Esse tipo de golpe tende a crescer durante a temporada do IR porque há um aumento significativo na circulação de dados pessoais e bancários, o que amplia as oportunidades para fraudes. Além disso, muitos contribuintes ficam inseguros com as regras da declaração, o que facilita a ação dos criminosos que exploram essa vulnerabilidade.
“A principal arma do cidadão e das empresas contra a fraude é a informação. Os golpistas usam a engenharia social para criar um senso de imediatismo que anula o bom senso. É fundamental que o contribuinte saiba que a Receita Federal não entra em contato por e-mail ou WhatsApp para solicitar senhas, pedir que cliquem em links ou cobrar taxas via Pix”, explica Felipe Tambelini, diretor de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco.
Os golpistas se passam pela Receita Federal, por escritórios de contabilidade e até por advogados. Em muitos casos, utilizam nomes reais de instituições conhecidas para dar mais credibilidade ao contato. Eles criam uma narrativa de urgência e imediatismo, alegando erros na declaração, pendências na malha fina, alertas de multas e necessidade de retificação urgente ou até mesmo a promessa de uma restituição antecipada como forma de atrair a atenção da vítima, lembra o especialista.
A abordagem quase sempre envolve uma ameaça de multa, o bloqueio do CPF ou CNPJ ou outras penalidades legais, com o objetivo de induzir a vítima a tomar uma decisão rápida. A partir disso, pedem um pagamento imediato, geralmente via Pix ou boleto, ou incentivam o clique em links maliciosos que podem instalar programas espiões no celular ou computador, permitindo o acesso a dados sensíveis, como senhas bancárias.
Outra estratégia comum é o envio de e-mails e mensagens que imitam comunicações oficiais, com logotipos, linguagem formal e até assinaturas falsas. Em alguns casos, os criminosos conseguem incluir dados reais da vítima, como nome completo ou CPF, o que aumenta ainda mais a sensação de legitimidade da mensagem.
Para ajudar os contribuintes a se protegerem, o Itaú Unibanco listou as principais dicas para pessoas e empresas não caírem em golpes:
Para pessoas:
- Desconfie de contatos suspeitos: A Receita Federal não entra em contato por e-mail ou WhatsApp para cobrar taxas. Desconfie de qualquer mensagem com tom alarmista, erros de português ou links encurtados ou desconhecidos.
- Consulte apenas fontes oficiais: Não clique em links recebidos. Para consultar sua situação ou baixar o programa, digite o endereço www.gov.br/receitafederal diretamente no navegador, evitando redirecionamentos.
- Atenção ao golpe da restituição: A restituição é depositada automaticamente na conta informada na declaração. Não existe “taxa para liberação”. Qualquer mensagem que peça uma ação para receber o valor é golpe.
- Valide todas as guias de pagamento: Antes de pagar uma DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) ou boleto atualizado, confirme a autenticidade com seu contador ou diretamente no portal e-CAC. Golpistas podem alterar o código de barras para desviar o pagamento.
- Confirme a identidade de novos contatos: Se um suposto “novo contador” ou “advogado do escritório” entrar em contato pedindo dados ou pagamentos, valide a informação por um canal de contato que você já possuía antes de tomar qualquer atitude.
- Monitore as transações: Ative as notificações da conta para acompanhar todas as movimentações e identificar rapidamente qualquer atividade suspeita.
- Evite redes públicas: Não acesse sistemas financeiros ou envie documentos sensíveis usando Wi-Fi público, pois essas redes podem ser mais vulneráveis a interceptações.
Especificamente para empresas:
- Invista em segurança digital: Garanta que os computadores da empresa tenham antivírus corporativo, firewall e filtros de e-mail. A segurança dos dados fiscais do negócio é fundamental para evitar prejuízos.
- Treine colaboradores: Funcionários devem ser orientados a identificar tentativas de phishing (tentativa de roubar informações confidenciais por meio de mensagens falsas) e a não compartilhar informações sensíveis sem verificação prévia.
- Controle acessos: Limite o acesso a dados fiscais apenas a pessoas autorizadas e utilize autenticação em duas etapas sempre que possível.
Caso tenha sido vítima de golpe ou fraude, contate seu banco para relatar o ocorrido e realizar os bloqueios necessários; registre um boletim de ocorrência, de preferência em uma delegacia especializada em crimes cibernéticos; altere as senhas dos seus e-mails, aplicativos de banco e do portal gov.br e monitore sua situação fiscal para identificar possíveis irregularidades decorrentes do golpe.