia recente tem dado prioridade a ativos de análises clínicas, especialmente em regiões próximas às atuais operações, o que permite integração mais rápida às plataformas de processamento do grupo, que hoje analisam mais de 300 milhões de exames por ano.
Embora o histórico de aquisições seja relevante, a administração destaca que o principal motor de expansão continua sendo o crescimento orgânico. No quarto trimestre, o segmento B2C, que responde por 69% da receita, registrou crescimento orgânico de 10,2%.
A marca Fleury, que completa 100 anos em 2026, avançou 8,6% no trimestre e 7,7% no ano, mesmo atuando no segmento premium. Segundo Tsutsui, o desempenho é sustentado por diferenciação em serviços, ampliação de centros especializados e expansão de ofertas como o atendimento domiciliar.
O braço B2B, reforçado após a integração com o Pardini, também segue ganhando relevância. Hoje o Fleury atende mais de 8 mil laboratórios em cerca de 2,2 mil municípios por meio da operação lab-to-lab.
Remuneração ao acionista
Além de investimentos e aquisições, a remuneração aos acionistas segue como prioridade na alocação de capital. Historicamente, o Fleury mantém payout (porcentagem do lucro distribuído a acionistas) elevado, política que a administração indica que deve continuar.
Em 2025, a companhia distribuiu juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos em níveis robustos, inclusive utilizando parte de reservas para antecipar pagamentos antes de mudanças tributárias previstas. “Temos uma geração de caixa forte e uma estrutura de capital saudável, o que nos permite continuar remunerando acionistas”, disse Tsutsui.
Segundo Filippo, a estratégia é manter payout elevado desde que a alavancagem permaneça em níveis confortáveis. O grupo encerrou 2025 com 1 vez na relação dívida líquida/Ebitda.
Setor resiliente apesar do cenário macro
A administração reconhece que o ambiente econômico, marcado por juros elevados e incertezas globais, pode tornar negociações de aquisições mais desafiadoras, especialmente devido ao custo de capital mais alto. Ainda assim, o grupo avalia que o setor de saúde tende a ser menos sensível ao ciclo econômico.
“Saúde é um setor resiliente e essencial, com demanda estrutural ligada ao envelhecimento da população”, afirmou Tsutsui.
Eventos específicos de 2026, como eleições ou a Copa do Mundo, podem alterar a sazonalidade entre trimestres, mas dificilmente impactam a demanda anual por exames e serviços diagnósticos, segundo a CEO.
Com crescimento orgânico consistente, aquisições estratégicas focadas em ganhos de sinergia e geração de caixa robusta, o Grupo Fleury (FLRY3) entra em seu centenário em 2026 buscando equilibrar expansão e retorno ao acionista, duas variáveis que o mercado financeiro costuma acompanhar de perto no setor de saúde. Veja a entrevista na íntegra no player acima, ou clique aqui.