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Investimentos

Alta de juros favorece investimentos no crédito privado, diz relatório

Segundo relatório do ModalMais, os gestores estão mais otimistas para os investimentos de crédito privado

Por Daniel Rocha

13/06/2022 | 14:35 Atualização: 13/06/2022 | 15:01

Para os gestores, a taxa de juros deve sofrer novas altas ao longo deste ano (Foto: Envato Elements)
Para os gestores, a taxa de juros deve sofrer novas altas ao longo deste ano (Foto: Envato Elements)

Metade das gestoras estratégicas de renda fixa está “muito otimista” com as debêntures incentivadas e crédito high grade (de baixo risco) como opção de investimento para este ano. A percepção sinaliza que o cenário macroeconômico está mais favorável para esse tipo de investimento no crédito privado. É o que aponta o relatório do grupo ModalMais que avaliou a percepção de 15 gestoras de estratégia de renda fixa do mercado financeiro.

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Do outro lado, o pessimismo prevalece nos investimentos de juros pré-fixados e também para alguns setores da bolsa devido às incertezas sobre o fim da alta da inflação e da taxa de juros no curto prazo.

A pesquisa “Termômetro de Mercado”, obtida com exclusividade pelo E-Investidor, consultou os gestores de fundos de renda fixa durante o período do dia 27 de abril deste ano até o último dia 6. O objetivo do relatório foi mensurar a percepção dos especialistas sobre os principais produtos financeiros no atual cenário macroeconômico. O resultado mostrou que metade dos entrevistados está “muito otimista” para as debêntures incentivadas e crédito high grade.

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Segundo Victor Oliveira, head de Fundos do ModalMais, a posição se deve ao alto retorno financeiro que esse tipo de crédito privado oferece aos gestores no atual momento com a Selic na casa dos dois dígitos. “Tanto o crédito high grade quanto as debêntures incentivadas costumam ter notas de crédito muito elevadas. As debêntures incentivadas, por exemplo, costumam ser emitidas por empresas muito grandes e de infraestrutura e que estão muito bem financeiramente“, explica Oliveira.

No entanto, a percepção não é a mesma quando se observa os investimentos de juros pré-fixados no curto, médio e longo prazo. Isso acontece porque há um consenso entre os gestores consultados de que o Banco Central deve elevar ainda mais a taxa de juros nos próximos meses. “Com a continuidade da elevação da Selic por mais cerca de um mês, os investimentos em pré-fixados deixam de ganhar taxa mais alta. Além disso, a marcação a mercado machuca quem precisa negociar os títulos antes do vencimento”, avalia os gestores da Skade Capital, no relatório.

Essa perspectiva também impacta na estratégia de investimento na renda variável. Ainda de acordo com o relatório, 67% dos gestores estão otimistas com o setor de “consumos não cíclicos”, empresas que não estão ligadas a períodos de alto consumo, como as empresas produtoras de alimentos. A justificativa se deve à “grande capacidade de repasse de preços da alta dos custos dada a característica inelástica (quando a demanda reduz ou aumenta muito pouco mesmo com a alta dos preços)”, como afirmou a BV Asset durante o relatório.

A percepção otimista para o setor é reforçada pela perspectiva de novos aumentos da taxa de juros pelo Banco Central (BC), mesmo havendo um consenso no mercado de que o Brasil está mais avançado no seu processo de aperto monetário em comparação a outros países, como os Estados Unidos.

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Segundo a Skade Capital, os preços devem permanecer pressionados no curto e médio prazo, impulsionados por alguns fatores externos, como a guerra no leste europeu, a escassez de alguns produtos e a alta de commodities. “As projeções de inflação implícita de longo prazo mostram que o mercado ainda não acredita na convergência da inflação às metas”, avalia a gestora de investimentos no relatório.

As eleições presidenciais previstas para o próximo mês de outubro também seguem no radar dos gestores como um dos fatores que podem trazer ainda mais volatilidade ao mercado. Por esse motivo, a estratégia da maioria dos gestores consiste em estar posicionado em companhias menos suscetíveis às variáveis macroeconômicas do exterior ou do ambiente doméstico.

“Nós nos mantemos cautelosos com o segmento de consumo, posicionados em empresas que possuem sólidos fundamentos, boa execução e margem de segurança para atravessar um período de incertezas macroeconômicas”, afirmam os gestores da Travessia Capital. Já a equipe da Âmago Capital acredita que o setor de materiais básicos e financeiro são os mais atrativos na bolsa no atual cenário macroeconômico.

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