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Investimentos

Índice de dividendos tem pico histórico em janeiro. O que esperar agora?

IDIV atingiu sua máxima histórica em 26 de janeiro de 2023, ao bater 7.620 pontos

Por Artur Nicoceli

02/02/2023 | 10:09 Atualização: 02/02/2023 | 10:12

Para fazer parte do índice, as companhias precisam ser negociadas em 95% das sessões das últimas três carteiras teóricas. (Fonte: Pixabay)
Para fazer parte do índice, as companhias precisam ser negociadas em 95% das sessões das últimas três carteiras teóricas. (Fonte: Pixabay)

O índice de dividendos, também conhecido como IDIV, atingiu sua máxima histórica em 26 de janeiro de 2023, ao bater 7.620 pontos. O bom desempenho foi ocasionado principalmente por ações do setor de mineração, siderurgia e seguradoras, de acordo com levantamento realizado por Einar Rivero, do Tradmap, a pedido do E-Investidor.

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O indicador é usado por investidores para buscar as melhores ações que remuneram os acionistas via dividendos. O pagamento é uma parcela do lucro apurado de uma companhia e distribuído aos acionistas, podendo ser pago de forma mensal, trimestral ou semestral.

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Semelhante ao Ibovespa, o IDIV opera conforme o desempenho das ações de sua carteira. Dessa forma, segundo o Trademap, a chegada ao ‘pico histórico’ aconteceu principalmente pela alta da CSN Mineração (CMIN3) e da siderurgia CSN (CSNA3) ao longo do mês de janeiro. A primeira empresa valorizou 30,88%; a segunda, 27,15%, no período.

Além disso, no posto de quarta e quinta maior alta mensal também estavam as ações preferenciais (USIM5) e ordinárias (USIM3) da Usiminas – a primeira apresentou ganho de 19,13%, enquanto a segunda teve alta de 18,08%.

Richard Camargo, analista da Empiricus Research, afirma que esse setor se destacou por conta da reabertura econômica da China. “Como a região asiática tem uma forte relação comercial com o Brasil, o fim da política de Covid-19 melhorou as expectativas quanto a retomada de consumo de commodities”.

Nos últimos 20 anos, os chineses conquistaram o posto de maior destino das exportações brasileiras, apontou o Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada (IPEA). As relações comerciais ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão.

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Em simultâneo, outro setor que se valorizou e puxou o índice para cima foram as incorporadoras. A Cyrela (CYRE3) e a Lavvi valorizaram 16,14% e 14,88%, por exemplo. Rodrigo Alves, head de produtos da RJ Investimentos, explica que “por conta da alta dos juros e a possível permanência nos dois dígitos nos próximos meses, as seguradoras são beneficiadas já que o caixa das empresas é aplicado em produtos atrelados a inflação.”

Ou seja, enquanto não são usados para cobrir eventuais sinistros, ficam aplicados em produtos de renda fixa. Saiba nesta matéria quais são os investimentos interessantes com os juros a 13,75%.

Veja também ao melhores retornos das ações que compõem a carteira do índice de dividendos:

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Para fazer parte do índice, as companhias precisam ser negociadas em 95% das sessões das últimas três carteiras teóricas, não ser classificada como penny stock (ação custa menos de R$ 1), estar entre os 33% dos ativos que com maiores dividend yield (cálculo para saber se uma empresa é boa pagadora de dividendos) e o valor precisa ser maior que zero nos últimos 36 meses.

O que esperar para os próximos meses?

Para quem investe focado em dividendos, os ventos devem soprar a favor, na visão dos especialistas. Heitor De Nicola, especialista de Renda Variável e sócio da Acqua Vero, declara que a redução nos casos chineses apontam para um aumento na demanda do minério de ferro, que pode beneficiar as companhias do índice.

Além disso, O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu na reunião desta quarta-feira (1º) em manter a taxa Selic a 13,75%. “Assim, as incorporadoras devem seguir no radar dos acionistas, já que seu caixa pode seguir positivo ao longo desse ano”, diz o especialista. A expectativa do boletim Focus de segunda-feira (30) é que o juros encerre o ano em 12,50%, 1,15 ponto percentual (p.p.) que o atual patamar.

  • Veja quem são os maiores pagadores de dividendos em 2023

Richard Camargo, analista da Empiricus Research também tem a mesma opinião. “A dinâmica favorável de fluxo estrangeiro para países emergentes, como o Brasil, deverá perdurar durante mais alguns meses, com impacto positivo especialmente entre as empresas de commodities.”

Segundo dados do Trademap, o fluxo de investimentos estrangeiros na Bolsa brasileira no mercado secundário em dezembro de 2022 foi de R$ 15,2 bilhões. Em janeiro de 2023, o fluxo foi de R$11,1 bilhões. Os números são cinco e quatro vezes maiores que novembro no ano passado, por exemplo, quando bateu apenas R$ 2,9 bilhões.

Já o head de produtos da RJ Investimentos lembra que apesar dos dividendos apontarem para cenários interessantes, os juros ainda pressionam a renda variável como um todo. Segundo ele, produtos do Tesouro Direto tendem a ser mais atraentes e menos arriscados nesse momento.

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“Daqui para frente, o investidor ficar atento as sinalizações que o bancos centrais, além de como será o processo de reabertura de China”, afirma.

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