

A alta da taxa Selic de 9,25% para 10,75% após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira (2), impacta o bolso de milhares de brasileiros. Enquanto investidores da renda fixa se animam com os dois dígitos da taxa básica de juros, aqueles que pretendem tomar algum tipo de crédito sofrem.
O mês de dezembro de 2021 fechou com mais de 63,9 milhões pessoas inadimplentes, com um valor médio de R$ 3,9 mil em dívidas por pessoa, segundo dados da Serasa. O volume total de dívidas do mês foi de R$ 252 bilhões.
Como a Selic afeta o crédito?
A planejadora financeira Fernanda Melo, da Planejar (Associação Brasileira do Planejamento Financeiro), explica que quem fez um financiamento há exatamente um ano, em fevereiro de 2021, com a Selic a 2%, em sua mínima histórica, conseguiu um bom negócio. Mas neste ano os juros tornam financiamentos e empréstimos bastante caros e, segunda a especialista, a tendência é aumentar.
As formas mais comuns de crédito, como financiamento de imóveis e de automóveis, por exemplo, têm os juros pré-fixados, ou seja, já estabelecidos de acordo com a Selic da época do empréstimo. Por isso, o aumento ou a redução da taxa básica de juros não afetam essas dívidas, caso já tenham sido tomadas. “O problema aparece para créditos pós-fixados indexados à Selic ou para quem deseja tomar algum crédito a partir de agora”, explica Melo.
Os piores tipos de crédito
A Pesquisa Endividamento 2021, que é realizada anualmente pela Serasa, mostrou que o cartão de crédito é o principal tipo de dívida entre os inadimplentes, com 53% das respostas. Entre os entrevistados, 19% relataram terem contraído dívidas por meio do cheque especial (uso de um valor superior ao disponível na conta corrente). Ambas as formas, juntamente com o empréstimo para negativados, compõem a lista de créditos com as maiores taxas de juros do mercado.
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Melo explica que o parcelamento de faturas do cartão de crédito (ou o atraso do pagamento) e o uso do cheque especial são destinados ao uso emergencial, por curtos períodos, mas por serem fáceis e simples, muitos brasileiros optam por utilizá-los com frequência ou por períodos indeterminados. Nesses casos, se não for possível evitar o empréstimo, o recomendado é escolher formas planejadas e mais baratas, como o crédito consignado, por exemplo.
Como renegociar dívidas?
“Nesse início de ano, existem algumas propostas para renegociação. Essa é uma boa oportunidade para pessoas inadimplentes buscarem quitar suas dívidas”, afirma Melo. Para micro e pequenos empreendedores, o Programa de Regularização do Simples Nacional e o Edital de Transação do Contencioso de Pequeno Valor do Simples Nacional oferecem condições de desconto e parcelamento e permitem a regularização das dívidas com entrada de 1% do valor.
Para pessoas físicas e jurídicas, a Serasa oferece um serviço para limpar o nome através de seu site ou aplicativo. Além da versão on-line, a instituição também organiza ‘Feirões Limpa Nome’, eventos físicos com ofertas para pessoas endividadas quitarem suas dívidas. As datas e locais dos feirões são divulgados por meio das redes sociais da Serasa.
Além disso, outra opção para aqueles que possuem empréstimos ou financiamentos com bancos é negociar diretamente com a instituição financeira melhores condições e, se possível, diminuindo a quantidade de parcelas ou quitando a dívida com um bom desconto.
É possível também realizar a portabilidade da dívida para outro banco. Esta costuma ser uma boa opção para conseguir condições melhores e juros mais baratos, e não há a cobrança de taxas para a transferência, nem a necessidade de abrir uma conta corrente na instituição.
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Melo ressalta ainda a importância de se planejar financeiramente para evitar novas dívidas, ainda mais com a Selic tão alta. Para isso, é fundamental ter uma reserva de emergência e evitar pagar produtos e serviços de forma parcelada.