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Investimentos

Dividendos viram “colchão” na Bolsa: veja as carteiras recomendadas para abril

Carteiras giram posições, reforçam aposta no setor de energia e mantêm busca por renda estável

Por Isabela Ortiz e  Igor Markevich 

02/04/2026 | 16:33 Atualização: 02/04/2026 | 16:33

Dividendos viram "colchão" na Bolsa: veja as carteiras recomendadas para abril (Foto: Adobe Stock)
Dividendos viram "colchão" na Bolsa: veja as carteiras recomendadas para abril (Foto: Adobe Stock)

Em um cenário no qual o investidor segue em busca de renda previsível, as carteiras recomendadas de dividendos para abril de 2026 refletem uma combinação de cautela tática e busca por fluxo de caixa recorrente. Bancos e corretoras convergem na leitura de que, mesmo com o Ibovespa ainda próximo de múltiplos historicamente equilibrados, os dividendos funcionam como uma espécie de “colchão” de retorno diante de um mercado que pode exigir novos gatilhos para continuar subindo.

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Nesse contexto, o mês de março serviu como um teste de estresse para algumas estratégias. A Planner, por exemplo, viu sua carteira de dividendos recuar 6,46%, bem abaixo do Índice de Dividendos (IDIV), que caiu apenas 0,23%. “Todas as ações tiveram desvalorização”, destaca o relatório, com impacto mais forte vindo de nomes como Vulcabras (VULC3) e Banco do Brasil (BBAS3). Ainda assim, no acumulado de 2026, a carteira segue no campo positivo, com alta de 4,7%, o que reforça a visão de que o foco em proventos tende a suavizar oscilações ao longo do tempo.

Rotação tática mira dividendos no curto prazo

Para abril, a casa promoveu uma rotação relevante, priorizando ativos que tenham pagamentos programados no curto prazo. Entre os destaques, a entrada de Bradesco (BBDC4) chama atenção após a aprovação de R$ 3 bilhões em juros sobre capital próprio, com retorno líquido estimado em 1,3%. Ao mesmo tempo, nomes como Engie Brasil (ENGIE3) e Isa Energia Brasil (ISAE4) reforçam o caráter previsível da carteira, com distribuições programadas ou recorrentes.

“Substituímos a ação por outra com provento já aprovado”, explica a Planner ao justificar a saída de Vulcabras, evidenciando uma estratégia mais tática, orientada pelo calendário de dividendos.

Essa preocupação com previsibilidade também aparece em cases como Telefônica Brasil (VIVT3), que segue como uma das principais pagadoras de proventos da Bolsa. A companhia já anunciou R$ 6,99 bilhões em remuneração aos acionistas para 2026 e mantém o compromisso de distribuir ao menos 100% do lucro líquido. O movimento reforça uma tendência observada em utilities e empresas maduras: payout (porcentagem de lucro líquido distribuído aos acionistas) elevado como forma de atrair investidores em um ambiente ainda incerto para ganhos de capital.

Na Terra Investimentos, a abordagem combina visão macro com seleção criteriosa de empresas. A corretora explica que a carteira é construída a partir de uma análise “top down“, partindo do cenário econômico para então chegar aos setores e, por fim, às ações. “Optamos por empresas com boa geração de caixa, elevada governança corporativa e alto dividend yield [rendimento do dividendo]”, afirma o relatório.

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A composição para abril reflete essa filosofia: nomes como Itaúsa (ITSA4), Bradespar (BRAP4), Petrobras (PETR4), Cemig (CMIG4) e BB Seguridade (BBSE3) dividem igualmente o portfólio.

A Itaúsa, por exemplo, é vista como uma oportunidade por negociar com desconto em relação ao valor de seus ativos, enquanto mantém perfil conservador, baixa alavancagem e forte geração de caixa”, escreve a casa.

Já a Bradespar oferece exposição indireta à Vale (VALE3), capturando o potencial de valorização do ciclo de commodities com um desconto relevante.

A Petrobras segue como peça central nas carteiras de dividendos, sustentada por sua forte geração de caixa. Segundo a Terra, “o baixo custo de extração sustenta margens elevadas”, permitindo a manutenção de dividendos robustos. A Cemig, por sua vez, reforça o papel das utilities como fonte de renda previsível, mesmo com desafios, como maior alavancagem e controle estatal, ainda pesando na precificação.

BTG amplia leque, mas mantém foco em qualidade

No BTG Pactual, a estratégia amplia o leque setorial, mas mantém o foco em qualidade e resiliência. A carteira de abril passou por mudanças importantes, com a entrada de Vale, Cury (CURY3) e Motiva (MOTV3), e a saída de nomes como Caixa Seguridade (CXSE3) e Prio (PRIO3). A ideia, segundo o banco, é combinar geração de caixa consistente com oportunidades de valorização.

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O Itaú Unibanco (ITUB4) segue como a principal escolha entre os bancos. Mesmo após uma queda recente, o BTG avalia que o papel continua bem-posicionado para enfrentar volatilidade e, ao mesmo tempo, capturar crescimento. “O valuation [valor do ativo] melhorou, e o banco mantém a capacidade de gerar retornos sólidos”, aponta o relatório.

Já a Petrobras aparece novamente como destaque, agora sob a ótica de risco-retorno. O banco estima um dividend yield de cerca de 8% para 2026, podendo chegar a 10% em 2027, níveis acima da média global.

“A melhoria da visibilidade do fluxo de caixa e o yield atraente justificam nossa recomendação de compra”, diz o BTG.

Outro ponto interessante é a presença de empresas ligadas a infraestrutura e utilities, como Equatorial (EQTL3), Copel (PLE6) e Motiva, que oferecem proteção contra inflação e receitas mais estáveis. A Allos (ALOS3), do setor de shoppings, também ganha espaço como uma espécie de “proxy de renda fixa”, com guidance (projeções) de dividend yield de 12% para 2026, movimento que indica uma mudança estratégica de crescimento para geração de valor ao acionista.

A inclusão da Vale reforça ainda uma leitura mais construtiva para commodities, especialmente com a diversificação para metais, como cobre e níquel.

“Mesmo após a alta recente, ainda vemos a Vale negociando a múltiplos atrativos”, afirma o banco, destacando o potencial de geração de caixa mesmo com oscilações no minério de ferro.
  • Vale (VALE3) mira 700 mil toneladas de cobre e tenta convencer o mercado: a reprecificação vem?

Entre previsibilidade e oportunidade: o dilema do investidor

O investidor em dividendos precisa equilibrar previsibilidade com oportunidade. Se, por um lado, utilities e bancos seguem como pilares de renda, por outro, há uma abertura crescente para nomes cíclicos – desde que acompanhados de disciplina de capital e capacidade de distribuição.

Carteiras recomendadas de dividendos para abril

Ágora Investimentos

Para abril, a carteira de dividendos da Ágora retirou as ações preferenciais do Itaú (ITUB4) e inseriu as da Itaúsa (ITSA4), diante do maior dividend yield da holding. Focada em previsibilidade de fluxo de caixa, a carteira reúne cinco ativos e mira o investidor conservador. A expectativa é de retorno médio de 7,7% em dividendos em 2026.

Ações
Allos (ALOS3)
Caixa Seguridade (CXSE3)
Isa Energia (ISAE4)
Itaú (ITUB4)
TIM (TIMS3)

Terra Investimentos

Em março, a Terra trocou Caixa Seguridade (CXSE3) por BB Seguridade (BBSE3) na carteira de dividendos. A seleção privilegia empresas com forte geração de caixa, boa governança e alto dividend yield. As escolhas seguem análise macro e setorial, com ajustes mensais e foco no risco dos ativos.

Ações
Itausa (ITSA4)
Bradespar (BRAP4)
Petrobras (PETR4)
BB Seguridade (BBSE3)
CMIG4 (Cemig)

Planner

A carteira da Planner sofreu forte queda em março, bem abaixo do índice, com destaque negativo para Vulcabras (VULC3) e Banco do Brasil (BBAS3); no ano, ainda sobe 4,7%.

Para abril, saem BB Seguridade (BBSE3), Cury (CURY3) e ISA Energia (ISAE4); entram CPFL Energia (CPFE3), Telefônica Brasil (VIVT3) e Vulcabras (VULC3). A estratégia segue ancorada em empresas com alta distribuição de proventos, balanços sólidos e previsibilidade de fluxo de caixa.

Ações
CPFL Energia (CPFE3)
Banco do Brasil (BBAS3)
Porto (PSSA3)
Telefônica Brasil (VIVT3)
Vulcabras (VULC3)

Andbank

A carteira de dividendos do Andbank para março entregou potencial de valorização de 3,51%, com alocação diversificada e pesos equilibrados. O portfólio para abril reúne nomes clássicos de renda, como BB Seguridade (BBSE3), Itaú (ITUB4), Telefônica Brasil (VIVT3) e Vale (VALE3). A estratégia combina bancos, elétricas e telecoms para sustentar proventos elevados com alguma captura de valorização.

Ações
BB Seguridade (BBSE3)
Bradesco (BBDC4)
CPFL (CPFE3)
Copel (CPLE3)
Itaú (ITUB4)
Itaúsa (ITSA4)
Porto Seguro (PSSA3)
Telefônica Brasil (VIVT3)
Tim (TIMS3)
Vale (VALE3)

BTG Pactual

O BTG Pactual mira geração total de valor ao acionista, com foco em proventos e empresas resilientes em caixa e resultados. Para abril, saem Caixa Seguridade (CXSE3), Direcional (DIRR3), Prio (PRIO3) e Odontoprev (ODPV3); entram Vale (VALE3), Cury (CURY3) e Motiva (MOTV3).

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A seleção, revisada mensalmente, combina análise fundamentalista e estratégia, equilibrando setores e priorizando qualidade e consistência.

Ações
Itaú Unibanco (ITUB4)
Petrobras (PETR4)
Axia Energia (AXIA3)
Bradesco (BBDC4)
Aura (AURA33)
Caixa Seguridade (CXSE3)
Equatorial (EQTL3)
Copel (CPLE3)
Copasa (CSMG3)
Allos (ALOS3)
Prio (PRIO3)
Direcional (DIRR3)
Odontoprev (ODPV3)

Genial Investimentos

A carteira Ibovespa 5+ da Genial caiu 7,90% em março, abaixo do recuo de 2,16% do Ibovespa, mas ainda acumula alta de 9,42% em 2026. Para abril, saíram Aliansce Sonae (ALOS3), BTG Pactual (BPAC11), Itaú Unibanco (ITUB3) e Vale (VALE3). Entraram Copasa (CSMG3), Eneva (ENEV3), Petro Rio (PRIO3) e Vibra (VBBR3), reforçando a exposição a energia e commodities.

Ações
AXIA Energia (AXIA3)
Copasa (CSMG3)
Eneva (ENEV3)
Petro Rio (PRIO3)
Vibra (VBBR3)

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