Investimentos

Como ficam os investimentos com a taxa Selic em 10,50% ao ano

Estresse na curva de juros abre oportunidade para prefixados e indexados à inflação; veja quanto rende investir

Como ficam os investimentos com a taxa Selic em 10,50% ao ano
Analistas veem oportunidades nos prefixados e IPCA+. (Foto: Adobe Stock)
  • O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros do País em 10,50% ao ano
  • Esta é a primeira reunião desde que o ciclo de afrouxamento monetário começou em que o grupo opta pela manutenção, e não queda, da taxa
  • Para especialistas, estresse na curva de juros abriu oportunidades para títulos prefixados e indexado à inflação; veja quanto rende investir

O Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa Selic em 10,50% ao ano nesta quarta-feira (19). É a primeira reunião em que o grupo monetário decide pela manutenção do patamar de juros desde que o ciclo de cortes foi iniciado em agosto de 2023.

O mercado já esperava – e torcia – por essa decisão. No último encontro, em maio, chamou a atenção o placar dividido da votação que resultou em uma queda de 0,25 ponto percentual na Selic. Diretores indicados pelo governo votaram por manter o ritmo de cortes que vinha sendo adotado, de 0,50 p.p; apesar de terem sido voto vencido, o “racha” entre os membros do Copom acabou se sobressaindo mais do que a própria redução da taxa de juros.

Dessa vez, a decisão de manter a Selic estacionada em 10,50% ao ano foi unânime.

Publicidade

Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos

“A unanimidade é fundamental para primeiro, reativar a coerência interna e gerar credibilidade e, segundo, reancorar as expectativas, expurgando os excessos nas projeções da pesquisa Focus, minimizando dúvidas sobre leniência inflacionária”, explica Ricardo Tadeu Martins, economista-chefe da Planner Investimentos.

O que se viu no intervalo entre o encontro desta quarta-feira e o anterior, em maio, foi uma piora generalizada das expectativas. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vieram piores do que o esperado e há ainda a possibilidade de que as chuvas no Rio Grande do Sul pressionem o preço de alguns alimentos. Tudo isso em meio à piora da percepção em relação ao fiscal do País, enquanto o Governo Federal enfrenta dificuldades para aprovar no Congresso medidas para aumentar a arrecadação nacional.

A combinação de todos esses fatores levou o mercado a precificar que o ciclo de afrouxamento monetário chegou ao fim. A projeção mais recente do Boletim Focus mostra que, agora, investidores esperam que a Selic encerre 2024 nos atuais 10,50% ao ano. Em maio, no último encontro do Copom, a projeção era de 9,0% ao ano.

Como ficam os investimentos com a Selic a 10,50%

Desde maio, o contexto de aumento da incerteza fiscal e pessimismo no exterior já havia criado um movimento de oportunidade na renda fixa. Os títulos do Tesouro Direto viram suas taxas subirem e, desde então, são negociados a um patamar de “juros de crise”, acima de 6% na ponta prefixada. Segundo os especialistas, o momento favorece o investimento sobretudo em dois tipos de ativos: os prefixados e os indexados à inflação.

Apesar dessa mudança nas expectativas, o movimento da curva de juros parece “exacerbado”, destaca Odilon Costa, estrategista de renda fixa e crédito privado do Grupo SWM. “A taxa forward – que reflete, a partir da curva de juros, quanto o mercado remunera as aplicações pré-fixadas – para esses períodos estão próximas de 10,25% e 11,0%. Apesar de esperarmos um ciclo mais conservador de queda da Selic, achamos difícil imaginar uma taxa terminal tão elevada em 2025”, explica.

Por isso, a adição de ativos prefixados na carteira passa a fazer sentido, especialmente para prazos intermediários. Essa também é a visão de Wellington Gonçalves, analista de renda fixa da Ágora Investimentos, que vê boas oportunidades na renda fixa prefixada com vencimentos inferiores a dois anos. “Se o cliente consegue garantir no curto e médio prazo uma taxa pré-fixada alta, mesmo diante de situações adversas de mercado ele consegue garantir um ganho maior do que caso ele alocasse em ativos pós-fixados”, afirma Gonçalves.

Publicidade

Para prazos de vencimento mais longos, quem passa a ganhar maior atratividade é o IPCA+. Além de estarem sendo negociados a taxas acima de 6%, um nível de juros real bastante elevado, os títulos atrelados à inflação garantem certa proteção à carteira do investidor. Um ponto importante dado às incertezas fiscais do cenário de médio e longo prazo.

“As taxas reais oferecidas nesses ativos, principalmente os de vencimento mais longo, se apresentam em níveis que, estatisticamente, não costumam aparecer com frequência, apresentando uma boa oportunidade para o investidor que busca alta rentabilidade no médio e longo prazo. Cabe ressaltar que a volatilidade nesses títulos IPCA+ de vencimento superior, são bem altas, sendo apropriada para investidores de perfil mais arrojado”, destaca Leandro Ormond, analista da gestora de patrimônio Aware Investments.

Um levantamento feito por Rafael Haddad, planejador financeiro do C6 Bank, mostra a rentabilidade bruta e líquida dos principais ativos da renda fixa com a Selic de 10,50% ao ano. A simulação levou em conta uma estimativa de CDI de 11,02% em 1 ano, com base no contrato de DI futuro, e uma expectativa de inflação em 12 meses de 3,61%, baseado na projeção do Boletim Focus.

Apesar da janela de oportunidade para investir em prefixados e IPCA+, ainda são os títulos incentivados quem oferecem os melhores retornos ao investidor. Por serem isentos de Imposto de Renda, Letra de Crédito Imobiliário (LCIs), Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs) e as Debêntures Incentivadas de 95% do CDI, por exemplo, garantem retornos líquidos superiores ao de um Certificado de Depósito Bancário (CDB) prefixado a 11,85% ao ano ou de um pós-fixado a 108% do CDI.

Publicidade

Informe seu e-mail

Faça com que esse conteúdo ajude mais investidores. Compartilhe com os seus contatos