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Investimentos

Qual a melhor forma de aplicar a estratégia de investimento de Warren Buffett?

Dono da da Berkshire Hathaway investe em 2 ETFs que seguem o S&P 500; analistas explicam se faz sentido para o investidor brasileiro

Por Luíza Lanza

24/05/2024 | 9:49 Atualização: 24/05/2024 | 18:55

Investir em ETFs que seguem o S&P 500 é o 'melhor a se fazer', segundo Buffett. (Foto: Envato)
Investir em ETFs que seguem o S&P 500 é o 'melhor a se fazer', segundo Buffett. (Foto: Envato)

O megainvestidor americano Warren Buffett, um dos grandes defensores da estratégia de value investing, possui dois Exchange Traded Funds (ETFs) na carteira. Ambos os ativos têm a mesma estratégia principal: seguir o desempenho do S&P 500, um índice composto por centenas das principais ações das Bolsas dos Estados Unidos.

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Em diferentes ocasiões – palestras, entrevistas, cartas anuais da Berkshire Hathaway –, Buffett defendeu que investir nesses ativos era “a melhor coisa a se fazer”. O entendimento é que a grande maioria dos investidores não profissionais têm poucas chances de superar o mercado; por isso, faz mais sentido investir de forma consistente em um ETF, que funciona como uma “cesta” de ações, do que escolher individualmente um ativo ou outro. E não haveria opção melhor do que o S&P, que permite uma exposição às maiores empresas da maior economia do mundo.

Evandro Medeiros, analista da Suno, destaca que a alocação do próprio Buffett nesses ativos é “módica”. Mas que o conselho vale, sim, para o investidor pessoa física. “Buffett entende que para o investidor pessoa física faz mais sentido buscar um ETF que replique um bom índice a um baixo custo do que deixar seus recursos na mão de gestores profissionais. A literatura acadêmica de fato constata isso: na média, gestores ativos perdem dos seus índices benchmark”, explica. “Já o índice segue um algoritmo que não está sujeito aos mesmos vieses comportamentais que nós, meros humanos e, portanto, não cai nas mesmas armadilhas.”

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Investir em um ETF que replique um índice de ações no exterior tem como principal vantagem, sob o ponto de vista de um investidor brasileiro, a diversificação internacional. Como as companhias dos EUA representam cerca de 40% da economia global, pode ser uma alternativa para dolarizar parte do patrimônio e acompanhar o crescimento econômico no longo prazo. Por isso, o “investimento do Buffett” pode sim fazer sentido para algumas estratégias.

“O crescimento e a resiliência das empresas ao redor do mundo usualmente são muito mais fortes do que a vista apenas nas empresas listadas na Bolsa de Valores brasileira. Portanto, é imprescindível investir também nas empresas que estão gerando valor ao redor do mundo, como Apple, Microsoft, Tencent, JP Morgan e outras, e não só focar nas poucas empresas listadas no Brasil”, diz Cauê Mançanares, CEO da Investo. “O SP500 é um índice das maiores empresas listadas nos Estados Unidos, o que já ajuda bastante.”

Mas não é só porque um dos maiores investidores do mundo gosta do ativo que ele precisa estar em todas as carteiras. “O que vale para o Buffett pode não valer para a gente no Brasil”, ressalta Renato Chanes, analista da Ágora Investimentos.

O analista explica que o custo de oportunidade de investidores americanos é diferente, justamente pelas diferenças em relação ao tamanho da economia, histórico de taxas de juros e de retorno dos investimentos. “Nosso curso de oportunidade é historicamente muito mais alto, porque é a Selic mais algum prêmio. Não é plenamente comparável ao americano”, diz. “De qualquer forma, temos uma visão positiva para a alocação nos Estados Unidos.”

Vale a pena investir em meio à alta?

Ao contrário do mau humor que tomou o Ibovespa, o S&P500, assim como outros índices de ações americanas, vem de um período de altas expressivas. Em 12 meses, o índice acumula uma valorização 27%, sendo negociado em patamares históricos em meio a um bull market nas Bolsas nos EUA.

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O termo é usado para caracterizar momentos de otimismo, quando os ativos de maior risco arrancam uma valorização e investidores se mostram confiantes em relação à valorização das ações. E não é um bull market qualquer: nestes cinco primeiros meses de 2024, o S&P 500 já rompeu 24 vezes um novo topo histórico, acima da média de ciclos de valorização que costuma ser de 20 rompimentos por ano.

A valorização reflete uma combinação de fatores, que vão desde a solidez da economia americana, com nível de empregabilidade e consumo altos mesmo em meio ao aperto monetário, com bons resultados corporativos, e o boom da inteligência artificial impulsionando as grandes empresas de tecnologia. Para Renato Chanes, da Ágora, o movimento atual de valorização das Bolsas é, de certa forma, “contra intuitivo” dado que acontece em meio à maior inflação e taxa de juros em décadas nos EUA. “É um fenômeno super interessante, que mostra a resiliência do mercado americano”.

E não é porque subiu que o valuation ficou caro. No atual nível de preço, o índice está sendo negociado perto de 19,5 vezes o múltiplo P/L; a média 17,5 vezes. “É um prêmio em relação a média histórica, sim, mas já estivemos em momentos muito mais apertados, até mesmo no começo desse ano”, diz Chanes. “Se a Bolsa continua subindo e mesmo assim ficou mais barata, é porque a projeção de lucro cresceu. E, enquanto as projeções de crescimento da economia e dos lucros corporativos continuar em ascendência, a Bolsa americana não vai estar cara.”

O entendimento geral dos especialistas é que esse pode ser um bom investimento para diversificar a carteira do risco País, atrelando parte do portfólio ao dólar e à maior economia do mundo.

Como escolher um ETF

Com a economia americana resiliente, perspectiva de queda de juros pela frente e projeções de lucro sendo revisadas para cima, o S&P 500 se destaca como uma alternativa interessante para investidores brasileiros diversificarem internacionalmente o portfólio sem precisar fazer uma análise individual das mais de 400 ações que compõem o índice; o stock picking, nos termos do mercado. E é justamente por isso que os ETFs que replicam o índice americano se destacam como uma possibilidade para fazer essa alocação.

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A B3 oferece algumas opções aos investidores do País. Os mais conhecidos são:

  • IVVB11: iShares S&P 500 FI em Cotas de Fundo de Índice – Inv. no Exterior, da Black Rock, com taxa de administração de 0,23% a.a;
  • SPXI11: ETF It Now S&P500, do Itaú, com taxa de administração de 0,21% a.a;
  • SPXB11: ETF S&P 500, do BTG Pactual, com taxa de administração de 0,20% a.a;

A carteira Top Global da Ágora, voltada ao investimento no exterior, tem uma boa concentração alocada no IVVB11. "É a opção de maior liquidez", destaca o analista Renato Chanes.

O ativo também é considerado uma "opção razoável" na avaliação de Evandro Medeiros, analista da Suno. Mas ele faz um adendo: "A taxa de administração do IVVB11 é de 0,24% a.a., um patamar 8 vezes superior às taxas cobradas pelos ETFs negociados diretamente nos EUA como o IVV e VOO. Quanto maior o prazo, maior a diferença de retornos entre os ativos mencionados", destaca.

A análise, portanto, precisa levar em conta todos esses fatores; as taxas cobradas pelos produtos, a variação cambial em um momento de alta do dólar, os prós e contras de fazer esse investimento diretamente no exterior e não na B3. "Cada ETF tem suas características próprias, portanto recomendamos buscar o site da gestora e avaliar se aquele investimento faz sentido para o seu perfil de risco", orienta Cauê Mançanares, CEO da Investo.

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“Primeiro, é importante escolher qual estratégia o investidor busca, por exemplo, se quer investir nos Estados Unidos, no Mundo, ou em algum setor específico, como tecnologia, petróleo, private equity ou outros. Definida a estratégia, existem ETFs listados na B3 que facilitam essa alocação."

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