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Investimentos

Ações para dividendos em 2026: as mais citadas nas carteiras e o porquê

Bancos e corretoras ajustam recomendações diante da expectativa de cortes da Selic, Bolsa barata e aumento da volatilidade política

Por Isabela Ortiz

16/01/2026 | 5:30 Atualização: 15/01/2026 | 19:02

Com juros em queda e eleição no horizonte, ações pagadoras de dividendos voltam ao centro das estratégias para 2026. (Imagem: Parradee em Adobe Stock)
Com juros em queda e eleição no horizonte, ações pagadoras de dividendos voltam ao centro das estratégias para 2026. (Imagem: Parradee em Adobe Stock)

A largada de 2026 encontra o investidor de renda passiva em um terreno conhecido, mas nem por isso simples. De um lado, cresce a convicção de que o ciclo de queda da Selic está prestes a começar, abrindo espaço para a reprecificação dos ativos e fortalecendo a tese de ações pagadoras de dividendos. De outro, o calendário eleitoral já impõe volatilidade e exige seletividade redobrada. É nesse equilíbrio entre renda previsível e risco político que bancos e corretoras estruturaram suas carteiras recomendadas de dividendos para janeiro.

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  • 8 ações de setores perenes para enfrentar um 2026 de juros, eleições e mudanças tributárias – e ganhar bons dividendos

De forma geral, os relatórios convergem em um diagnóstico: a Bolsa de Valores brasileira segue barata, os juros tendem a cair e empresas com forte geração de caixa voltam a ocupar o centro das estratégias. O BTG Pactual acredita que a prioridade estão com os “ativos de alta qualidade, com resultados resilientes e capacidade consistente de distribuir proventos”, uma leitura que orientou as mudanças da casa para o primeiro mês do ano.

No BTG, janeiro marcou a saída de Gerdau (GGBR4) e Cyrela (CYRE3) e a entrada de Caixa Seguridade (CXSE3) e Sanepar (SAPR11), reforçando o viés defensivo. O banco manteve nomes recorrentes em carteiras de dividendos, como Itaú (ITUB3; ITUB4), Vale (VALE3) e Allos (ALOS3), mas com nuances importantes.

Sobre o Itaú, a leitura segue direta: “trata-se da tese preferida no setor bancário”, apoiada em balanço sólido e rentabilidade elevada.

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Já no caso da Vale, o BTG avalia que a companhia vive uma “nova fase”, com governança mais previsível e dividend yield (relação entre os dividendos pagos e o preço de suas ações) projetado entre 11% e 12% em 2026.

Petrobras (PETR3; PETR4) permanece na carteira, mas com ressalvas: o potencial operacional existe, embora o aumento de capex (investimento em ativos produtivos) e da alavancagem torne a tese mais dependente da compressão do risco-país.

Corte na Selic e tensões comerciais com EUA

O Itaú BBA, na carta do gestor, aponta que o mercado já antecipa o início do ciclo de cortes da Selic no primeiro trimestre de 2026, sustentado por inflação mais benigna e desaceleração gradual da atividade.

O alívio nas tensões comerciais com os Estados Unidos, após a retirada de tarifas sobre mais de 200 produtos agrícolas brasileiros, também ajuda a compor um pano de fundo mais construtivo. Dentro da carteira de dividendos, o BBA destacou a entrada da Allos, motivada pela nova política de dividendos mensais, com yield estimado em torno de 13%, além de nomes como Copel (CPLE6), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Direcional (DIRR3).

A Allos, aliás, é um dos pontos de maior convergência entre as casas. Para a Ágora Investimentos, que manteve sua carteira inalterada em janeiro, a empresa simboliza bem o perfil buscado pelo investidor conservador: previsibilidade, fluxo de caixa robusto e retorno recorrente.

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A corretora projeta um retorno médio de 8,7% em dividendos em 2026 para sua carteira e vê na política de pagamentos mensais da Allos um diferencial relevante para sustentar o valuation (valor de mercado de uma empresa). Telefônica Brasil (VIVT3) e Itaú completam esse bloco mais defensivo, com yields estimados próximos de 8%.

Dividendos a longo prazo

Enquanto isso, a Empiricus Research reforça uma leitura de longo prazo. A casa reconhece que 2025 foi marcado por forte volatilidade política, incluindo a maior queda diária desde 2021 após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas argumenta que o investidor de dividendos deve se concentrar em empresas maduras, líderes de mercado e capazes de reinvestir resultados.

“É nesse reinvestimento contínuo que os juros compostos fazem diferença”, defende a análise.

Para janeiro, a Empiricus promoveu a troca de Gerdau por Cyrela e manteve na carteira nomes como Petrobras, Itaú, B3 (B3SA3) e Multiplan (MULT3), apostando que o valuation descontado do Ibovespa e a perspectiva de cortes de até 300 pontos-base na Selic favorecem os ativos domésticos.

A Planner Corretora, por sua vez, adotou uma estratégia mais tática. Após um desempenho expressivo em 2025 (alta de 46,6%, bem acima do Índice Dividendos), a casa decidiu retirar Copel, Itaú e Petrobras da carteira de janeiro.

O motivo não é estrutural, mas de timing: os papéis já haviam passado pela data-ex de grandes proventos. No lugar, entraram BB Seguridade (BBSE3), com retorno estimado de 7,1%, além de CSN Mineração (CMIN3) e Santander Brasil (SANB11). A lógica é capturar novas janelas de rendimento imediato, mesmo que isso signifique abrir mão, temporariamente, de nomes mais consensuais.

A influência das eleições de 2026 no mercado

Essa diferença de abordagem também aparece na Genial Investimentos. A corretora destaca que o cenário eleitoral de 2026 já domina a precificação dos ativos e ajuda a explicar por que o Ibovespa negocia a apenas 9,3 vezes o lucro projetado, abaixo da média histórica de 10,5 vezes.

Para a Genial, boa parte dos riscos já está no preço, o que abre espaço tanto para estratégias defensivas quanto para apostas mais assimétricas. Na carteira de dividendos, a casa retirou Bradesco e Tim (TIMS3)e incluiu JHSF (JHSF3) e Lavvi (LAVV3), buscando empresas com menor volatilidade operacional, mas potencial de retorno acima da média.

Quais as queridinhas para dividendos gordos?

Apesar das divergências pontuais, os pontos de convergência são claros. Todas as casas citam o início do ciclo de queda de juros como vetor central para 2026, reconhecem que a volatilidade política deve permanecer elevada e concordam que a Bolsa brasileira segue descontada. Dentro desse contexto, alguns nomes se repetem com frequência suficiente para formar um consenso informal.

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Itaú, Allos e Vale aparecem como as principais apostas transversais. O Itaú funciona como a âncora de solidez, combinando resiliência e dividendos consistentes. A Allos representa a inovação na renda, ao transformar dividendos mensais em atrativo central para o investidor. Já a Vale oferece o componente de peso, com geração de caixa elevada e dividend yield de dois dígitos, sustentado pela demanda global por minério de ferro.

No fim das contas, escolher entre as carteiras recomendadas de dividendos para janeiro de 2026 passa menos por encontrar “a melhor” e mais por entender a lógica de cada casa. Algumas privilegiam previsibilidade e defesa, outras exploram o timing de proventos ou oportunidades mais táticas. Em comum, todas partem da mesma premissa: em um ano que promete ruído político e juros em queda, empresas capazes de pagar dividendos de forma consistente tendem a ser o porto mais seguro para o investidor que busca renda.

Carteiras recomendadas para janeiro

Ágora Investimentos

Para o primeiro mês do ano, a casa optou por não realizar nenhuma alteração na composição do portfólio.

Ações
Allos (ALOS3)
Isa Energia (ISAE4)
Itaú (ITUB4)
Vale (VALE3)
Telefônica Brasil (VIVT3)

Planner

A Planner retirou 3 empresas da carteira: Copel (CPLE3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR4). As incluídas foram: BB Seguridade (BBSE3), CSN Mineração (CMIN3) e Santander Brasil (SANB11).

Ações
BB Seguridade (BBSE3)
Caixa Seguridade (CXSE3)
CSN Mineração (CMIN3)
Isa Energia (ISAE4)
Santander Brasil (SANB11)

Andbank

A carteira recomendada do Andbank de janeiro atingiu um potencial de valorização de 12,81%. Veja as ações selecionadas:

Ações
BB Seguridade (BBSE3)
Bradesco (BBDC4)
CPFL (CPFE3)
Copel (CPLE3)
Itaú (ITUB4)
Itaúsa (ITSA4)
Porto Seguro (PSSA3)
Telefônica Brasil (VIVT3)
Tim (TIMS3)
Vale (VALE3)

Banco do Brasil

Para janeiro, o banco retirou as ações da CPFL Energia (CPFE3), Direcional (DIRR3), Klabin (KLBN11), Taesa (TAEE11) e Tim (TIMS3), para a entrada de Ambev (ABEV3), Marcopolo (POMO4), Vivo (VIVT3), Vulcabras (VULC3) e Weg (WEGE3).

Ações
ABC Brasil (ABCB4)
Ambev (ABEV3)
Caixa Seguridade (CXSE3)
Itaúsa (ITSA4)
Petrobras (PETR4)
Marcopolo (POMO4)
Vale (VALE3)
Vivo (VIVT3)
Vulcabras (VULC3)
Weg (WEGE3)

BTG Pactual

A casa optou por retirar Gerdau (GGBR4) e Cyrela (CYRE3), dando lugar a Caixa Seguridade (CXSE3) e Sanepar (SAPR11).

Ações
Itaú Unibanco (ITUB4)
Petrobras (PETR4)
Vale (VALE3)
Bradesco (BBDC4)
B3 (B3SA3)
Caixa Seguridade (CXSE3)
Equatorial (EQTL3)
Copel (CPLE3)
Copasa (CSMG3)
Allos (ALOS3)
Sanepar (SAPR11)
Direcional (DIRR3)

Empiricus Research

Em dezembro, a carteira recomendada da Empiricus teve uma performance de -1,2%m com destaque positivo para Gerdau (GGBR4). Veja as ações selecionadas para janeiro:

Ações
Petrobras (PETR4)
Itaú (ITUB4)
B3 (B3SA3)
Multiplan (MULT3)
Cyrela (CYRE3)

Genial

Em relação ao mês de dezembro, saíram as ações da Bradesco (BBDC4) e Tim (TIMS3). Com Inclusão das ações da JHSF (JHSF3) e Lavvi (LAVV3).

Ações
JHSF (JHSF3)
Lavvi Empreendimentos (LAVV3)
CPFL Energia (CPFE3)
Itaú Unibanco (ITUB3)
 Copasa (CSMG3)

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