“O cenário mudou totalmente”, diz Baltieri, da BRAM. O especialista acredita que a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus obrigou os gestores a olharem de maneira bem diferente para o portfólio.
Segundo o convidado da live da Ágora, as incertezas atuais exigem ainda mais precisão dos investidores no momento de comprar e vender ações. Baltieri não recomenda visar o lucro em curto prazo, dada a dificuldade de previsão do cenário daqui a duas semanas, por exemplo. A exceção agora é o investidor que tem dinheiro em caixa e margem para possíveis perdas.
Para as pessoas físicas na B3, o superintendente de renda variável aponta um caminho: procurar empresas com baixo endividamento, com mais reconhecimento no cenário internacional e, principalmente, que já tenham enfrentado (e sobrevivido bem) a crises passadas. “Nessas empresas é que devemos apostar agora, mas visando o médio e longo prazo”, alerta.
Com a imprevisibilidade atual, até mesmo empresas com este perfil podem ver suas ações se desvalorizarem nas próximas semanas, diz Baltieri. Mas são elas que têm mais chance de se recuperar a longo prazo e dar um retorno positivo para o investidor.
Ricardo França, especialista da Ágora Investimentos, concorda com a análise de Baltieri. Mesmo em um momento de incertezas na B3, ele lembra que não vivemos mais a época em que era cômodo apostar na renda fixa durante uma crise.
Com a taxa de juros no menor patamar da história – 3,75% – e sem a perspectiva de voltar a subir, a renda variável vai continuar sendo mais atraente no longo prazo. “Apesar do momento complicado, temos alternativas de investimento em ações baratas de algumas empresas”.