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Educação Financeira

EUA ou Europa? Com alta do dólar, veja onde vale mais a pena viajar

Com a moeda norte-americana no maior patamar desde dezembro de 2021, as transações em euro crescem no Brasil

Por Cecília Mayrink

29/06/2024 | 8:19 Atualização: 28/06/2024 | 21:05

Veja quais são os países mais buscados para viajar em junho (Foto: Adobe Stock)
Veja quais são os países mais buscados para viajar em junho (Foto: Adobe Stock)

O câmbio entrou nos holofotes dos brasileiros nas últimas semanas devido à disparada do dólar americano. Na sexta-feira (28), a moeda encerrou o dia cotada a R$ 5,58, no maior patamar desde dezembro de 2021. Vários fatores têm influenciado o sobe e desce  nos últimos dias. No exterior, estão no radar os dados de inflação nos Estados Unidos e a expectativa sobre o futuro da taxa de juros. No Brasil, a semana foi impactada por declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que inclusive chegou a dizer que o dólar estava passando por “ataques especulativos”.

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As projeções para o câmbio ao final de 2024 começaram a ser revisadas. Em janeiro, por exemplo, a expectativa era de que o dólar fechasse o ano na casa dos R$ 5, mas a tese tem cada vez menos respaldo no mercado. A última edição do Boletim Focus trouxe uma expectativa de R$ 5,13.

Sendo assim, outra moeda está ganhando protagonismo no momento: o euro. Segundo levantamento realizado pela Travelex Confidence, com dados de maio deste ano, a divisa da União Europeia superou o dólar americano nas transações e apresentou um crescimento de 3% em relação ao mês anterior.

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Esse movimento pode ser atribuído a vários fatores. De acordo com Jorge Arbex, diretor do Grupo Travelex Confidence, um motivo que explica o cenário é a diversificação das carteiras dos investidores. Em reflexo das incertezas econômicas globais, há uma tendência de o investidor optar por uma moeda menos volátil.

EUA x Europa: onde vale mais a pena viajar

Diante da instabilidade no cenário econômico, quem decidir planejar uma viagem para Europa está exposto a menos surpresas relacionadas à volatilidade, fugindo um pouco dos altos picos na cotação. Sendo assim, Ana Rosa Vilches, diretora de Projetos Especiais da DSOP Educação Financeira, aponta que a divisa europeia pode ser uma alternativa mais atraente neste momento em relação ao dólar.

Dessa forma, escolher um destino que use uma moeda como o euro é uma opção maisw vantajosa para o viajante, uma vez que isso pode evitar maiores impactos financeiros. “A moeda do país escolhido pode interferir muito nos gastos durante as estadias e, por isso, o dólar está se tornando uma opção menos interessante em termos de estabilidade”, diz Vilches.

Em países como a Inglaterra, França e Suíça, os custos são mais elevados. Sendo assim, é interessante considerar destinos como a Espanha e Portugal como opções de destinos que podem ser mais econômicos no continente. Segundo levantamento da KAYAK, por exemplo, o preço médio de passagens para Madri em junho deste ano é de R$3.041, enquanto para Londres, o valor é de R$6.060.

Ainda assim, vale lembrar que como o dólar americano é utilizado no comércio internacional, ele impacta diretamente na valorização ou depreciação do mercado de câmbio em geral. Ou seja, mesmo que o viajante decida ir para a Europa, ou outro continente, é possível observar algum impacto na cotação de outras moedas.

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Existem, contudo, outros destinos que podem estrar no radar do viajante cujo câmbio é mais favorável. Fábio Cabral, planejador financeiro CFP pela Planejar, explica que lugares como a Argentina, Turquia, Rússia, Colômbia, África do Sul, Indonésia e Tailândia podem ser considerados quando o objetivo for fugir da alta expressiva do dólar.

Cabral aponta ainda que existe outra forma de calcular o poder de compra do real para gastar em destinos internacionais: “O mercado utiliza um índice conhecido como Índice Big Mac, que nada mais é do que a comparação de quanto custa um Big Mac em cada país conforme seu poder de compra”.

A última edição do índice foi divulgada em janeiro deste ano. Quem lidera o ranking é a Suíça, sendo o país com o sanduíche mais caro do mundo e onde é necessário desembolsar 7,10 francos suíços para fazer a compra, o que corresponde a R$ 44,18 na cotação atual. Já nos Estados Unidos, o hambúrguer sai por US$ 5,69 (R$ 31,83). O lugar que tem o lanche mais barato do mundo é Taiwan, que custa 75 novos dólares taiwaneses, o equivalente a R$ 12,90.

Contudo, se o viajante ainda assim desejar ir para os Estados Unidos, um ponto importante a se considerar durante o planejamento são os estados com maiores e menores taxas de impostos. Segundo o Tax Foundation, uma organização sem fins lucrativos que atua há 80 anos com coleta e pesquisa de dados sobre tributos ao redor do mundo, os cinco estados com as maiores taxas são Louisiana, Tennessee, Arkansas, Washington e Alabama. Caso o orçamento esteja apertado, considere alguma cidade de um dos cinco estados com as menores taxas. São eles: Alasca, Havaí, Wyoming, Maine e Wisconsin.

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Independentemente de escolher uma cidade dos Estados Unidos ou da Europa, o viajante pode adotar diferentes estratégias para economizar. Uma delas é estudar as opções de estadia em plataformas como o Airbnb ou Booking em vez de hotéis tradicionais. Os preços tendem a serem mais baratos, além de que, ao ficar em um apartamento ou casa, não é necessário gastar tanto em restaurantes e pode-se fazer alguma refeição no espaço alugado.

Outra possibilidade é avaliar os pacotes de viagens, uma vez que existem opções de comprar de uma só vez as passagens aéreas, a estadia e, em alguns casos, entradas para passeios.

Planejar a viagem com antecedência pode evitar maiores prejuízos

Uma vez que o mercado de câmbio é volátil, o planejamento prévio para uma viagem internacional é essencial e pode evitar maiores riscos e até mesmo prejuízos financeiros.

Fábio Cabral explica que existem mecanismos que podem ajudar a proteger o viajante. O primeiro deles é a aquisição de cartões de crédito ou contas internacionais para comprar o dólar comercial. Em uma casa de câmbio tradicional, por exemplo, o 1 dólar é equivalente a R$ 5,88 (considerando o valor de fechamento da sexta-feira (28); nas contas como Wise e Avenue, o valor cai para R$ 5,7.

Atualmente, existem 175 instituições cadastradas no Banco Central para comprar o dólar comercial em vez do de turismo, uma vez que este ainda sai mais caro. Desse modo, procurar uma empresa que realize operações desse tipo pode ser uma estratégia interessante para o futuro viajante. Veja a lista completa aqui.

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Cabral reforça ainda a importância de se planejar com antecedência e comprar – dólares ou euros – aos poucos. Ou seja, se a viagem está programada para acontecer dentro de 6 meses, é interessante comprar uma quantia agora, outra parcela no próximo mês e assim por diante.

Para isso, é recomendável fazer uma previsão de quanto dinheiro será gasto no país e dividi-lo pelo número de meses que ainda faltam para viagem, de modo a comprar uma parte do montante total por mês.

Arbex, do Grupo Travelex, enfatiza que a compra gradual pode ajudar a obter uma média de câmbio mais favorável e reduzir o impacto de eventuais picos de alta na cotação. A fim de facilitar esse processo, ele diz que uma opção interessante é o câmbio programado, em que a pessoa pode escolher um valor em reais a ser desembolsado mensalmente e, ao final do período, resgatar o valor total em moeda estrangeira. Isso ajuda a evitar surpresas no orçamento e a planejar uma viagem com mais tranquilidade.

Europa nos holofotes dos viajantes

A busca por passagens aéreas para a Europa também tem aumentado. Segundo levantamento realizado pelo KAYAK, a capital portuguesa, Lisboa, lidera o ranking de destinos mais procurados para viajar em junho. O preço médio para o mês é de R$ 5.348. O segundo lugar da lista é ocupado por Buenos Aires, na Argentina, cujas passagens apresentam um preço médio de R$ 1.740. Em terceiro lugar está Santiago, Chile, na faixa dos R$ 1.313.

No total, entre os 10 destinos internacionais mais procurados, 5 são países da Europa, 2 da América Latina e 3 são cidades dos Estados Unidos.

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O preferência pela Europa também está ligada ao período de férias escolares em julho, que tradicionalmente eleva a demanda por viagens. Neste ano, a proximidade dos Jogos Olímpicos de Paris também tem impulsionado significativamente o turismo europeu.

Em comparação a maio deste ano, o interesse pelos destinos seguem os mesmos, variando apenas a ordem e os preços médios das passagens. Naquele mês, quem formava o Top 3 do ranking era Buenos Aires (1º), Lisboa (2º) e Miami (3º).

O fato de que os destinos tenham permanecido os mesmos indica que, por mais que a maioria das cidades de interesse sejam europeias, as recentes altas do dólar não parecem impactar no desejo dos viajantes de conhecer algumas das cidades mais populares dos Estados Unidos. É o que diz Gustavo Vedovato, gerente do KAYAK no Brasil.

Confira os 10 destinos internacionais mais buscados para viajar em junho

DESTINOS PREÇO MÉDIO PARA JUNHO 2024 NO KAYAK
Lisboa, Portugal R$5.348
Buenos Aires, Argentina R$1.740
Santiago, Chile R$1.313
Miami, Estados Unidos R$3.555
Madrid, Espanha R$3.041
Orlando, Estados Unidos R$4.001
Paris, França R$5.488
Roma, Itália R$5.669
Nova York, Estados Unidos R$4.732
Londres, Reino Unido R$6.060

* O levantamento foi realizado no dia 24 de junho de 2024, na base de dados do KAYAK no Brasil, considerando buscas por voos de ida e volta, em classe econômica, de todos os aeroportos do Brasil, para todos os aeroportos do mundo. Como datas de buscas foram consideradas de 20/12/2023 a 20/06/2024.   

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