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Educação Financeira

Cinco lições de finanças para manter casais longe de confusões

No dia dos namorados, E-Investidor convidou educadores financeiros para comentar histórias do Não Inviabilize

Por Daniel Reis

11/06/2022 | 7:00 Atualização: 10/06/2022 | 17:00

No quadro Picolé de Limão a combinação entre paixão e finanças muitas vezes é a principal causa de conflitos. Foto: Reprodução Não Inviabilize.
No quadro Picolé de Limão a combinação entre paixão e finanças muitas vezes é a principal causa de conflitos. Foto: Reprodução Não Inviabilize.

O podcast Não Inviabilize apresenta histórias reais de amor, confusões, trapalhadas e até terror. Na voz da psicóloga e apresentadora Andréia Freitas, a Déia, o programa já alcançou cerca de 820 mil ouvintes, de acordo com dados do próprio podcast. No seu quadro mais famoso, o Picolé de Limão, os casos inconvenientes, embaraçosos e confusões entram em cena e, em muitos deles, a combinação entre paixão e finanças é a principal causa desses conflitos.

Leia mais:
  • Como e quando falar sobre dinheiro com os filhos?
  • Planilha de controle financeiro: como equilibrar as contas?
  • ‘A inflação é a maior inimiga do amor’, diz Ana Paula Hornos
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Neste dia dos namorados, o E-Investidor convidou cinco educadores financeiros para escutar episódios do quadro e, a partir dessas histórias, apresentar algumas lições a fim de que você não faça das finanças de casais um verdadeiro Picolé de Limão.

1. É necessário encontrar limites entre os bens do casal e os bens próprios (União Estável)

O episódio União Estável conta a história de Viviane e Gustavo, um casal que, inclusive, se conheceu durante um curso de finanças. Aos 37 anos, ele vivia com a mãe e estudava, mas não possuía renda. Já ela, aos 30, trabalhava e morava de aluguel.

Gustavo até tinha oportunidades de emprego, mas sempre considerava as vagas abaixo do seu perfil. Quando a sua mãe faleceu, ele recebeu uma casa de herança, optou por vendê-la, e foi morar num flat – com direito até a roupa lavada. Os gastos excessivos logo fizeram com que o dinheiro da venda da casa acabasse. Diante dessa situação, Viviane chamou Gustavo para morar em seu apartamento até ele conseguir um emprego.

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Quatro anos se passaram, Gustavo não conseguiu um trabalho e ficava o dia assistindo novelas em um canal de TV fechada. Para piorar, não ajudava a cuidar da casa. Durante esse período, Viviane manteve os gastos dos dois e da casa. Com o que conseguiu economizar, comprou um terreno e um carro para o pai dela utilizar como motorista de aplicativo.

Quando a situação se tornou insustentável, Viviane pediu o término do namoro. Gustavo então contratou um advogado para brigar na justiça visando ter direito aos bens adquiridos por ela durante o tempo em que já estavam morando juntos. O resultado desse entrave judicial não foi revelado.

Para a psicóloga, educadora financeira e colunista do E-investidor Ana Paula Hornos, essa história oferece lições importantes. Segundo ela, se por um lado ser suprido pela mãe financeiramente e em todos os cuidados da casa dava conforto a Gustavo, por outro lado ele não desenvolveu autonomia e senso de capacidade de realização. Mas aí que surge Viviane, que ocupa o lugar da mãe em manter Gustavo nos mesmos comportamentos, explica a psicóloga e educadora financeira.

“Viviane ultrapassou limites claros de seus próprios bens, ao dar um cartão adicional em seu CPF, ao permitir gastos que não cabiam no orçamento e ao não proteger seu patrimônio”, diz Hornos.

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Ela afirma que, apesar de triste, infelizmente essa situação é muito frequente. “Nessa história, a questão não era ausência de conhecimento técnico financeiro, já que o casal era da área, mas sim reflexo da disfunção comportamental”, complementa a psicóloga e educadora financeira.

2. Definam as prioridades dos gastos em conjunto (Time)

No episódio Time, Helecine e seu marido planejavam a chegada de um bebezinho. Eles dividiam os gastos da seguinte forma: ambos utilizavam uma conta conjunta para pagar as contas da casa e os gastos do bebezinho, que ainda não tinha nascido, mas praticamente apenas ela assumia esse segundo gasto.

Por superstição, Helenice deixou para comprar o berço – um bem legal, que ela ficou dias namorando – apenas no último mês. Para isso, ela sempre aplicava um dinheiro na conta conjunta, que era a economia para essa compra. No entanto, quando chegou o dia de ir na loja, o dinheiro reservado sumiu.

“Não, amor, não sumiu. Eu usei o dinheiro para comprar o fardamento do nosso time de futsal, porque os outros blocos todos têm fardamento e a gente não tinha… E como o time é meu, eu comprei com o meu dinheiro”, justificou o marido de Helenice. “Você pode comprar um berço mais barato”.

De acordo com a Psicanalista Márcia Tolloti, consultora psicofinanceira, a imaturidade financeira e emocional do marido é visível. Do lado oposto, Helenice era um exemplo de uma vida financeira saudável. Ela já tinha um apartamento, bancava as despesas e sabia planejar.

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No entanto, muitas vezes é difícil equilibrar essas diferenças. “A grande lição é que um casal precisa ter muito claro se estão alinhados em suas prioridades e desde o início ficou evidente que não havia essa escolha conjunta”, afirma Tolloti.

“Super dava para saber que ele era imaturo. Ele pegou carona na casa pronta, organizou campeonatos e passou um ano sem depositar nada para a compra do berço. Por que Helenice aceitou isso? E ainda ficava vendo ele ‘brincar de joguinho com os amiguinhos?’”, desaprova a psicanalista. Segundo ela, quando o descompasso de interesse é grande, o ideal é separar dinheiro ou bens acumulados.

3. Cuidado com o cartão de crédito (Sandrinho)

O Carlos conheceu o Sandrinho na academia. Com pouco tempo, eles começaram a namorar e Sandrinho adorava surpreender o companheiro para agradá-lo. Só existiam dois problemas nas surpresas: ele nunca ajudava a arrumar a bagunça depois e os gastos iam para um cartão de crédito no nome do Carlos, mas que Sandrinho, que não possuía renda, tomou posse em poucos meses.

No aniversário do Carlos, Sandrinho preparou uma surpresa em um restaurante francês. Chegando lá, havia cerca de 20 pessoas, mas o aniversariante não conhecia a maioria. Quando chegou a fatura do cartão, o susto: a festa ficou em R$ 8.000 e o Sandrinho sumiu.

Daniela Mir Gelamo, planejadora financeira CFP pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), afirma categoricamente: cartão de crédito não deve ser compartilhado. “Em caso extremo desta necessidade, só faça isso se você realmente conhece a pessoa, ou seja, sabe onde ela mora, conhece a família ou outros amigos em comum”, diz Gelamo.

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Além disso, ela afirma que é necessário que as pessoas encontrem uma forma própria de fazer o controle dos gastos do cartão. Algumas orientações consistem em definir o limite do cartão como teto máximo do valor da fatura, olhar o total da fatura periodicamente e configurar o envio de mensagens ao realizar compras.

“Para esse tipo de uso que requer um controle maior (quando outras pessoas podem usar o cartão) é melhor optar por cartões pré-pagos – onde você coloca um saldo no cartão e só é possível gastar o que tem disponível lá”, indica a planejadora financeira.

4. É importante ter transparência na divisão de contas (Carrinhos)

O episódio Carrinhos conta a história de Marta e seu marido. Após a filha deles nascer com alguns problemas respiratórios, eles passaram por um aperto financeiro. Como ele ganhava menos, ela assumia as contas da casa e o convênio médico da bebê. O dinheiro estava “no sufoco”.

Até que, certo dia, Marta precisou chamar um técnico em sua casa para resolver um problema no computador. O rapaz ficou encantado com uma coleção de carrinhos do marido de Marta. “Tem uns carrinhos ali top de linha”, disse o técnico.

A questão é que, com o desenrolar da conversa, ele falou que existiam carrinhos na coleção que custavam R$ 1.000. Sem entender como o marido dela conseguiu comprar um brinquedo nesse valor, ela começou a mexer nas coisas dele em busca de uma nota fiscal e acabou descobrindo que, na verdade, ele ganhava muito mais do que ela.

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“A divisão de gastos é muito importante. Mas ainda mais relevante é o alinhamento das expectativas do casal. Você tem que entender que os dois têm que remar para o mesmo lado, ser parceiros”, diz Fabio Louzada, economista, analista CNPI e fundador e CEO da escola Eu Me Banco.

Segundo ele, é necessário que o casal entenda as prioridades e o episódio apresenta uma quebra de confiança. “Para não cair nessa situação o ideal é conversar, ter transparência e saber que o casal joga no mesmo time”, indica Louzada.

5. Não deposite grandes quantidades de dinheiro na conta de alguém que conhece há pouco tempo (Meu Tesouro)

Na história Meu Tesouro, Adriana conheceu, se apaixonou por uma moça e, logo com três meses de relacionamento, elas começaram a conversar sobre morar juntas.

Essa moça falava para Adriana que trabalhava em um banco e convenceu ela a tirar um dinheiro que estava na poupança para aplicar no Tesouro Direto. Ao invés de Adriana procurar uma instituição financeira, ela depositou o valor na conta da companheira que, em um passo de mágica, sumiu.

De acordo com Eduardo Reis Filho, especialista em Educação Financeira e em Investimentos da Ágora Investimentos, toda transação no mercado financeiro deve ser feita de forma contratual na conta correspondente ao titular da operação.

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“No caso da compra de um Título Público, o investidor precisa abrir conta em uma corretora e os valores são direcionados para a conta nominal do investidor. Apenas o investidor ou um procurador estão autorizados a fazer movimentações”, diz o especialista.

Segundo ele, na educação financeira não se aconselha nem o empréstimo entre parentes ou amigos. “É o tipo de assunto que abala qualquer relação”, diz.

Os episódios completos podem ser acessados no canal do Não Inviabilize no Spotify ou no site. E, para você não acabar ouvindo um sonoro “Ê, fulano”, da Déia, é importante seguir os conselhos dos especialistas.

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