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Investimentos

Guerra no Oriente Médio: faz sentido adotar alguma estratégia de proteção do portfólio?

Escalada do conflito entre EUA e Irã coloca mercado no modus operandi de aversão a risco, mas especialistas acreditam que é preciso maior clareza do cenário antes de mexer na carteira

Por Luíza Lanza

02/03/2026 | 16:51 Atualização: 02/03/2026 | 17:54

Guerra no Oriente Médio faz petroleiras voltarem aos holofotes (Foto: Envato)
Guerra no Oriente Médio faz petroleiras voltarem aos holofotes (Foto: Envato)

Os mercados globais iniciaram esta segunda-feira (2) no modus operandi de aversão a risco: ativos de proteção como ouro e dólar para cima, bolsas e criptomoedas para baixo. Em reação ao ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que iniciou um novo conflito no Oriente Médio no fim de semana.

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  • O que você precisa saber sobre o conflito EUA-Israel X Irã; leia resumo

Nos mercados, o primeiro reflexo foi a fuga por ativos de proteção. Mas as commodities também dispararam. O preço do petróleo sobe 9%, com receios de um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre o Irã e Omã por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Mas é o médio e longo prazo que preocupa. Se o conflito se estender por muito tempo e a alta do petróleo for estrutural, isso pode levar a uma nova onda de pressão inflacionária global. A depender da gravidade, poderia até afetar os ciclos de cortes de juros em voga em muitos países, incluindo o Brasil, que deve começar a reduzir a taxa Selic neste mês.

A incerteza também favorece o dólar contra outras moedas, assim como tende a afastar investidores globais de mercados considerados mais arriscados, como emergentes. E é o que está acontecendo nesta segunda-feira, ainda que a pressão tenha sido amenizada no decorrer do pregão.

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“Fluxos para ativos considerados seguros devem dominar as negociações possivelmente ao longo da semana, dependendo da percepção de risco de escalada”, pontua Matthew Ryan, Head de estratégia de mercado global da Ebury.

A dúvida, porém, está na duração do conflito. “Normalmente, o aumento dos riscos geopolíticos provoca apenas desajustes temporários, e os mercados costumam se recuperar rapidamente após o choque inicial. No entanto, isso dependerá muito da duração do conflito e de possíveis implicações de longo prazo para os mercados de commodities e para a economia global”, diz Ryan.

Vai passar ou o investidor precisa se proteger?

No meio da sessão, o Ibovespa, que vinha em queda pela manhã, inverteu o sinal. Às 12h15, o índice de ações da Bolsa brasileira subia 0,09%, a 188,9 mil pontos. Um sinal da volatilidade do mercado – e de como ainda não é possível cravar se os impactos da guerra no mercado serão duradouros ou passageiros.

Raíssa Florence, economista e sócia da OZ, explica que a duração do conflito será determinante. Se houver escalada prolongada, o mercado pode entrar em uma nova rodada de estresse global, com impacto direto sobre dólar, curva de juros e desempenho do Ibovespa ao longo da semana. “O real vinha se beneficiando de fluxo para emergentes. Um choque geopolítico dessa magnitude pode inverter parcialmente esse movimento”, afirma.

O Ibovespa já acumula uma alta de 16% em 2026, apoiado sobretudo no alto fluxo de capital internacional, que já entrou com R$ 41 bilhões no País. Como explicamos nesta outra reportagem, trata-se de um movimento global de rotação de portfólios de investimento que passaram os últimos anos concentrados nos Estados Unidos e que agora começam a incluir outras geografias.

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Emergentes ganharam destaque, mas um conflito geopolítico duradouro envolvendo a maior economia do mundo poderia reverter parte do apetite a risco que atrai recursos para mercados como o Brasil. É o que explica Adam Hetts, diretor global de multiativos e gestor de portfólio da Janus Henderson Investors.

“Uma incerteza generalizada suprime o sentimento dos investidores, o que pode afetar negativamente os ativos de risco globalmente. Isso provavelmente tornaria os títulos soberanos de mercados desenvolvidos, incluindo os títulos do Tesouro dos EUA, e as moedas consideradas refúgio seguro mais atraentes”, diz.

Mas esse não é o cenário-base da empresa. Para Hetts, mudanças mais drásticas na dinâmica do mercado exigiriam uma escalada prolongada do conflito. Nesse primeiro momento, a melhor estratégia pode ser esperar.

“Os investidores devem reconhecer que, imediatamente após um evento dessa magnitude, haverá uma série de manchetes impactantes e estamos observando uma alta incerteza, potencialmente atingindo seu pico. Como sempre, defendemos uma perspectiva de longo prazo para investimentos, em vez de reagir à volatilidade de curto prazo”, destaca o gestor.

Na prática, isso significa manter portfólios bem diversificados, incluindo ativos de alta qualidade considerados porto seguro, capazes de resistir à incerteza de curto prazo. Sem abandonar o mercado imediatamente, nem alterar a estratégia de longo prazo de forma significativa. “Sem tentar prever o realinhamento geopolítico do mercado e os riscos associados”, conclui Hetts.

Essa também é a orientação da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord): “o investidor deve evitar decisões precipitadas baseadas apenas no noticiário do dia. É fundamental contar com profissionais certificados, manter disciplina e estratégia, e avaliar se a carteira está adequada aos objetivos de longo prazo”, diz Pablo Spyer, economista e conselheiro da instituição.

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