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Educação Financeira

Como é feita a gestão patrimonial de famílias milionárias?

Os family offices reúnem profissionais dedicados a preservar o patrimônio de uma família, fazer o bolo crescer e garantir sua sucessão.

Por Iuri Gonçalves

05/10/2023 | 17:45 Atualização: 05/10/2023 | 18:02

Serviço de gestão patrimonial é focado em milionários (Foto: Shutterstock)
Serviço de gestão patrimonial é focado em milionários (Foto: Shutterstock)

O caso Larissa Manoela rendeu muitas discussões sobre gestão de patrimônio familiar neste ano. Em casos que envolvem ‘os mais ricos’, a gestão de patrimônio, como investimentos, veículos, obras de arte, jóias e imóveis, pode ser facilitada por meio dos chamados family offices.

Leia mais:
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Os family offices são prestadoras de um tipo de serviço de gestão patrimonial — ou wealth management, como se diz no mercado. A tradução livre do termo para português seria algo como “escritórios de família” — o que já indica qual a intenção desse tipo particular de gestão.

Estes escritórios reúnem diversos profissionais dedicados a preservar o patrimônio de uma família, fazer o bolo crescer e garantir sua sucessão.

  • Entenda o que o caso Larissa Manoela diz sobre gestão financeira de crianças e adolescentes.

De fato, não é qualquer família que acessa um family office. Estes serviços normalmente são procurados por pessoas com patrimônio a partir de R$ 50 milhões, segundo Tomás Jordan Zakia, CEO da WIT (Wealth, Investments & Trust). No entanto, já existem possibilidades de modelos de family office com estrutura eficiente administrando fortunas a partir de R$ 10 milhões.

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Esse tipo de serviço de gestão se diferencia de outros produtos similares. “O que diferencia um family office das corretoras, bancos e assets é que ele é voltado a problemas adicionais relacionados ao patrimônio”, explica Zakia. A sucessão patrimonial e a governança de empresas da família, por exemplo, podem ser fruto de trabalho dos escritórios.

Para tanto, um family office não é composto apenas por gestores e analistas. Profissionais como economistas, advogados, contadores e gestores de recursos são alguns dos que normalmente compõem o quadro de especialistas.

Qual é a autonomia de um gestor family office?

Quando se fala exclusivamente sobre a gestão de recursos da família, e não de questões jurídicas ou contábeis, os gestores de family offices são limitados às regras de gestões de fundos estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Se essa família estiver dentro de um fundo exclusivo no family office, de uma gestora que atua para family offices, que coloca a liquidez do cliente toda dentro de um fundo, tem as limitações da regulamentação CVM de fundos de investimentos”, aponta Zakia.

Leia também: Veja dicas para gestão do patrimônio de filhos.

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Os family offices, no entanto, não lidam apenas com ativos líquidos, como investimentos e dinheiro, mas também com os chamados ilíquidos, como imóveis, objetos, obras de arte e similares. A dúvida que pode ficar: eles podem simplesmente vender um bem físico? Na maioria das vezes, os clientes participam das decisões. Ainda em casos excepcionais, nos quais os clientes dão maior autonômica ao gestor, sempre deverá haver procuração para fazer as movimentações.

Quanto custa um family office?

Segundo a Genial Investimentos, a remuneração do family office varia em cada caso, mas normalmente as taxas de serviço são definidas em acordo com a família. Há a possibilidade de ser uma taxa fixa, cobrada por um período de horas trabalhadas pelos funcionários da gestora, ou uma taxa percentual dos lucros advindos dos ativos administrados — também podem haver casos em que o modelo é um híbrido desses dois tipos de cobrança.

O cofundador da L4 Capital, Pedro Lafraia, explica que os Family Offices trabalham por meio de uma taxa que incide sobre o patrimônio administrado. “Essa taxa varia de 0,2% a 1%, a depender do volume”, ressalta.
Ele destaca que o Family Office enxerga o patrimônio como um legado a ser preservado, e não como um prêmio. “Nesse formato, quanto maior o patrimônio administrado, a taxa cobrada fica menor”, diz.

Entretanto, pode haver a cobrança de uma taxa variável que seria a performance sobre o benchmark, ou seja, algo em torno de 20% do que ficar acima do Ibovespa.

Das formas de remuneração:

  • Taxa Variável, com base no patrimônio administrado;
  • Taxa Fixa;
  • Taxa Variável menor, com performance abarcada.

Perfil

Já Leony Alexandre afirma que o perfil de quem procura um Family Office é de alguém que busca blindagem patrimonial, ou melhor eficiência tributária na transmissão desses bens, e até quem se atém a outras geografias, como no caso das offshores. Ele é consultor de investimentos e sócio da L4.

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“Das vantagens, eu posso citar a isonomia, uma vez que o Family Office é remunerado diretamente pelo cliente, e não por rebate e comissão de produto. Outra vantagem é o acesso a classes de ativos mais sofisticados e com uma curadoria bastante profunda, tanto local quanto internacional”, indica.

Em relação à exposição offshore, esta oferece uma classe de ativos direcionada a investidores qualificados, como private equity e fundos.

Os executivos da L4 frisam que a administração de um Family office pode ser feita de duas formas:

  • Via carteira administrada, com o Family Office tendo poder discricionário, outorgado pelo cliente para fazer a gestão desse recurso;
  • Via consultoria, onde o cliente recebe as recomendações do Family Office e executa as recomendações.

Identificação de necessidades

De acordo com André Sandri, gestor da Wohlke investment Group, um dos passos mais importantes na busca de um family office é a identificação de necessidades, que parte do cliente e pode ter apoio de um consultor ou analista.

Ele explica que a Wohlke cobra apenas a taxa de performance, mas há casos em que há uma estrutura de taxas híbridas.
Dos pontos positivos do family office, ele cita os serviços ajustados às especificidades de cada família, e pontua que o serviço pode proporcionar educação financeira aos jovens.

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