Localiza pode se beneficiar da queda dos juros com expansão de lucro, melhor ROIC e reprecificação das ações, segundo o BTG Pactual. (Foto: Adobe Stock)
Com a perspectiva de juros mais baixos ganhando corpo no Brasil, o BTG Pactual colocou a Localiza (RENT3) no centro da sua tese para 2026. Para o banco, a empresa reúne dois vetores poderosos: crescimento de lucro e reprecificação do valuation (valor de mercado de uma empresa), que podem destravar um avanço relevante das ações no próximo ano, com expansão de resultados em torno de 20% ao ano e múltiplos mais elevados à medida que o custo de capital recua.
Na leitura do BTG, 2025 foi um ano de contrastes para a Localiza. A ação se destacou como uma das principais apostas ligadas ao ciclo de corte de juros, mas o “micro” da empresa sofreu no primeiro semestre.
O ponto mais sensível foi o anúncio do novo programa de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pelo governo, que acabou levando a novos ajustes contábeis na frota, reacendendo o debate sobre depreciação.
“O pico de pessimismo veio com o anúncio do novo IPI, que resultou em impairment (perda de valor recuperável de um ativo) da frota”, aponta o relatório.
Esse cenário começou a mudar a partir do terceiro trimestre. Segundo o banco, houve estabilização gradual das tendências de depreciação, o que ajudou a recuperar a confiança do mercado. Para os analistas, se esse controle se mantiver e o custo de capital continuar caindo, a tese tende a ganhar tração tanto entre investidores locais quanto estrangeiros.
Olhando para 2026, o BTG avalia que o ceticismo diminuiu em relação ao início de 2025. A expectativa é de um retorno à narrativa de crescimento, especialmente no segmento de aluguel de veículos, com a empresa priorizando volume e taxa de utilização da frota, em vez de repasses agressivos de preço.
A lógica é clara: com juros mais baixos, o ROIC spread (diferença entre o retorno sobre o capital investido e o custo de capital) volta a níveis normalizados, permitindo crescer sem destruir valor.
No braço de Seminovos, o desafio continua sendo escalar o volume de vendas de carros usados. O BTG pondera que um mercado automotivo mais aquecido, impulsionado por crédito mais barato e preços mais competitivos, tende a ajudar a empresa a girar a frota mais rapidamente. Isso reduz a pressão sobre a depreciação, considerada hoje o principal gargalo da tese.
As expectativas do BTG para a Localiza em 2026
A aposta do banco se resume em dois pilares.
Primeiro, crescimento de lucro próximo de 20% ao ano;
Segundo, potencial de re-rating (reclassificação de risco de uma empresa) dos múltiplos, à medida que o custo de capital cai e a história de crescimento volta ao radar.
“Sob esse cenário, é razoável pensar na ação negociando a algo como 13 a 14 vezes lucro”, afirma o BTG, destacando que revisões positivas podem surgir caso a agenda de eficiência avance e a depreciação permaneça sob controle.
O que o investidor deve fazer
Entre os principais gatilhos para o investidor monitorar a ação, estão a evolução dos preços de carros novos e usados, os cortes de juros e o avanço do ramp-up (aumento gradual de atividades) de Seminovos. O banco lembra que juros menores impactam a Localiza (RENT3) por vários canais: reduzem o custo da dívida, o custo de capital próprio e ainda estimulam a demanda no setor automotivo, abrindo espaço para mais volume e melhor diluição de custos.
Do lado dos riscos, o BTG cita principalmente um eventual atraso na queda do custo de capital, mudanças tributárias e uma competição mais errática, embora essa não seja a hipótese central, dado o nível de consolidação do setor. Ainda assim, a leitura é de que o balanço risco-retorno segue atrativo.
Publicidade
Em termos de números, o banco projeta lucro líquido de cerca de R$ 4,2 bilhões em 2026, com crescimento relevante também em 2027, e vê a ação negociando hoje perto de 11 vezes lucro, abaixo da média histórica. Para o BTG, isso reforça a assimetria positiva. Se os juros caírem como esperado, a Localiza tende a se beneficiar antes e com mais força, consolidando-se como uma das principais apostas domésticas para 2026