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Colunista

Garanta renda extra até dormindo: 17 ações para ganhar dividendos todo mês

O mercado se divide entre dividendos mensais baixos e dividendos trimestrais mais robustos. Qual formato traz mais benefício para o investidor?

Por Katherine Rivas

08/07/2025 | 12:55 Atualização: 08/07/2025 | 23:51

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Dividendos da semana: Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11) lideram pagamentos
(Foto: Adobe Stock)
Dividendos da semana: Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11) lideram pagamentos (Foto: Adobe Stock)

Quem nunca sonhou em receber uma renda extra todo mês sem precisar trabalhar mais ou empreender? Essa é a proposta dos investimentos focados em dividendos: seu dinheiro rende até enquanto você dorme.

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Para quem busca renda passiva recorrente, há várias opções na Bolsa com fluxo mensal de pagamento, como os Fundos Imobiliários (FIIs), Fiagros e até alguns ETFs (fundos de índice). Mas as minhas favoritas são as ações. E não apenas por tornarem o investidor sócio de empresas, mas por outros motivos bem relevantes.

A principal diferença está na forma como cada produto distribui lucros. FIIs e Fiagros são obrigados a repassar quase 100% do lucro aos cotistas. Já nas ações, cada empresa define seu próprio payout — ou seja, quanto do lucro vai virar provento.

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Na prática, isso muda tudo. Fundos precisam captar recursos no mercado para crescer. Ações, não. As empresas podem reinvestir parte dos lucros e crescer com recursos próprios, sem pedir dinheiro ao investidor. Resultado: o acionista se beneficia tanto da valorização quanto da distribuição de proventos no longo prazo.

Por isso, montei um calendário considerando o histórico de dividendos pagos por algumas empresas nos últimos dez anos e com ajuda das áreas de Relações com Investidores das companhias. A seguir, apresento uma lista com 17 ações que podem garantir uma renda mensal na sua conta, se você intercalar os pagamentos.

Dividendos mensais

No universo das ações, a frequência dos pagamentos é variada e tem para todos os gostos. Algumas empresas pagam dividendos todos os meses, geralmente em valores menores, com um calendário definido no início do ano ou do trimestre.

É o caso de bancos tradicionais como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4) e Banestes (BEES3), que costumam distribuir juros sobre capital próprio (JCP) mensalmente. Além disso, alguns ainda reforçam essa remuneração com dividendos adicionais no começo do ano seguinte. O Itaú, por exemplo, adota essa prática com frequência.

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O Bradesco também se destaca pelas bonificações: em abril, costuma entregar uma nova ação a cada dez que o investidor possui (10%), mas já chegou a bonificar em 20%. Em meses como março e junho, o banco ainda paga JCPs complementares ou intermediários, somando duas remunerações no mesmo mês.

Mais cíclicas

No passado, os dividendos mensais eram exclusividade do setor bancário. Mas, nos últimos anos, companhias de outros segmentos passaram a adotar a prática como forma de atrair investidores pessoa física, fidelizar acionistas e aumentar a liquidez das ações.

Setores não tradicionais, como construção civil, shoppings e alimentos, começaram a distribuir proventos com frequência mensal. Em alguns casos, isso até virou política oficial, como na M. Dias Branco (MDIA3), dona de marcas como Piraquê, Adria e Vitarella.

A empresa começou os pagamentos mensais em abril de 2025, no valor de R$ 0,03 por ação. Os pagamentos podem ocorrer tanto em dividendos como em JCP. Mas no ano de 2025 serão apenas dividendos.

Além destes, em abril de 2026, haverá uma distribuição complementar. O objetivo é pagar 80% do lucro distribuível, após reservas legais e incentivos fiscais.

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A JHSF (JHSF3), incorporadora de alto padrão, foi uma das primeiras a iniciar essa prática de remuneração recorrente das empresas cíclicas em 2023, com pagamentos mensais entre R$ 0,04 e R$ 0,05 por ação. A partir de 2024, normalizou em R$ 0,03. Os valores estão programados até dezembro de 2025, mas a empresa não atualizou sua política. Segundo me explicou a própria companhia, a política atual prevê a distribuição de 25% do lucro líquido, mas costuma pagar mais, e os valores de 2026 ainda serão definidos pela administração.

Allos (ALOS3), do setor de shoppings, também adotou a prática mensal desde outubro de 2024. Os pagamentos, que podem ser via dividendos ou JCP, são aprovados trimestralmente, sempre para os três meses seguintes. A ideia é manter disciplina financeira e transparência. Para 2025, os pagamentos estão confirmados até setembro. A continuidade em 2026 dependerá do desempenho da empresa e do cenário econômico.

A Mitre (MTRE3), incorporadora voltada à média e alta renda, adota uma dinâmica semelhante. Os pagamentos mensais utilizam o lucro acumulado do trimestre anterior e seguem programados até setembro. A deliberação sobre os próximos pagamentos será feita em agosto. A expectativa da empresa é manter o ritmo até dezembro. A Mitre prefere trabalhar com uma prática recorrente, não com uma política formal, diante da sua ciclicidade. Ainda assim, a política da empresa permite a distribuição de até 50% do lucro anual.

Pontos controversos

Embora o pagamento mensal de dividendos esteja ganhando espaço na Bolsa, nem todos os agentes de mercado enxergam essa prática com bons olhos. Algumas empresas argumentam que o custo de operacionalizar distribuições mensais é elevado diante do benefício que oferecem aos acionistas, já que os valores por ação costumam ser baixos. A Odontoprev (ODPV3), por exemplo, prefere remunerar os investidores duas ou mais vezes ao ano, por esse motivo.

Entre os analistas, a percepção também é dividida. Bruno Oliveira, do Vida de Acionista, destaca que o problema não está na frequência, mas no modelo adotado por algumas companhias cíclicas que fixam um valor mensal e, com isso, correm o risco de comprometer sua saúde financeira.

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Para ele, o ideal seriam pagamentos mensais com valores variáveis que acompanhem a geração de caixa da empresa. Apesar disso, ele também minimiza o efeito psicológico de receber proventos todos os meses. Segundo ele, os valores nominais são tão baixos que dificilmente representam impacto real na renda dos investidores.

“É uma dose homeopática. O investidor precisaria ter um patrimônio enorme para que esses proventos mensais façam diferença”, comenta. Em muitos casos, ele considera mais vantajoso receber um valor maior a cada trimestre do que pequenos depósitos mensais.

Outras alternativas 

A frequência de pagamento não deve ser o critério principal na hora de escolher ações para sua carteira. Mais importante é avaliar a qualidade do negócio, sua resiliência, a perenidade do setor em que atua e o histórico de resultados.

Nem toda boa pagadora remunera mensalmente. Algumas das companhias mais consistentes distribuem proventos trimestrais ou semestrais. A holding Itaúsa (ITSA4), por exemplo, paga quatro JCPs ao ano — em janeiro, abril, julho e outubro — e dois dividendos complementares, geralmente em fevereiro e agosto.

O Banco do Brasil (BBAS3) também tem disciplina na remuneração. São oito pagamentos por ano, com datas já definidas para março, junho, setembro e dezembro em 2025. O banco costuma divulgar no começo do ano seu calendário de pagamentos.

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Entre as seguradoras, Caixa Seguridade (CXSE3) costuma pagar dividendos trimestrais — em janeiro, maio, agosto e novembro — e a BB Seguridade (BBSE3), semestrais, em fevereiro e agosto.

A Aura Minerals (AURA33), por sua vez, tem nova política trimestral e distribui dividendos em fevereiro, maio, agosto e novembro.

Combinando essas datas, o investidor consegue construir uma carteira que paga proventos praticamente o ano todo, mesmo com empresas que não remuneram mensalmente.

Quer ver alguma empresa pagadora de proventos no Raio-X da coluna Dividendo à Vista? Envie sua sugestão para mim: [email protected]

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