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Investimentos

Banco do Brasil ainda vale a pena? Veja se a queda das ações BBAS3 abre oportunidade em meio ao balanço negativo

Lucro líquido da companhia caiu 60% na comparação anual e ROE atingiu o seu menor nível desde 2016; Ações oscilam

Retrato de busto sob fundo azul escuro.
Por Daniel Rocha
Editado por Wladimir D'Andrade

14/08/2025 | 12:01 Atualização: 15/08/2025 | 12:17

As ações do Banco do Brasil (BBSA3) devem abrir o pregão com perdas após a divulgação de balanço negativo (Foto: Adobe Stock)
As ações do Banco do Brasil (BBSA3) devem abrir o pregão com perdas após a divulgação de balanço negativo (Foto: Adobe Stock)

O  Banco do Brasil reportou o seu balanço financeiro referente ao segundo trimestre de 2025 na noite de quinta-feira (14) com um resultado abaixo das estimativas do mercado. Entre abril a junho, o BB reportou lucro líquido de R$ 3,8 bilhões, uma queda de 60% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) atingiu o menor patamar desde 2016, um recuo de 8,2% . O percentual representa uma queda de 7,5 pontos percentuais em relação trimestre anterior e 12,8 p.p na comparação anual.

Leia mais:
  • Piora no balanço do 2º tri amplia pessimismo sobre o Banco do Brasil; veja o que mais preocupa o mercado
  • O dossiê da inadimplência do agro que derruba a ação do Banco do Brasil em 30%: como surgiu, quem deve e por que BBAS3 sangra na Bolsa
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O pano de fundo para a má fase do Banco do Brasil tem sido a qualidade da sua carteira de crédito que vem pressionando os resultados financeiros desde o início do ano, quando o problema ganhou visibilidade. A inadimplência do agronegócio persistiu e atingiu 3,49%, uma alta de 2,17 pontos percentuais na comparação com o mesmo período de 2024. Nesta reportagem, mostramos os indicadores que mais preocupam os analistas.

“Apesar de não haver quebra de safra relevante nos últimos anos, a queda acentuada dos preços e alavancagem dos clientes levou a um forte aumento nos atrasos e pedidos de recuperação judicial”, diz a Genial Investimentos.

Houve ainda um aumento da inadimplência no segmento de varejo, entre os clientes pessoa física e pequenos empreendedores, o que amplia os desafios para a estatal. Esmiuçamos os problemas do Banco do Brasil nesta reportagem. Vale lembrar que, antes mesmo da divulgação, as ações da companhia já haviam perdido o posto de “queridinha” do mercado e saíram das carteiras recomendadas de corretoras e bancos de investimentos. Veja aqui como operam os papéis da estatal hoje.

As ações do Banco do Brasil iniciaram as negociações na bolsa de valores com perdas após a divulgação dos dados ruins do balanço do 2º trimestre. Às 10h46 (de Brasília), os papéis da estatal operam com perdas de 3,02%, cotados a R$ 19,25. Logo depois, às 11h11 (de Brasília), as ações inverteram o sinal e passaram a subir 1,31%.

Há motivos para comprar as ações do Banco do Brasil (BBSA3)?

Fachada de agência do Banco do Brasil (BBAS3).
Analistas estão pessimistas com balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no segundo trimestre de 2025. (Foto: Adobe Stock)

O período nebuloso da estatal, contudo, não é suficiente para deixar a ação de escanteio, como tem feito a maioria dos agentes de mercado. Alguns analistas ainda defendem a permanência do papel na carteira por avaliar que os fundamentos da estatal permanecem intactos, enquanto classificam os problemas de crédito como o risco natural do modelo de negócio.

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Pedro Galdi, analista do AGF, faz parte desse grupo. Ele reconhece que a inadimplência pode pesar sobre os resultados deste trimestre e até dos próximos, mas ressalta que os problemas não devem durar por muito tempo.

  • Veja ainda: Fundos ligados ao agro estão sob pressão, mas gestores enxergam oportunidades

A avaliação de Galdi parte do seguinte princípio: o produtor inadimplente vai precisar de novas linhas de financiamento para arcar com os custos da próxima safra. Com o nome comprometido no Banco do Brasil, dificilmente, conseguirá crédito com outras instituições financeiras.

“A safra de 2025 e 2026 começou em junho passado. Onde ele vai arrumar dinheiro? A safra tem seus períodos certos. Se perder tempo (para regularizar as suas dívidas), vai perder produtividade”, explica Galdi.

Fábio Sobreira, sócio e analista da Rocha Opções de Investimentos, também reconhece os números ruins do Banco do Brasil (BBSA3), mas entende que a companhia é capaz de mudar essa realidade no longo prazo e voltar a estar no topo das recomendações das corretoras e bancos de investimentos. “Para o longo prazo, continua sendo um banco bicentenário que tem todas as condições de se recuperar. É positivo que esses números ruins sejam vistos agora para o mercado observar uma recuperação mais saudável nos outros trimestres”, ressalta o analista.

Como não há previsão de quando a companhia irá conseguir “arrumar a casa” e voltar a entregar bons rendimentos aos investidores, as ações não são indicadas para  uem busca retornos no curto prazo. A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que 2025 será um período de ajuste para garantir a retomada da rentabilidade e antecipou que a inadimplência do agronegócio deve pressionar os resultados do banco do terceiro trimestre.

“Ainda temos vencimentos de posições na carteira de agro e temos inadimplência em 90 dias prevista”, afirmou durante apresentação do balanço para investidores e analistas. Com esta projeção acomapanha por números ruins, os analistas acreditam que os papéis do banco sofram novas quedas relevantes na bolsa de valores na sessão dos próximos dias.

“Olhando para o curto prazo, estamos muito conservadores. Reduzimos a nossa posição em Banco do Brasil nas carteiras de ganho de capital”, afirma Marco Saravalle, fundador da MSX Invest e colunista do E-Investidor.

Já Ativa Investimentos reduziu a recomendação das ações do BBSA3 para neutra e colocou o preço-alvo do papel em revisão. A Genial, por sua vez, recomenda manter o ativo na carteira ao estabelecer um preço-alvo de R$ 22 para o papel, o que representa um potencial de valorização de 10,83% em comparação ao pregão de quinta-feira (14).

Histórico de dividendos também conta a favor de BBAS3

A recorrência da distribuição de dividendos do Banco do Brasil também sustenta a visão positiva para o papel. Apesar da queda do payout (capacidade de pagamento) de 45% para 30%, a Genial Investimentos acredita que há um retorno gradual do patamar histórico de 40%-45% à medida que os resultados se normalizem.

Marco Saravalle, sócio-fundador da BM&C eda SaraInvest.
Marco Saravalle, sócio-fundador da BM&C, vê oportunidades nas ações do Banco do Brasil para investidores com foco no médio e no longo prazo. (Foto: Divulgação/SaraInves)

A decisão reflete a preocupação da companhia em adotar uma postura mais conservadora e preservar seu capital enquanto enfrenta um ciclo ruim que, segundo especialistas, já se repetiu outras vezes ao longo dos seus dois séculos de existência.

“São ciclos e muitos sensíveis para ao agronegócio. A recente queda pode abrir uma oportunidade para investidores com visão acima de cinco anos“, diz Saravalle.

Além disso, o banco é negociado na Bolsa de Valores com múltiplos inferiores aos seus concorrentes e abaixo da sua média histórica, o que sugere uma boa oportunidade de investimento para quem está de fora do papel ou deseja aumentar posição.

Dados da Elos Ayta obtidos pelo E-Investidor mostram que o preço sobre o lucro (P/L) da companhia permanece em 3,26. Ou seja, o investidor levaria aproximadamente 3,26 anos para recuperar o investimento inicial do papel ao considerar o lucro atual. Já Bradesco (BBDC3; BBDC4), Itaú (ITUB3; ITUB4) e Santander (SANB11) são negociados na Bolsa com P/L de 7,65, 9,35 e 6,80, respectivamente.

“O BBAS3 apresenta uma excelente oportunidade para quem visa dividendos elevados dentro de alguns anos, após arrumar a casa. O Bradesco tardou cerca de dois anos e quem se posicionou visando uma recuperação durante o período de maior estresse foi recompensando”, diz Evandro Medeiros, analista CNPI da Suno Research

Veja os múltiplos do Banco do Brasil em comparação com Bradesco, Itaú e Santander

Preço sobre lucro (P/L) Bradesco (BBDC4) Banco do Brasil (BBAS3) Itaú (ITUB4)
Santander (SANB11)
Atual 7,65 3,26 9,35 6,8
Média de 10 anos 10,56 6,28 10,64 11,35
Mediana de 10 anos 10,31 5,24 10,22 10,81
Fonte: Elos Ayta Consultoria

 

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