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Investimentos

A relação entre EUA, Europa e a inflação já afeta o mercado

Especialistas avaliam a possibilidade do mercado europeu ter maior atratividade, se comparado ao americano

Por Rebeca Soares

20/01/2022 | 2:58 Atualização: 19/01/2022 | 19:59

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

As opções de ativos para os investidores brasileiros no exterior crescem constantemente. Há alternativas em fundos ativos, fundos de índice (ETFs), os cambiais ou até diretamente em ações. Seja por conta do tamanho ou da influência mundial, o mercado norte-americano é protagonista. Entretanto, com o aumento dos juros para conter a inflação, como apontado pelo Federal Reserve, Fed, o cenário pode ser impactado.

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De acordo com a plataforma Exchange Rates, em 1° de janeiro de 2021, US$ 1 era equivalente a R$ 5,19. No último dia do ano, o valor havia aumentado para R$ 5,57, um crescimento de 7,32%. Olhando para o euro, a moeda iniciou 2021 custando R$ 6,37. Já em 31 de dezembro, o valor alcançou R$ 6,31, uma leve queda de 0,94%, de acordo com o Banco Central Europeu.

Para quem estava investindo com maior peso na moeda americana, o lucro foi significativo, especialmente em um ano em que o Ibovespa fechou em queda de 11,9%, considerado o primeiro ano negativo desde 2015.

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Visando diversificar o portfólio em diferentes mercados, setores e regiões, é importante conhecer o cenário e possibilidades de investimentos em outros países. Considerando a histórica tendência à instabilidade em anos de eleição na economia brasileira, os investidores nacionais podem encontrar possibilidade de lucros no exterior, mas é preciso ter atenção. Assim como no Brasil, a inflação também alcança até mesmo as economias desenvolvidas.

Inflação nos desenvolvidos

Segundo avaliação de Ian Caó, CIO da Gama Investimentos, o mercado dos Estados Unidos vem sofrendo o movimento de diminuição de estímulos econômicos e sentindo as dificuldades que a pressão inflacionária deve impor à condução de política econômica.

Por conta disso, ele explica que, especialmente ações do setor de tecnologia tendem a performar pior no próximo ciclo. Por representarem uma fatia relevante dos índices americanos, a queda do segmento pode impactar o mercado como um todo. “Além disso, a Europa está mais atrasada no ciclo econômico e os líderes macroeconômicos tendem a ser menor agressivos na retirada dos estímulos”, avalia.

Caó pontua que, em um ambiente de transições de política econômica relevantes como o atual, o princípio da diversificação é mais importante do que nunca. “O timing, a velocidade e a intensidade dos movimentos dos governos e bancos centrais será diferente e terá impactos diferentes sobre os ativos”, aponta.

Ele ainda afirma que a adição de ativos da Europa em um portfólio parece uma boa forma de diversificar os investimentos.

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De acordo com Guilherme Zanin, estrategista da Avenue Securites, outra diferença entre os dois principais blocos das economias desenvolvidas está o direcionamento da alocação de recursos. “Enquanto nos EUA a Bolsa é preponderantemente tecnológica com nomes como Apple, Microsoft, Tesla, Meta, Amazon, os países da Europa tendem a abranger outros segmentos. Na França tem muitas empresas de luxo, na Alemanha as empresas são focadas em atividade industrial, e assim por diante”, afirma.

Por conta dessa diferença, ele explica que o aumento da inflação pode ser sentida de modos distintos. Enquanto os produtos podem ter repasse de valor no preço final, diminuindo as perdas das empresas, os serviços de tecnologia tendem a segurar preços ao consumidor por conta da concorrência entre companhias.

Como investir e diversificar no mercado europeu?

Para investir no mercado da Zona do Euro, além de procurar empresas listadas mesmo na Bolsa de Valores brasileira com negócios no continente europeu por ações ou Brazilian Depositary Receipt (BDR) das bolsas americanas, é possível investir em fundos cambiais ou fundos de índice (ETFs) voltados à economia da região.

O estrategista da Avenue, corretora americana voltada para investidores brasileiros, avalia que a procura para a diversificação internacional para além dos Estados Unidos é cada vez mais comum entre os clientes. Além de ativos atrelados à economia chinesa e outros mercados emergentes, o europeu também chama atenção.

Ele destaca que uma das formas para diversificar a exposição é alocar recursos em empresas de outros países que estão listadas nos Estados Unidos. “Assim como Nubank (NYSE: NU, B3: NUBR33) e XP (Nasdaq: XP, B3: XPBR31) estão expostos ao mercado brasileiro e americano, pela origem e pela bolsa listada, existem outras empresas com as mesmas variáveis de países europeus, como é o caso da italiana Ferrari, alemã SAP SE e britânica AstraZeneca.

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Companhias europeias listadas nos EUA

Empresa Ticker Origem
SAP SE SAP Alemanha
ASML Holding ASML Holanda
AstraZeneca AZN Reino Unido
Sanofi SAN França
Total SE TTE França
ABB ABB Suíça
Vodafone Group VOD Reino Unido
Ferrari RACE Itália
Fonte: Avenue

 

Além de comprar diretamente as ações, Zanin sugere que os investidores procurem fundos de índice, ativo conhecido por meio da sigla ETF, que englobam diferentes companhias com diversidade de setores. Segundo ele, o Vanguard FTSE Europe ETF (VGK) é o índice mais amplo. O ETF possui US$ 28,7 bilhões de ativos líquidos totais e cerca de 1.357 ações.

O estrategista ainda aponta a possibilidade de investir em um ETF com empresas de determinado país, como a série “EW”, da gestora BlackRock. O iShares MSCI Germany ETF (EWG) tem exposição a grandes e médias empresas na Alemanha. O iShares MSCI France ETF (EWQ) é composto por companhias francesas, entre outras possibilidades.

O Trend Europa (EURP11) tem exposição ao fundo alvo iShares CORE MSCI Europe ETF, que reúne grande, médias e pequenas empresas de 15 países desenvolvidos na Europa. Com mais de 1.000 constituintes, o índice cobre aproximadamente 85% de todo o mercado acionário europeu. De 22 de janeiro de 2021, quando foi lançado, até o fechamento da última quarta-feira (19), o EURP11 cresceu 10,22%% e é cotado a R$ 11,54.

Contratos futuros

Outra opção, anunciada na última semana pela B3, é o início das negociações dos contratos futuros dos índices EURO STOXX 50 e o DAX, em parceria com a Qontigo, provedora global de índices. Segundo a Bolsa brasileira, os investidores registrados no Brasil podem acessar dois dos principais índices futuros por meio do mercado local e sem riscos cambiais.

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O EURO STOXX 50 Index é o principal índice blue-chip, ou seja, empresas de grande porte, na Zona do Euro. O índice engloba 50 ações de oito países da Zona do Euro: Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália e Países Baixos.

A B3 destaca que o DAX Index acompanha o desempenho das 40 maiores empresas listadas no mercado regulado da Frankfurt Stock Exchange que cumprem certos requisitos mínimos de qualidade e rentabilidade.

“Temos acompanhado a demanda crescente por produtos que permitem exposição ao mercado internacional e, a partir da listagem dos índices futuros, pretendemos ampliar as oportunidades para que os investidores diversifiquem os seus portfólios a partir dos principais índices europeus”, aponta Claudio Jacob, diretor de desenvolvimento mercados e de vlientes da B3.

Sean Smith, diretor Administrativo de Derivativos da Qontigo, ressalta que o futuro de EURO STOXX 50 e o Futuro de DAX permitirão aos investidores brasileiros opinarem sobre o desenvolvimento da Europa e da Alemanha.

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Para Caó, da Gama, a evolução do mercado de capitais brasileiro permite o acesso a produtos com exposição a ativos europeus de forma transparente e eficiente. “Uma forma segura é procurar fundos de gestores respeitados, seja em estratégias passivas ou ativas”, aponta o CIO.

Dólar vs Euro em 2022

Para Claudio Piron e Athanasios Vamvakidis, estrategistas de Foreign Exchange do Bank of America (BofA), o dólar americano (USD) é avaliado como otimista. “O CAD (dólar canadense) é a única moeda do G10 com uma relação put/call (venda/compra) mais otimista em relação ao USD.”

Já em relação ao euro (EUR), as perspectivas macroeconômicas e de políticas monetárias divergentes podem gerar mais fraqueza em relação ao dólar este ano, apesar da recente alta. Segundo os analistas do BofA, a motivação é a inflação na zona do euro transitória e abaixo da meta até o final do ano, além do Banco Central Europeu (BCE) manter sua nova forward guidance, ou seja, orientação futura ou prescrição futura.

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