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Investimentos

Como fica o investidor na confusão entre Totvs, Stone e Linx?

Empresas ofereceram propostas de compra para a companhia de software

Por Jenne Andrade

18/08/2020 | 8:49 Atualização: 18/08/2020 | 8:49

Abertura de capital da brasileira Stone em outubro de 2018, em Nova York (Foto: Nasdaq)
Abertura de capital da brasileira Stone em outubro de 2018, em Nova York (Foto: Nasdaq)

As últimas semanas foram movimentadas para a empresa de softwares de gestão para varejo Linx. A divulgação da proposta de compra por R$ 6 bilhões feita pela companhia de pagamentos Stone na terça-feira (11) atiçou os investidores e fez o papel LINX3, que já estava em alta de 10%, chegar aos 31,50% de valorização no fim do pregão, aos R$34,40.

Leia mais:
  • ‘Linx e Stone não deveriam manchar sua história com atitudes tão baixas’, diz Alperowitch
  • ‘Nenhum estrangeiro pode ficar fora do Brasil’, diz sócio da Condere
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A movimentação de investidores antes mesmo do anúncio da compra fez levantar suspeitas de insider trading (investidores com informações privilegiadas), que estão sendo investigadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Mas os acontecimentos não pararam por aí: na quarta-feira (12), a Fama Investimentos, que detém 3% da Linx, enviou uma carta ao mercado questionando supostos termos antiéticos na proposta de compra da Stone.

Segundo a gestora, os acionistas majoritários da companhia ganhariam na transação um prêmio 35% maior que os minoritários, ferindo a regra de Tag Along,  que tenta preservar a isonomia entre os acionistas em uma eventual compra da empresa.

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A carta repercutiu entre investidores, mas, na sexta-feira (14), outra notícia provocou ainda mais burburinho no mercado. A Totvs, empresa brasileira de software, estava com uma proposta de compra pronta, de R$ 6,1 bilhões, para ser enviada à Linx em 11 de agosto – no dia em que foi divulgada a fusão com a Stone.

“Fomos surpreendidos pela suspensão da publicação dos resultados e pelos fatos relevantes publicados no curso e após o pregão, que davam conta de que a Linx já teria contratado outra combinação de negócios com a StoneCo Ltd., preferindo não tomar conhecimento do que tínhamos a apresentar”, declara a Totvs em documento.

Novamente, as ações LINX3 valorizaram em 12,60%, aos R$36,01. Nesse imbróglio que se formou entre os três players, há ainda espaço para o investidor ganhar dinheiro?

Totvs é lado mais independente da história

Nesta segunda-feira (17), a Linx enviou um comunicado ao mercado para explicar que as conversas com a Totvs estavam em estágio muito inicial e que nada de concreto em relação à transação havia sido acordado. “Em nenhum momento, até a entrega da proposta da Totvs, foram apresentados ou discutidos quaisquer termos e condições de uma transação”, afirma a empresa.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, independente do motivo, uma eventual negativa não deve afetar a trajetória da Totvs nas próximas semanas. “Se a proposta fosse para frente seria ótimo. Ambas poderiam ter bons ganhos com essa sinergia, mas não vemos uma dependência tão grande da realização desse negócio por parte da Totvs”, diz.

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Atualmente, as ações da Totvs (TOTS3) já superaram o impacto da pandemia e estão em alta de 7,40% no ano, negociada a R$ 27. Em cinco anos, a valorização da empresa foi de cerca de 161%. “Vemos a companhia como uma boa líder no segmento de tecnologia e que pode começar a fazer mais aquisições no futuro e ter mais oportunidades”, ressalta Arbetman. “É uma ação para ficar de olho.”

Na visão de José Cataldo, head de research da Ágora Investimentos, por terem negócios parecidos, uma eventual fusão com a Totvs seria até mais vantajosa para a Linx do que a compra pela Stone. “Como a Stone tem uma capacidade financeira melhor, fez uma proposta de caixa e acreditamos que ela vai acabar levando”, diz. Os papéis da Totvs estão na carteira recomendada da Ágora Investimentos.

Linx tem alternativas, Stone precisa da fusão

De acordo com os especialistas consultados pelo E-Investidor, as ações da Linx já precificaram as notícias, em relação às propostas, com as altas recentes de 31,5% e 12,60%. Para quem não estava comprado no papel e não conseguiu surfar nessas valorizações, a recomendação é ter cautela e esperar o desenrolar da história.

“Caso siga com a proposta da Stone, a Linx não vai ter mais ações negociadas na B3, então é necessário paciência”, explica Arbetman. “A Linx é uma boa empresa, presente em mais de um nicho de negócio, até por isso foi visada por outras companhias”, pontua. Segundo informações do portal NeoFeed a Rede, do Itaú, estaria preparando uma terceira oferta de mais de R$ 7 bilhões pela companhia.

A parte mais sensível desse triângulo seria a Stone, que tem suas ações negociadas na Bolsa de valores dos Estados Unidos. “A Stone precisa muito desse negócio com a Linx, talvez por isso ela tenha sido mais agressiva nos termos e ofertado cláusulas para garantir ao máximo que a proposta passe”, diz Arbetman. “Se a empresa continuar do jeito que está, é possível que ela comece a perder margens no longo prazo, como se deu com a Cielo.”

Propostas expõem conflito de interesse

Segundo Fabio Alperowitch, sócio-fundador da Fama Investimentos, o surgimento de mais propostas de compra da Linx confirmaria o interesse dos fundadores da empresa de software agirem em interesse próprio.

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“A proposta da Totvs deixou claro que o ativo Linx é interessantíssimo e estratégico”, afirma o executivo. “O processo com a Stone mostra que os fundadores [da Linx] não quiseram maximizar o valor da empresa, e sim o valor próprio”, conclui. Sobre a proposta da Totvs, Alperowitch afirma que os termos são éticos, diferente de transação com a Stone.

Em posicionamento oficial, a Linx afirmou que “a administração procederá em acordo com seu dever fiduciário e analisará a nova oferta, por meio de processo formal a ser conduzido sob responsabilidade exclusiva de seus conselheiros independentes.” Procurada, Stone não quis comentar o assunto.

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