Diversos bancos e fintechs já disponibilizam o serviço das “caixinhas” nos aplicativos, como a Nubank, Inter, Mercado Pago, Itaú, entre outros. Nessa modalidade, o investidor consegue se organizar financeiramente por meio de “envelopes” digitais, em que o usuário pode escolher quanto dinheiro deseja guardar na categoria, por exemplo, de emergência ou viagem). Além disso, o ciente também pode deixar o dinheiro rendendo em CDBs de liquidez diária .
Segundo Gabriel Giannoni, diretor de operações do Mêntore, esse produto reúne tudo o que o investidor iniciante busca: “O CDB se destaca por combinar segurança, rendimento, facilidade e acessibilidade. Em um país onde a educação financeira ainda está em desenvolvimento, produtos como o CDB funcionam como uma excelente porta de entrada para o mundo dos investimentos”, diz.
O apelo aumenta com a possibilidade de começar a investir com valores baixos, muitas vezes a partir de R$ 1, além da proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoa Física (CPF) e por instituição.
Para Fernando Lamounier, educador financeiro e sócio-diretor da Multimarcas Consórcios, o erro mais comum entre iniciantes é justamente não entender o que está comprando. “Muitos investem sem conhecer o emissor do título ou sem compreender os diferentes tipos de indexadores, como os prefixados, os pós-fixados e os atrelados ao IPCA+ [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo]”, alerta.
Isso se agrava quando o investidor ignora o prazo e a liquidez do produto — dois elementos que devem ser considerados com muito cuidado. Comprar um CDB com vencimento longo e sem liquidez, por exemplo, pode ser um erro para quem ainda não tem reserva de emergência formada.
Nesse sentido, os especialistas recomendam começar pelo mais seguro: o CDB com liquidez diária, que permite o resgate a qualquer momento e é ideal para compor a reserva de emergência. “Mesmo com uma rentabilidade um pouco menor que os de longo prazo, ele oferece a vantagem da liquidez — essencial para quem pode precisar do dinheiro de forma rápida”, destaca Lamounier.
Já Giannoni ressalta que esse tipo de CDB “democratiza o acesso” e tem sido aprimorado pelas próprias instituições financeiras, que já oferecem até mesmo aplicações automáticas em saldos de conta.
Quando o investidor estiver mais confortável ou já tiver uma reserva formada, pode buscar CDBs com prazos mais longos e rentabilidade superior. “Quanto maior o prazo, maior tende a ser a taxa oferecida, já que o banco ‘compra’ o seu compromisso de deixar o dinheiro parado até o vencimento”, explica Lamounier. Ainda assim, é fundamental ter consciência de que esse dinheiro ficará “travado” até a data acordada.
Giannoni reforça a importância de avaliar bem o banco emissor, sugerindo dar preferência a instituições médias ou grandes e sempre considerar o rendimento real, descontando inflação e Imposto de Renda.
Outro ponto de atenção é a diversificação. Mesmo com pouco dinheiro — como R$ 1 mil — o ideal é distribuir o valor entre diferentes CDBs, mesclando prazos e instituições. Isso reduz riscos e permite ao investidor se beneficiar de boas oportunidades sem comprometer sua flexibilidade financeira.
A comparação com a poupança ainda é inevitável. Embora o CDB esteja sujeito à tributação, sua rentabilidade costuma ser muito mais vantajosa, principalmente em períodos de Selic elevada. Para Giannoni, essa diferença compensa: “Mesmo com o IR, o CDB costuma pagar perto de 100% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) ou mais, enquanto a poupança rende apenas cerca de 70% do CDI mais TR”. afirma.
Para quem está começando a investir, organizar esses primeiros passos pode parecer desafiador, mas ferramentas simples como as “caixinhas de investimento” ajudam a tornar esse processo mais intuitivo e eficiente. Ao permitir que o investidor iniciante relacione cada objetivo financeiro a um tipo específico de aplicação, como os CDBs de liquidez diária, as caixinhas funcionam como uma ponte entre a teoria e a prática do planejamento financeiro. Elas oferecem não apenas praticidade na hora de separar o dinheiro por metas, mas também promovem uma experiência mais visual, personalizada e consciente, tornando-se, assim, o caminho ideal para quem deseja começar a investir com segurança, propósito e disciplina.