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Educação Financeira

Finanças a dois funciona? Veja quatro dicas para ajudar os casais

Uma pesquisa do IBGE mostra que 57% dos divórcios realizados no Brasil são motivados por problemas financeiros

Por Luíza Lanza

10/06/2022 | 17:48 Atualização: 10/06/2022 | 17:53

Planejamento pode ajudar a evitar que o dinheiro seja motivo de briga entre os casais. (Foto: Envato)
Planejamento pode ajudar a evitar que o dinheiro seja motivo de briga entre os casais. (Foto: Envato)

O fim de semana vai ser movimentado para os apaixonados com a chegada do Dia dos Namorados no domingo (12). No Brasil, o dia 12 de junho foi instituído originalmente para fins comerciais depois do sucesso de uma campanha publicitária criada na década de 40 para aquecer as vendas do comércio no mês de junho. Mas a ideia caiu no gosto popular que, claro, não recusaria um dia para celebrar o amor.

Leia mais:
  • ‘A inflação é a maior inimiga do amor’, diz Ana Paula Hornos
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Dividir a data – e a vida – com alguém passa por compartilhar também bons momentos, projetos pessoais, sonhos e, inevitavelmente, as finanças. Desde o início de um relacionamento surgem as pequenas questões envolvendo o dinheiro: o presente em datas comemorativas como o Dia dos Namorados e quem vai pagar as contas dos encontros e das viagens, entre outras situações comuns.

Embora possa parecer estranho colocar o dinheiro em pauta quando o assunto é amor, não tem como fugir dessa discussão. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 57% dos divórcios realizados no País na última década foram motivados por problemas financeiros.

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“O dinheiro é carregado de simbologias e significados pessoais. Cada indivíduo do casal traz sua bagagem afetiva e simbólica em assuntos financeiros, que podem gerar conflitos quando não entendidos, validados ou quando estão desalinhados e em direções distintas a partir da história e das experiências de vida de cada um”, explica Ana Paula Hornos, especialista em finanças e comportamento e colunista do E-Investidor.

Em um período de inflação alta, com o poder aquisitivo da população sob pressão, manter o planejamento em dia pode ser ainda mais difícil para os casais. Para evitar que a falta de diálogo e planejamento financeiro gere problemas no futuro, o E-Investidor ouviu especialistas para reunir orientações que ajudam a tornar o relacionamento mais saudável também do ponto de vista das finanças pessoais.

Com diálogo e transparência é possível planejar o orçamento em conjunto, colocando metas em comum no centro e respeitando a individualidade do outro. Confira:

Converse sobre dinheiro

A primeira dica passa por um ponto fundamental para o desenvolvimento de qualquer relação: o diálogo. Conversar sobre dinheiro abertamente vai ajudar a entender os cenários em que os dois se encontram e como sincronizá-los. Desde quanto cada um recebe, seus custos de vida, até os objetivos pessoais e comuns ao casal.

“Dinheiro não pode ser um tabu. Faz parte da vida e precisa ser conversado com clareza. Quando o casal está planejando a união, precisa pensar e refletir sobre esse pilar da vida, o financeiro, para não gerar depois estresses desnecessários em uma futura gestão familiar”, orienta Eliane Tanabe Deliberali, planejadora financeira pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar).

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A especialista Ana Paula Hornos dá ainda um outro conselho: esteja disposto a escutar o parceiro. “Conflitos não podem nem devem ser evitados, eles precisam ser mediados, negociados, resolvidos e gerenciados. Conversar de forma empática, ter uma escuta ativa e de fato buscar uma compreensão profunda dos sentimentos de seu par é um excelente ponto de partida para uma comunicação amorosa”, diz.

Combine a divisão dos gastos

Já ouviu aquele ditado que diz que o combinado não sai caro? Pois é. Ele também vale para os relacionamentos.

Um dos assuntos que precisam ser abordados durante a conversa sobre dinheiro é a relação entre ganhos e gastos – principalmente para aqueles que moram juntos e precisam dividir as despesas domésticas. “Assumir o compromisso conjunto de fazer esse exercício de planejamento é o primeiro passo. Com data e hora marcada, e com recorrência, monte o orçamento coletivo para ter a visão do todo”, orienta Hornos.

Luiz Gustavo Stachowoski, consultor financeiro da fintech Leve, focada em bem-estar financeiro, destaca que é muito importante entrar em um acordo sobre a divisão de contas, mas que isso pode ser feito de diversas maneiras.

Pode-se, por exemplo, juntar o dinheiro recebido por ambos, pagar todas as contas e o restante direcionar para os objetivos em conjunto e individuais. Outra maneira é dividir os gastos comuns de forma proporcional à renda. Nesse caso, o casal precisa estar na mesma página e saber quanto ganha cada um.

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“Por exemplo: a renda do casal totaliza R$ 10 mil reais, onde um recebe R$ 6 mil e o outro recebe R$ 4 mil. Nesse caso, a pessoa A vai pagar 60% do total das contas e a pessoa B, 40%. Independente da forma escolhida, o importante é sempre haver diálogo para que ninguém se sinta prejudicado ou injustiçado”, diz Stachowoski.

Respeite a individualidade do outro

Tão importante quanto ter uma conversa franca para dividir despesas e gastos entre o casal é respeitar a individualidade do outro para com o próprio dinheiro.

Ter um valor por mês para gastar com aquilo que deseja faz parte dos bons hábitos para a saúde financeira do casal. Mas é fundamental que isso também seja definido em conjunto, aconselha Stachowoski.

Esse também é o conselho na Planejar: “Cada um tem suas individualidades e é preciso ter espaço para isso também. Do contrário, a pessoa fica muito restrita financeiramente para fazer algumas coisas que gosta e até precisa”, diz Eliane Tanabe Deliberali. Para a planejadora, deixar o coração de lado e ser racional nesta parte pode ajudar.

Alinhe sonhos e objetivos

Em relacionamento, é muito importante que o casal esteja alinhado quanto aos sonhos e objetivos a serem alcançados juntos. E, em um mundo onde não é possível fugir do dinheiro, ele também precisa entrar nessa equação.

“Ter objetivos financeiros em conjunto ajuda não só na organização das finanças para os ambos e o planejamento do futuro a dois, como também fortalece a própria relação. Liste os objetivos e defina prioridades no curto, no médio e no longo prazos”, diz Luiz Gustavo Stachowoski.

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