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Educação Financeira

Como ganhar dinheiro com Bitcoin: mineração vale a pena?

A mineração é como uma prestação de serviço de processamento de transações para a rede Bitcoin

Por Luiz Felipe Simões

03/06/2021 | 4:30 Atualização: 07/10/2022 | 11:59

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

Ganhar dinheiro sem grande esforço é um desejo de muitos. Contudo, existem poucas formas legítimas de se fazer isso sem ser enganado por algum golpista. Uma delas é a mineração de Bitcoin.

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A atividade de mineração funciona como uma prestação de serviço de processamento de transações para a rede Bitcoin. A prática não serve apenas para validar a rede de criptomoeda e mantê-la à prova de fraudes, mas também para colocar novas unidades do ativo no mercado. Ou seja, quem presta esse serviço recebe uma remuneração.

Fabrício Tota, diretor da corretora de criptos Mercado Bitcoin, define a mineração como um processo pelo qual novos Bitcoins são gerados. “Na prática, e de uma forma simplista, a atividade consiste em manter uma máquina ligada para validar as transações de uma rede descentralizada”, diz.

Como o Bitcoin é produzido?

A mineração envolve prestar serviços de computação a rede de uma determinada criptomoeda, como o Bitcoin. Em poucas palavras, minerar nada mais é que resolver um problema matemático, checando se existem Bitcoins suficientes para a transação e se a outra parte, a receptora, está apta a receber aquela quantia, por exemplo.

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Assim como nos metais preciosos, o Bitcoin possui um limite a ser “garimpado” de 21 milhões de unidades — até então, já foram mineradas 18,6 milhões.

No caso da criptomoeda, a mineração é responsável por manter o funcionamento da blockchain, a rede de blocos inviolável que guarda todas as transações feitas. A quantidade de criptomoedas a ser emitida é determinada pelo seu próprio protocolo, feito para que um bloco seja emitido a cada 10 minutos.

A recompensa por bloco também é definida pelo próprio protocolo. Contudo, a cada quatro anos, ela é reduzida em 50%. Essa redução é conhecida como halving, e o fenômeno faz com que a criação de novos Bitcoins seja reduzida pela metade, tornando-o mais escasso e, com isso, impactando seu valor.

Seguindo a proporção de redução pela metade a cada quatro anos, a produção de novos Bitcoins se encerrará em 2140, quando as 21 milhões de unidades da criptomoedas terão sido emitidas.

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Resolver problemas matemáticos pode parecer simples em um primeiro momento. Contudo, a complexidade e a quantidade das equações demandam por uma alta capacidade de processamento, superior aos computadores pessoais comuns. Por isso, os mineradores dedicados contam com equipamentos específicos para este fim, conhecidos como ASCI miners.

Esse poder de processamento está diretamente relacionado à quantidade de problemas que ele consegue resolver por segundo. Essa razão é conhecida como Hashrate (taxa de mineração).

Quem tem equipamentos especializados para mineração possui a vantagem de ter uma capacidade de processamento muito maior, já que quanto maior o Hashrate mais o minerador pode ganhar com as taxas de transação.

Mesmo assim, sozinho seria muito difícil para competir com os grandes mineradores e, por isso, os pequenos se reúnem em grupos chamados pools de mineração.

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Juntos, eles buscam resolver e solucionar o bloco da blockchain, aumentando seu poder de processamento e, assim, tendo mais chances de encontrar a resolução do problema e receber seu pagamento.

“Os pools funcionam como uma espécie de cooperativa, onde você aumenta o seu poder de processamento frente a rede entrando junto com outros mineradores para minerar o bloco e, a partir disso, receber a recompensa, que é proporcional ao quanto você contribui do ponto de vista de processamento dentro do pool”.

Isso é o que diz Rudá Pellini ,co-fundador da Wise&Trust, fintech norte-americana que desenvolve Inteligência Artificial para criar produtos de investimento com ativos digitais.

Quanto custa a mineração do Bitcoin?

Para realizar a operação, primeiro é necessário o hardware – o ASCI miner –, que segundo Pellini custa, em média, de 10 a 15 mil dólares. Além disso, há os custos energéticos de manter a máquina ligada 24 horas por dia, sete dias por semana.

Por conta disso, Tota explica que minerar Bitcoin hoje é uma atividade extremamente profissionalizada, ao contrário do que acontecia no começo, quando poderia ser realizado por qualquer computador sem grandes impeditivos.

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“Sendo assim, a atividade é feita por pessoas que conseguem comprar o melhor hardware possível, que conseguem criar enormes fazendas de Bitcoin e que têm acesso à energia elétrica em abundância e com um preço competitivo”, diz.

Uma mineradora pequena, como a Antminer S19J, custa cerca de US$ 5017 e possui um hashrate de 90TH/S. Diversas plataformas na internet permitem que você calcule a rentabilidade de suas mineradoras, como por exemplo a Minestrat, que oferece soluções de mineração para profissionais.

Segundo estimativas da plataforma, essa mesma máquina tem uma rentabilidade estimada de US$ 30,99 por dia, já excluindo os custos de eletricidade, que variam de acordo com o local. Com isso, demoraria cerca de 161 dias para que o investimento na mineradora fosse pago.

Vale a pena minerar Bitcoin?

No passado, quando o Bitcoin não valia o que vale hoje, os especialistas contam que a mineração era um negócio rentável. Na visão de Tota, o poder computacional que o minerador vai adicionar na rede hoje, estaticamente, seria insuficiente para extrair um bloco, que é exatamente o que faria com que você recebesse o Bitcoin.

Pellini também concorda que hoje em dia a mineração de Bitcoin não é mais um negócio que você consegue fazer em casa. “Demanda economia de escala e uma grande quantia de capital para ser economicamente viável”, diz.

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Para quem deseja entrar na onda das mineradoras, Pellini explica que existem empresas que realizam a atividade e estão listadas em bolsa de valores, como por exemplo, a Hive, listada na bolsa do Canadá e a Marathon, listada na Nasdaq.

Entretanto, Pellini faz um alerta: toda vez que o assunto da mineração volta à tona, principalmente em uma temporada de alta das criptomoedas, os golpistas retornam.

“Por isso, as pessoas precisam investigar o histórico das empresas que estão oferecendo promessas de ganho com a mineração de Bitcoin, para não serem enganadas”, conclui o especialista.

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