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Educação Financeira

Apagão em SP: quando a Eletropaulo foi privatizada e a Enel assumiu o seu lugar?

Não é a primeira vez que chuvas fortes em São Paulo derrubam a energia da Enel, fazendo muitos reclamarem dos seus serviços

Por Janize Colaço

14/10/2024 | 13:25 Atualização: 15/10/2024 | 7:38

A Eletropaulo foi fundada em 1981, e até 2018 era esse o nome que aparecia nas contas de luz. Depois, chegou a Enel. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A Eletropaulo foi fundada em 1981, e até 2018 era esse o nome que aparecia nas contas de luz. Depois, chegou a Enel. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Há quase 72 horas, diversos bairros da cidade de São Paulo e de outras cidades do Estado estão sem luz, afetando a vida de mais de 500 mil pessoas. A Enel (E1NI34), responsável pelo fornecimento de energia elétrica, tem sido alvo de críticas tanto por parte da população quanto do governo em todas as esferas (federal, estadual e municipal). Afinal, não é a primeira vez que uma chuva forte afeta as operações da empresa – em novembro de 2023 um apagão deixou milhares de paulistanos às escuras por até cinco dias. Isso faz com que muitos se recordassem da sua antecessora: a Eletropaulo.

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  • Veja mais: Procon notifica Enel por fornecimento de energia em SP

Para quem não se lembra, a companhia foi fundada em 1981 e privatizada 18 anos depois, em 1999. Embora se pense que ela fez parte do Programa Nacional de Desestatização (PND), promovido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na verdade foi no âmbito estadual que ocorreu a sua privatização. Foi o então governador do Estado de São Paulo, Mário Covas (PSDB), a incluir a Eletropaulo no Programa Estadual de Desestatização (PED).

Para isso, a companhia precisou ser dividida em quatro: Eletropaulo Metropolitana, Empresa Bandeirante de Energia (EDP Bandeirante), Empresa Paulista de Transmissão de Energia e Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE). O bloco metropolitano, considerado o mais rentável, foi adquirido por R$ 2,026 bilhões pelo consórcio Lightgás, liderado pela AES Corporation.

O que aconteceu com a Eletropaulo e quando a Enel assumiu a energia de SP?

A Eletropaulo foi privatizada com a ideia de melhorar a infraestrutura de distribuição de energia elétrica, que enfrentava dificuldades financeiras e operacionais. O consórcio que adquiriu a companhia era formado pela AES Corporation (11,46%), Houston Industries Energy (11,46%), Électricité de France (EDF) (11,46%) e Companhia Siderúrgica Nacional (7,32%) foi o vencedor.

Em 2001, no entanto, a Houston Industries e a CSN venderam suas participações acionárias para a AES. Já no ano seguinte, em um processo de reestruturação societária, o grupo francês EDF ficou com o controle da Light, enquanto a AES assumiu a Eletropaulo — que passou a ser chamada de AES Eletropaulo até 2018, quando foi comprada pelo Grupo Enel.

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Em junho daquele ano, a multinacional italiana comprou 73,38% da Eletropaulo (122.799.289 de ações), por R$ 5,55 bilhões, em um leilão na B3 (B3SA3). Na época, a gestão do governo estadual era de Márcio França (PSB), que não vendeu sua participação porque os papéis estavam como garantia de uma outra operação financeira. Foi assim que a AES Eletropaulo deixou de existir, dando lugar à Enel Distribuição São Paulo.

Quem são os donos da Enel?

A Enel faz parte de um grupo multinacional que já atuava no setor elétrico, na gestão e operação de sistemas. Ela foi fundada na Itália em 1962, como uma estatal, mas passou por um processo de privatização ao longo das décadas de 1990 e 2000. Hoje, o grupo tem capital aberto, embora o governo italiano detenha participação minoritária (23,6%), e suas ações são negociadas nas bolsas de valores de Milão e de Nova York.

No Brasil, a Enel possui também operações de distribuição de energia no Rio de Janeiro e no Ceará. Somente em São Paulo, a companhia que atua no lugar que era antes da Eletropaulo atende 7,5 milhões de unidades consumidoras, em 24 municípios da região metropolitana, respondendo por 70% da energia distribuída no estado.

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